Retrospectiva Premier League 09/10, parte I

Arsenal
Colocação final: 3º (previsão Trivela: 3º)
Técnico: Arsène Wenger
Maior vitória: Everton 1×6 Arsenal (15/8)
Maior derrota: Arsenal 0x3 Chelsea (29/11)
Principal jogador: Cesc Fábregas (MC, Espanha)
Decepção: Lukasz Fabianski
Artilheiro: Cesc Fábregas (15 gols)?
Nota da temporada: 6
Houve um momento no começo desta temporada em que se imaginou que o Arsenal, em 20010, terminaria de outra forma. É verdade que este momento acontece quase todo ano desde 2004, assim como é verdade que, desta vez, ele até durou mais do que vinha durando. O que não se pode deixar de enxergar, entretanto, é que, mais do que em qualquer outro momento, na temporada 2009/10 a “máscara” do Arsenal caiu. Está claro que o modelo implantado por Arsène Wenger foi vitorioso, que o treinador é um dos maiores da história, mas que, assim, os Gunners não vão voltar a vencer.
Se houve alguma diferença nesta temporada com relação às anteriores foi que o time gastou. Contratou, já no meio da temporada passada, Andryi Arshavin. Em tese, um jogador para mudar a sorte da equipe. Seja porque não é tudo que se esperava que fosse, seja pela absoluta falta de coadjuvantes, não só Arshavin não foi decisivo como Cesc Fábregas, emobra tenha tido mais uma temporada excelente, acabou empalidecendo.
Os Gunners, até poucas rodadas do final, foram candidatos ao título. Além da falta de ajudantes para os citados astros, jogar sem goleiro foi outro fator que ajudou a derrubar a equipe. Que, em 2010/11, precisa se ligar. Desde 2004 o time não ficava tão perto de acabar a temporada atrás so Tottenham. Se nada mudar em Ashburton Grove, isto pode bem acontecer daqui a um ano.
Aston Villa
Colocação final: 6º (previsão Trivela: 7º)
Técnico: Martin O’Neill
Maior vitória: Aston Villa 5×1 Bolton (7/11)
Maior derrota: Chelsea 7×1 Aston Villa (27/3)
Principal jogador: James Milner (MC, Inglaterra)
Decepção: Nigel Reo-Cocker
Artilheiro: Gabriel Agbonlahor (13 gols)?
Nota da temporada: 7
Vou repetir algo que já disse nesta coluna centas vezes: Martin O’Neill é, desde seu trabalho bem sucedido no Leicester, de 95 a 2000, o técnico que todos na imprensa inglesa adoram adorar. Fez um bom trabalho no Celtic até 2005, e, quando assumiu os Villains, houve quem imaginasse que a sorte dos ex-campeões europeus pudesse mudar. E mudou, não se pode negar. A questão, porém, é que, depois de mudar, parou no próximo degrau. E, por algum motivo, parece não querer, ou poder, se mover dele.
A verdade é que, embora tenha algum dinheiro em caixa, a equipe não tem condições de concorrer com os times milionários pelos jogadores fora-de-série. Com isso, acaba tendo que entrar na arena com o talento revelado em casa, e com algumas adições de jogadores que ainda não chamaram a atenção dos maiores. Com isso, formou-se um time regular, que perdeu só oito vezes no campeonato, nunca caiu muito, não teve fases de muitas vitórias nem de muitas derrotas.
Se não tivesse sido campeão europeu, talvez o Villa se contentasse com isso, ser o maior dos medianos. O problema é que as expectativas da torcida são outras, e, embora fique claro que o clube não será uma potência, brigar pelas vagas na Champions League é a expectativa de todos. O que parece difícil sem abrir um pouco o bolso.
Birmingham
Colocação final: 9º (previsão Trivela: 16º)
Técnico: Alex McLeish
Maior vitória: Wigan 2×3 B’Ham(5/12)
Maior derrota: Man City 5×1 B’Ham (11/4)
Principal jogador: Joe Hart (G, Inglaterra)
Decepção: Christian Benítez
Artilheiro: Cameron Jerome (10 gols)
Nota da temporada: 7
Quando escrevi a previsão desta temporada da Premier League não conseguia entender porque os analistas ingleses apostavam tão pouco no Birmingham. É verdade que a equipe vinha da Segundona, e que não fez ali campanha memorável. Ainda assim, uma olhada rápida no elenco dos Azuis permitia imaginar pelo menos uma permanência sem muitos sustos, ao contrário do que dizia a mídia inglesa.
Pois bem: o time dos experientes Lee Bowyer, Stephen Carr e Barry Ferguson superou não só as expectativas dos ingleses como também as próprias e, com a ajuda do emprestado goleiro Joe Hart, ficou apenas uma posiçano atrás do Villa, amargo rival. Entre 24/10 e 9/1 o Birmingham simplesmente não perdeu, e ganhou 7 de suas 12 partidas. Em um campeonato nivelado por baixo, foi o suficiente para subir, e muito na tabela.
É difícil dizer quanto de sorte houve no feito, mas o fato é que o time foi consistente, e mereceu acabar onde acabou. Terá na próxima temporada o desafio de viver sem Hart, parte integrante de seu sucesso. Certamente, entretanto, o trabalho de Alex McLeish será mais valorizado.
Blackburn
Colocação final: 10º (previsão Trivela: 10º)
Técnico: Sam Allardyce
Maior vitória: Blackburn 3×0 Bolton (21/2)
Maior derrota: Chelsea 5×0 Blackburn(24/10)
Principal jogador: ?David Dunn (MC, Inglaterra)
Decepção: Pascal Chimbonda
Artilheiro: David Dunn(9 gols)?
Nota da temporada: 6
A temporada do Blackburn foi absolutamente esquecível. O time de Big Sam Allardyce tomou duzentas goleadas pesadas durante o ano, mas, apesar disso, nunca esteve de fato ameaçado de queda. O décimo lugar na tabela reflete a mediocridade do time, de seu estilo de jogo e de seus jogadores. O time não tem nenhum destaque individual, assim como é difícil apontar algo de memorável em seu estilo de jogo. Ou em sua temporada.
Uma diferença grande para os tempos de Mark Hughes, quando, com valores parecidos, havia uma expectativa maior, não só de colocações melhores como de futebol melhor. E é aí que reside o problema para Big Sam. A torcida do último campeão inglês for a do trio Arsenal-Chelsea- Man Utd vai se contentar em ficar no meio? Em não brigar para não cair mas não esperar nada além disso? Difícil dizer. Tão difícil quanto ver um jogo do Blackburn.
Burnley
Colocação final: 18º (previsão Trivela: 20º)
Técnico: Brian Laws
Maior vitória: Hull 1×4 Burnley (10/4)
Maior derrota: Burnley 1×6 Man City (3/4)
Principal jogador: Steven Fletcher (A, Escócia)
Decepção: Kevin McDonald
Artilheiro: Steve Fletcher (8 gols)?
Nota da temporada: 5
O Burnley é outro time sobre o qual não era razoável esperar nada diferente do que aconteceu. Sem dinheiro, sem jovens estrelas prontas a explodir, o clube apostou no bom trabalho de Owen Coyle. E não começou mal: nos dois primeiros jogos em casa, vitórias diante de ninguém menos que Manchester United e Everton. Cinco vitórias nas primeiras 11 rodadas e, até o começo de 2010, o Burnley se mantinha mais perto do 10o lugar do que da zona da morte.
Mudou o ano, porém, e o dinheiro do Bolton levou Owen Coyle. E toda e qualquer chance do Burnley não cair. De novembro em diante o Burnley ganhou três vezes, uma delas a inútil vitória do último dia diane do Tottenham. A pior defesa da Premier League levou nada menos que 82 gols. Viu surgir, porém, Steven Fletcher, esperança para 2011. E sem que o clube gastasse o que não tinha. Diante das perspectivas, dificilmente poderia ter sido muito melhor.
Bolton
Colocação final: 14º (previsão Trivela: 14º)
Técnico: Owen Coyle
Maior vitória: Bolton 4×0 Wigan (13/3)
Maior derrota: Aston Villa 5×1 Hull (7/11)
Principal jogador: Chung Yong Lee (MC, Coréia do Sul)
Decepção: Johan Elmander
Artilheiro: Mathew Taylor e Ivan Klasnic (8 gols)?
Nota da temporada: 6
Quando demitiu Gary Megson, o Bolton estava na zona de rebaixamento da Premier League. Ao final da temporada, nNap só não estava mais como terminou o torneio em 14o. O que pode dar a impressão de que a chegada de Owen Coyle mudou definitivamente o time. A verdade, porém, não é bem essa. Se com Megson o Bolton ganhou apenas quatro vezes, com Coyle foram seis vitórias. Seis pontos que podem ter feito a diferença? Talvez.
O mais provável, no entanto, é que o melhor efeito da contratação do novo técnico tenha sido mesmo derrubar o Burnley. Com isso, sobrou uma vaga a menos para o Bolton cair. O time não melhorou consideravelmente, mas os que ficaram abaixo conseguiram melhorar ainda menos ou piorar. Outra equipe que teve uma temporada para esquecer. E sobre a qual não há nada que aponte para um futuro melhor.
Chelsea
Colocação final: 1º (previsão Trivela:4º)
Técnico: Carlo Ancelotti
Maior vitória: Chelsea 8×0 Wigan (9/5)
Maior derrota: Chelsea 2×4 Man City (27/2)
Principal jogador: Frank Lampard (MC, Inglaterra)
Decepção: John Obi Mikel
Artilheiro: Didier Drogba (29 gols)?
Nota da temporada: 8
Campeão com o melhor ataque dos últimos “n” anos, numerosas goleadas, o melhor futebol de Frank Lampard em muitos anos e um Didier Dorgba demolidor. Pode-se dizer que a primeira temporada de Carlo Ancelotti no Chelsea produziu ótimos frutos, portanto. Não se pode negar, porém, que o time era, dos grandes, o que enfrentava menos perdas e problemas. Não era de se esperar, então, que tivesse sido mais fácil?
Talvez sim, mas olhando a temporada em retrospecto os Blues falharam tão pouco que parece mais justo dizer que só não foi mais fácil por causa de Wayne Rooney. Os Blues perderam mais do que na era Mourinho, porém, e alguns jogos fáceis, que, em um campeonato mais parelho, poderiam ter custado caro.
Seu elenco, entretanto, rendeu o que até aqui não rendera. Jogadores como Malouda e Kalou apareceram em momenots importantes, e foram decisivos nas poucas vezes em que Drogba ou L:ampard não puderam ser. Para além do título, vale lembrar que o Chelsea, ao contrário do United, não tem nenhum jogador importante passando da idade. E que tem tudo, portanto, para ganhar o bi no ano que vem,
Everton
Colocação final: 8º (previsão Trivela: 8º)
Técnico: David Moyes
Maior vitória: Everton 5×1 Hull (7/3)
Maior derrota: Everton 1×6 Arsenal (15/8)
Principal jogador: Tim Cahill (MC, Austrália)
Decepção: Jô
Artilheiro: Louis Saha (13 gols)?
Nota da temporada: 6
Este ano, finalmente, o Everton não o quinto, depois de uma longo período de quintos lugares. O problema, entretanto, é que a equipe caiu. Assim como quase todo ano, os Toffees começaram a temporada mai. Neste caso, muito mal. Até janeiro, o time ganhou só cinco jogos. Depois, entretanto, embalou, ganhou doze, e perdeu só duas.
No final da temporada quase deu para sonhar em superar o rival Liverpool, o que cai poir terra com quatro empates nos últimos sete jogos. Acabar atrás do rival neste ano, porém, significa interromper outra longa série: a de temporadas disputadno competições européias. O que pode fazer a diferença.
O Everton de David Moyes tem sido um time regular e eficiente, e é difícil criticá-lo. O problema é que o jogo na Premier League muda a toda hora, e competidores como Aston Villa e Man City, outrora abaixo dos azuis de Liverpool, agora estão clara e confortavelmente acima. E sem o dinheiro europeu, infelizmente fica ainda mais difícil. Resta ao torcedor torcer para que não ter a distração de outra competição possa ajudar o time a focar na Premier League.
Fulham
Colocação final: 12º (previsão Trivela: 11º)
Técnico: Roy Hodgson
Maior vitória: Fulham 3×0 Blackburn (25/11); Fulham 3×0 Man Utd (19/12); Fulham 3×0 Burnley (9/2)
Maior derrota: Arsenal 4×0 Fulham (9/5)
Principal jogador: Bobby Zamora (A, Inglaterra)
Decepção: Diomansy Kamara
Artilheiro: Bobby Zamora (8 gols)?
Nota da temporada: 6
Não resta dúvida de que a temporada 2009/10 foi a melhor da história do Fulham. Ainda que a equipe tenha perdido a final da Liga Europa, o simples fato de ter estado lá dá ao clube uma dimensão única, nunca antes alcançada. Como se não bastasse, o time conseguiu o feito sem “embicar para baixo” na Premier League.
Até fevereiro, na verdade, o Fulham era o nono colocado. Uma série de três derrots seguids derrubou o time, e, evidentemente, a falta de concentração no Inglês foi amplamente compensada na Liga Europa. O time, entretanto, no ano que vem não voltará a jogar a competição. O que, falando de Fulham, pode não ser ruim.
Em primeiro lugar porque a expectativa seria grande, e seria difeicil para os Cottagers corresponderem a ela. Além disso, o time não tem um elenco profundo, e teve sorte de não ter muitas lesões na temporada. Se conseguir manter o trio Zamora Duff e Murphy e, forma, porém, e tendo só a Premier League para jogar, pode ser que o Fulham volta a atrapalhar lá em cima novamente. Isso, claro, se Roy Hodgson não acabar levado por dinheiro maiores.
Hull
Colocação final: 19º (previsão Trivela: 19º)
Técnico: Ian Dowie
Maior vitória: Hull 2×0 Fulham(27/3)
Maior derrota: Liverpool 6×1 Hull(26/9)
Principal jogador: Stephen Hunt (MC, Irlanda)
Decepção: Vennegoor of Hesselink
Artilheiro: Stephen Hunt (6 gols)?
Nota da temporada: 4
Estranho não foi o Hull cair neste ano. Foi não ter caído no ano passado. Ao contrário de 2008/9, quando teve um início de temporada espetacular e um final pavoroso, desta vez o Hull conseguiu ir uniformemente mal: apenas seis vitórias, nove derrotas por pelo menos três gols de diferença, 75 gols sofridos, 34 marcados. O time de Phil Brown era tão ruim que o treinador não resistiu, e foi substituído por Iain Dowie.
Não que tenha adiantado alguma coisa. Com duas vitórias desde novembro, o Hull não tinha mesmo como se segurar. O pior para o time, porém, não é cair, mas sim a perspectva de ser mais um time que gastou o que não podia para tentar se manter entre a elite. Salários para jogadores como Jimmy Bullard, que, se jogassem sempre o que jogam em seu melhor, até poderiam ter ajudado o time a permanecer na Premier League. Não só não permanecerá como, todos apostam, vai sofrer para manter o ritmo no Championship.



