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Rebaixados da Premier League ganham bônus. É justo?

Imagine que o clube é rebaixado da primeira para a segunda divisão. É claro que há uma diferença de dinheiro entre o que um clube na divisão de cima recebe em relação ao time da divisão de baixo, mas e se os rebaixados ganhassem um bônus para ajudar na transição? Legal, né? É, só que prejudica os outros clubes que já estão na segundona e não recebem essa ajuda. É essa a discussão na Inglaterra, onde foi determinado um aumento na ajuda que os clubes rebaixados da Premier League recebem. E isso tem gerado reclamações. Justificadas, aliás.

A decisão que a Premier League tomou nesta semana, junto com a Football League (que cuida das três divisões abaixo da Premier League) foi que os clubes rebaixados da divisão principal receberão £ 60 milhões ao longo de quatro anos. São os chamados “pagamentos de paraquedas”, para evitar que os times caiam vertiginosamente. A ideia parece boa, uma forma de dar aos clubes que caem mais condições de manterem seus elencos e pagarem suas contas. O problema é: mas e os outros times, que não foram rebaixados e estão lá na segunda divisão?

Os clubes da Premier League aceitaram o pagamento do valor de £ 60 milhões, divididos em £ 15 milhões no primeiro ano, £ 17 milhões no segundo ano e mais dois pagamentos de £ 8 milhões nos dois anos seguintes. Os clubes da Premier League aceitaram, mas os 24 da Championship, a segunda divisão, ainda não. Em reunião na semana passada, os clubes ainda não chegaram a um consenso sobre o assunto. E o questionamento é totalmente compreensível.

Uma das críticas é que esse pagamento seria um prêmio ao fracasso. O técnico do Rochdale, Keith Hill, criticou exatamente isso. “Eu nunca foi premiado por fazer algo errado ou por ser rebaixado”, afirmou o técnico à rádio BBC Sheffield. “Os clubes que são rebaixados ganham prêmios financeiros, como isso faz sentido?”, questiona.

Parece claro que a medida facilita que os clubes que caiam da Premier League voltem a ela, já que dão mais dinheiro a esses times do que aos que já estavam na segund divisão. Em um momento que a Premier League cria o Fair Play Financeiro dentro da sua própria liga, a medida não parece ser um modo de “Fair Play” com os times da segunda divisão. Ainda que a intenção seja boa.

No Brasil, algo parecido

Essa medida pode parecer absurda – e é bom lembrar que ela já acontecia antes, o que se discute é um aumento do valor -, mas o Brasil faz algo parecido. Aqui, os clubes rebaixados da Série A continuam recebendo o valor integral da cota de TV como se ainda estivesse na primeira divisão por uma temporada. Se o clube não conseguir voltar, o valor é ajustado para um clube de segunda divisão.

Significa, por exemplo, que o Palmeiras, rebaixado para a Série B em 2012, receberá em 2013 o mesmo valor que recebeu no ano do seu rebaixamento. Se o time conseguir voltar à Série A, como é esperado, o time seguirá com o mesmo valor do contrato de TV. Caso o time siga na Série B, o valor será ajustado e, claro, irá cair.

A medida beneficia exatamente times grandes, como o Palmeiras, o Corinthians, o Grêmio, o Atlético, o Vasco e todos os times grandes. Afinal, continuam recebendo um grande valor de direitos de TV, muito maior que seus concorrentes na Série B, e a chance de voltar é grande.

Será que isso é justo com os times que estão na segunda divisão? Ou uma temporada é tempo suficiente e o problema é querer dar quatro anos de suporte, como na Inglaterra? Ainda que os dois modelos sejam questionáveis, o inglês parece ainda mais injusto.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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