Inglaterra

Quem vai decidir pelos Citizens?

É conhecida por todos a tese de que “a Premier League é diferente”. Este é o motivo pelo qual muitos jogadores que lá chegam não se adaptam, ou demoram a se adaptar. E é também a razão para os clubes ingleses gastarem tanto dinheiro com jogadores que já atuam em suas ligas, o que diminui o risco de fracasso. É claro que toda liga “é diferente”, mas na Inglaterra o índice de não adaptação parece de fato ser maior do que o dos outros grandes campeonatos.

Roberto Mancini não está em sua segunda temporada no comando do Man City, mas esta é a segunda em que ele começa no comando. E, se terminou o ano passado em uma forma muito próxima da que os donos da equipe sempre desejaram, a maneira como começou a atual certamente é de entusiasmar o mais indiferente xeque: quatro vitórias em quatro jogos, quinze gols marcados, apenas três sofridos.

Há, é claro, muitas explicações, mas, em dois casos, a “segunda temporada”se faz claramente presente: enquanto Edin Dzeko é o goleador da Premier League até aqui, David Silva é claramente o maestro do City. Por outro lado, é em um jogador que chegou há semanas, mas parece vestir a camisa azul há décadas, que devem repousar as principais esperanças dos Citizens: Sergio Aguero.

Não se pode dizer que Aguero seja uma novidade no cenário futebolístico mundial. Assim como Fernando Torres antes dele, porém, o fato de jogar em um time com vocação de perdedor perene sempre impediu que o genro de Maradona fosse colocado ao lado dos grandes jogadores do futebol mundial. Enquanto Carlitos Tevez por exemplo, um jogador muito pior do que ele, arrebentava dos dois lados de Manchester, seu compatriota fazia miséria no lado pobre de Madrid – mas o máximo que atingia era um título de Copa Uefa.

Aguero estreou no City com gol e assistências na goleada diante do Tottenham. No jogo seguinte, contra o Bolton e Bolton, acabou substituído no meio do segundo tempo sem deixar sua marca. E em sua terceira partida deixou dois gols, depois de entrar aos 15 do segundo tempo. A comparação com Tevez, que perdeu um pênalti no mesmo jogo, é inevitável. O compatriota era, até o ano passado, o motor do time, o cara que resolvia. O que se espera é que Aguero posa fazer o mesmo, e ampliar isso.

Sergio Aguero é, em teoria, muito mais jogador do que Carlos Tevez. Mais habilidoso, mais versátil, pode jogar como segundo atacante ou até vindo do meio. Carlitos, entretanto, durante toda sua carreira se destacou mais do que muitos jogadores melhores do que ele por sua obstinação. Não há quem o derrube, poucos podem marcá-lo e isso não depende de seu repertório de truques, que é limitado. Aguero, até aqui, não teve que mostrar o mesmo. No Atleti, chegou onde o clube poderia chegar.  Na Argentina, não é dele que se esperam as coisas, mas sim de Messi. No City, entretanto, além de ser o “craque do time”, terá um time a apoiá-lo de qualidade inquestionável. Terá, portanto, que ser o craque que parece ser em todos os jogos, a cada semana.

Contra o Tottenham, o City pegou um time completamente aberto, sem nenhum volante. Contra o Swansea, uma equipe ainda sem ritmo de Premier League, com largas probabilidades de acabar a liga em último lugar, e em casa. Contra o Bolton, time que perdeu de 5 a 0 do United em casa, o City não foi tão prolífico – e Aguero não marcou. O que deixa claro um enorme sinal de alerta contra a empolgação diante do bomm início dos Citizens.

No ano passado, o Chelsea começou o campeonato como se fosse um “Dream Team”. A tabela, entretanto, ajudou, e, quando deixou de ajudar, o time afundou. O elenco do City é muito mais sortido do que o dos Blues londrinos, mais jovem, mas, por outro lado, não está tão acostumado aos primeiros lugares. Naturalmente, deve sofrer uma queda em algum momento.

É nesta hora que os grandes jogadores terão que aparecer. A conferir se serão os da segunda temporada ou o que acabou de chegar. Ou se, como vem acontecendo há tempos, no final quem vai ter que limpar a cara de todos será o bom e velho Carlitos Tevez.

CURTAS

– Quem aprontou no final de semana, confirmando as expectativas, foi o Stoke, que bateu o Liverpool por 1 a 0 em casa.

– Não é novidade para ninguém que acompanha o campeonato: vai ser muito difícil ganhar pontos no Britannia, e mais ainda depois dos reforços que os Potters trouxeram no último dia da janela.

– E Arsenal e Tottenham finalmente ganharam.

– Os Gunners, que só colocaram um de seus “reforços”em campo desde o começo, Arteta, conseguiram um magro 1 a 0 diante do favorito a cair, Swansea.

– Os Spurs, por sua vez, contaram com expressiva contribuição de Scott Parker e Emmanuel Adebayor para superarem os Wolves – que até então não haviam perdido – na casa do adversário.

– E a notícia surpreendente da semana foi o empréstimo de Asamoah Gyan ao Al-Ain.

– O Sunderland, que sofreu na temporada passada qando perdeu Bent no final do ano, nesta temporada parece ter abdicado desde já de qualquer pretensão. Ou alguém acha que Bendtner vai resolver os problemas do ataque do time?

– (Se você pensou que Arsène Wenger já acreditou nisso ganha crédito: é verdade.)

– Na semana que vem volto a dar notícias das divisões inferiores. Por enquanto, o que vale menção é o surpreendente Brighton, liderando o Championship com 5 vitórias e um empate em seis jogos.

– O Southampton é o segundo, seguido por Middlesbrough, West Ham, Derby e Cardiff.

– Na League One quem lidera são os favoritos Sheffield Wednesday e Charlton.

– E na League Two a notícia é o 9o AFC Wimbledon que, depois de começar com derrota em casa se recuperou e já indica ter fôlego para, pelo menos, se segurar na Football League.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo