Rock de chuteiras: Conheça a história do Pink Floyd Football Club

Há detalhes que a memória e nem mesmo os livros podem lembrar com exatidão. Mas, por um lado ou por outro, 22 de maio de 1965 representa um marco para a história do rock. Um dia de cisão para uma das bandas mais importantes da história. Foi o primeiro (ou o segundo, dependendo do historiador) show em que o Pink Floyd chamou-se Pink Floyd, tocando em um baile universitário na cidade inglesa de Cambridge. Também dependendo da fonte, aquele concerto marcou a primeira vez que Syd Barrett assumiu a guitarra ao lado de Roger Waters, ou a despedida de Bob Klose, músico talentoso pressionado pela família a largar a banda. De qualquer maneira, um símbolo de transição.
A partir daquele momento, o antigo “The Tea Set” assumia a identidade que o eternizou, com a formação que lançou o grupo para o sucesso, com a saída de Barrett para a entrada de David Gilmour em 1968. Cinquenta anos de trajetória que deixaram como legado alguns dos álbuns mais celebrados da música, assim como a influência para tantas outras bandas. E, como bons ingleses, os membros do Pink Floyd também nutriam sua paixão pelo futebol. Tanto que o esporte serviu de inspiração a algumas de suas obras e também de válvula de escape durante as turnês. A ponto de criarem o Pink Floyd Football Club, uma equipe formada pelos próprios músicos.
A imagem do time está disponível para qualquer fanático pela banda, na contracapa da coletânea A Nice Pair, lançada em dezembro de 1973. Na ocasião da fotografia, tirada semanas antes, o Pink Floyd FC vencera um time amador do norte de Londres por 4 a 0. Roger Waters assumiu o gol, Richard Wright se alinhou na defesa e David Gilmour aparecia na meia direita. O craque da equipe, no entanto, era o baterista Nick Mason, incansável meio-campista descrito por sua raça. O resto do elenco era completado por outros membros do staff, como roadies e empresários, que aproveitavam para reforçar os laços de amizade com as peladas.
“Durante as turnês, no estúdio ou em qualquer outra parte que estivéssemos, tínhamos sempre uma bola de futebol com a gente”, conta Roger Waters. Mais do que jogar, o Pink Floyd também acompanhava o futebol. Waters era torcedor do Arsenal, assim como David Gilmour, mas bem mais fanático. O baixista chegou a sugerir que a música Echoes, lançada em 1971, se chamasse ‘We Won the Double’, após os títulos dos Gunners no Campeonato Inglês e na Copa da Inglaterra. Além disso, as sessões de gravação de Dark Side of the Moon foram várias vezes interrompidas para que Waters, vizinho de Highbury, assistisse aos jogos do Arsenal. A frase ‘Think I’ll buy me a football team’ não está na canção Money à toa.
Outra referência óbvia está em um trecho da música Fearless, encerrada com o inconfundível ‘You’ll Never Walk Alone’, do Liverpool, e com os gritos de ‘Everton’. Os sons, gravados durante um dérbi de 1970, serviam de homenagem de Nick Mason e Richard Wright aos Reds, para o qual torciam. E, nos últimos anos, até mesmo o futebol pareceu exaltar a banda. O Chelsea planejava construir seu novo estádio no atual terreno da Battersea Power Station, a usina termelétrica que aparece na capa do álbum Animals, de 1977.
Enquanto tocava e torcia, o Pink Floyd FC continuava disputando os seus jogos ao longo dos anos 1970, em peladas sem registros e de poucas fotos. Tanto jogavam que mudaram as cores do próprio uniforme no final da década, do azul e branco original para o alviverde listrado e também o preto, enquanto emplacavam Wish You Were Here e The Wall. Curiosamente, nunca escolheram o vermelho e branco, comum nos corações dos quatro titulares no palco. Ao menos neste ponto, conseguiram separar as duas grandes paixões.




