Inglaterra

Rangnick identificou problemas do United em duas semanas, mas indica que não tinha “a opção de mudá-los”

O austríaco terminou a última temporada interinamente antes de assumir a seleção nacional do seu país

Ralf Rangnick disse que não demorou muito para entender os problemas do Manchester United quando assumiu o comando técnico interinamente após a demissão de Ole Gunnar Solskjaer, mas indicou que não havia muito espaço para fazer mudanças. Contratado em novembro, Rangnick conduziu a pior campanha dos Red Devils na história da Premier League em termos de pontuação – 58 -, sendo goleado pelo Brighton por 4 a 0 na penúltima rodada da temporada.

A ideia do Manchester United era contratar Rangnick para começar a colocar a casa em ordem antes de trazer um novo técnico, que acabou sendo Erik ten Hag, mas os resultados e o desempenho até pioraram em relação ao trabalho de Solskjaer. Rangnick continuaria em um papel de consultor com contrato de dois anos, mas deixou Old Trafford de vez, pouco depois de aceitar ser técnico da seleção austríaca.

“Como treinador ou diretor esportivo, trata-se de ser capaz de desenvolver as coisas e minimizar o fator chance o máximo possível”, afirmou, em uma entrevista conjunta aos sites Standard, DiePresse e laola1.at. “Que você desenvolva um time em uma direção, usando o controle do jogo e um certo tipo de futebol para criar significativamente mais chances do que você permite que o adversário tenha”.

“Não levaria seis meses para o Manchester United fazer isso. Depois de apenas duas semanas, ficou claro para mim onde estavam os problemas e o que teria que ser feito para corrigi-los, mas a questão é se você tem a opção de mudar essas coisas”, acrescentou, sem entrar em mais detalhes.

Fora da Copa do Mundo pela sexta vez consecutiva, a Áustria recorreu a Rangnick para substituir Franco Foda. O veterano treinador estreou em junho, com quatro jogos da Liga das Nações. Conseguiu uma grande vitória fora de casa contra a Croácia e arrancou um empate com a França, mas perdeu duas vezes para a Dinamarca e tem chances mínimas de chegar às semifinais da Liga das Nações.

De qualquer maneira, ele acredita que a Áustria conta com uma boa geração, mas se será histórica depende do tempo e dos resultados. “Uma geração de ouro é aquela que também desempenha um papel em grandes torneios. Na Bélgica, fala-se de uma geração de ouro há dez anos e eles ainda não ganharam nada. Há partes da seleção em que a Áustria tem um número de jogadores acima da média. Temos bons jogadores suficientes entre zagueiros e também vejo jogadores de calibre internacional no meio-campo. Mas também há posições como laterais nas quais não temos tantos jogadores”, explicou.

Ele destacou especificamente o meia Konrad Laimer, com o qual trabalhou de perto quando foi técnico do RB Leipzig, como o melhor ladrão de bolas do mundo. “Eu até o vejo na frente de N’Golo Kanté neste momento, mas ele é um meia central, um camisa oito (segundo volante). Não o vejo tanto como um seis (primeiro volante), mas como um jogador que aumenta o valor de quando você tem esses momentos de transição”, disse.

Essa é a primeira experiência de Rangnick, um histórico treinador do futebol alemão que influenciou muitos nomes da nova geração, como técnico de uma seleção nacional. “Estou muito feliz por ter tempo para outras coisas, o que não significa que o trabalho é negligenciado. Temos uma troca regular e usamos o temo para assistir aos jogos – no estádio ou em vídeo. Mas claro que é diferente quando você, como treinador ou diretor esportivo, treina todos os dias ou, como agora, no final do período de transferências. Digo honestamente que essas são coisas das quais eu não sinto falta no momento”, encerrou.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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