Inglaterra

Quem se deu bem e quem não se deu tão bem assim na janela de inverno da Premier League

Um balanço dos principais negócios de janeiro na liga mais rica do mundo

A janela de transferências fechou nas principais ligas da Europa. Quem não contratou terá que se virar com o que tem, o que foi o caso de muitos clubes da Premier League. Não é o mercado mais convidativo para quem se planeja bem, a menos que pintem oportunidades. É o mercado para os desesperados e para os imprevistos – como seu capitão ser afastado por problemas disciplinares. Pode ser relevante para a segunda metade da temporada, e por isso analisamos quais clubes ingleses se deram bem em janeiro. E quais nem tanto assim.

Quem se deu bem

Começando pelo mais óbvio. O Newcastle precisava se dar bem para aumentar as suas chances de ficar na Premier League, sem adiar por uma temporada os planos megalomaníacos dos novos donos. Não era uma situação fácil. Além de ser um mercado mais difícil, qualquer diretor de futebol mais ou menos esperto conseguiria sentir o cheiro do desespero a quilômetros de distância. Essa combinação geralmente gera compras inflacionadas que não necessariamente farão parte dos próximos times que a nova potência financeira da Inglaterra deseja montar.

Vale um paralelo com o Manchester City. Comprado pelos Emirados Árabes no fim da janela de transferências do verão europeu em 2008, deu tempo apenas de contratar Robinho, um sinal de intenção que os novos donos exigiram. Em dezembro, chegou a ocupar a zona de rebaixamento e precisou se mexer em janeiro. O grosso foi jogador com experiência de Premier League, nomes como Craig Bellamy, Wayne Bridge e Shay Given que ajudaram a levá-lo ao meio da tabela.

O Newcastle atirou para todos os lados e acabou acertando no mesmo alvo. Montou quase uma linha de defesa inteira, com Kieran Trippier, lateral direito da seleção inglesa, Matt Targett, ex-Southampton e Aston Villa, e Dan Burn, do Brighton, um dos melhores zagueiros da sessão menos chique da tabela. Para cobrir a lesão de Callum Wilson, fora por mais um mês, veio outro competente artilheiro da liga. Como Wilson, Chris Wood também tem média de aproximadamente um gol a cada três rodadas.

Nem tudo foram flores. O interesse por Diego Carlos, do Sevilla, não se materializou. Nem a tentativa por Hugo Ekitike, uma promessa para o futuro. O Newcastle também tentou Jesse Lingard, que trocou o Manchester United pelo West Ham na metade da última temporada e deu uma injeção de energia nos Hammers. Mas o United fez jogo duro dessa vez ao exigir uma alta taxa de empréstimo e um bônus caso o Newcastle permaneça na primeira divisão. Muita coisa por seis meses de um jogador que ficará sem contrato em alguns meses.

Bruno Guimarães, ainda com 24 anos e muito potencial, foi a contratação que tem mais chances de ser um dos pilares de um time de Champions League do Newcastle, ao lado de Trippier. Esse foi um ótimo negócio que vale a pena fazer em qualquer momento.

O Aston Villa trocou de técnico no meio da temporada e se esforçou para atender pedidos de Steven Gerrard. O maior nome foi Philippe Coutinho, emprestado pelo Barcelona para tentar reabilitar o seu valor de mercado – ou o seu futebol, o que acontecer primeiro. Começou direitinho. O grande pulo do gato foi aproveitar os problemas internos do Everton para arrebatar Lucas Digne por um bom valor. Uma semana depois, com Rafa Benítez demitido, o bom lateral francês talvez não estivesse disponível. Robin Olsen chegou para ser o reserva de Emiliano Martínez, e Calum Chambers amplia as opções na defesa.

Coutinho comemora com Chukwuemeka depois do seu gol (Clive Mason/Getty Images)

Apesar de ter perdido Digne, o Everton ficou mais forte. O ucraniano Vitaliy Mykolenko repõe a lateral esquerda, e o jovem Nathan Patterson, ex-Rangers, tentará revitalizar a lateral direita, ainda ocupada por Seamus Coleman na maioria das partidas. Junto com o anúncio de Frank Lampard vieram dois meias talentosos que precisam se reabilitar. Donny van de Beek teve muito pouca sequência no Manchester United. Vale acompanhar o que pode fazer em um ambiente em que recebe mais confiança. A decadência de Dele Alli parece mais profunda, mas já foi um um dos jovens mais promissores da Inglaterra.

Com Mohamed Salah e Sadio Mané aproximando-se da última temporada de seus contratos, e dos 30 anos, o Liverpool precisa começar a pensar em alternativas, nem que seja para ter mais poder de barganha nas negociações. É raro fazer grandes negócios em janeiro. A expectativa era que começasse uma renovação mais profunda do elenco no meio do ano. Mas diante do forte interesse do Tottenham, não poderia perder a chance de arrebatar Luis Díaz.

O colombiano chega a Anfield em idade similar a Salah e Mané, anos atrás, após meses excepcionais pelo Porto, nos quais marcou 14 gols em 18 rodadas do Campeonato Português como um atacante que sai da esquerda e solta chutes poderosos. Amplia as opções de Jürgen Klopp já nesta temporada. Se tudo correr bem, e ele for mais um jogador que cresce de rendimento sob os comandos do alemão, pode até ser um pilar de um futuro ataque do Liverpool.

Luis Díaz é apresentado pelo Liverpool

Quem não se deu tão bem

O Arsenal se deu meio mal. A busca por um atacante para o lugar de Pierre-Emerick Aubameyang não foi bem sucedida. Dusan Vlahovic preferiu a Juventus, o Everton nunca venderia Dominic Calvert-Lewin para um time da mesma divisão, a menos que a proposta fosse obscena, e Alexander Isak também era caro. Mikel Arteta ficou com apenas Alexandre Lacazette e Eddie Nketiah, ambos entrando nos meses finais de seus contratos, como opções para o comando de ataque. Simbolicamente, no mesmo mês em que o Arsenal conseguiu fazer apenas um gol em cinco jogos.

Pela porta de saída, foram jogadores como Calum Chambers, Pablo Marí, Maitland-Niles e Sead Kolasinac. Nenhum estava tendo muito tempo em campo nesta temporada, e não devem fazer tanta falta. Em uma emergência, porém, as opções ficaram menores. O que também pode se aplicar ao Tottenham. Antonio Conte cobrou reforços para aumentar o seu elenco e, no fim, ficou com menos jogadores à disposição – e não necessariamente ganhou em qualidade.

Ndombélé retorna ao Lyon

Saíram Tanguy Ndombélé, de volta por empréstimo ao Lyon. Bryan Gil e Giovanni Lo Celso retornaram à Espanha e Dele Alli saiu de vez ao Everton por uma taxa de transferência que depende totalmente de desempenho (£ 10 milhões estão praticamente garantidos). No outro lado, vieram Dejan Kulusevski e Rodrigo Bentancur. Podem ser interessantes, mas não são jogadores prontos. Precisam se adaptar, se desenvolver, recuperar seus melhores dias. Luis Díaz está em um momento em que parece mais provável dar um impulso imediato. De um jeito ou de outro, fica difícil imaginar que Conte tenha ficado satisfeito.

Por fim, não que vá prejudicar profundamente a temporada do Manchester City, mas a saída de Ferrán Torres ao Barcelona tirou uma opção da mesa para Pep Guardiola. O espanhol estava machucado e não jogava pela Premier League desde setembro, mas já voltou à ação pelo Barcelona. Poderia ajudar. Julian Álvarez foi contratado do River Plate, mas chegará apenas para a próxima temporada – quando o City provavelmente terá gastado muito dinheiro para contratar outro centroavante titular.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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