Quem ganhou, quem perdeu

Arsenal com Arshavin, Tottenham com Keane, Manchester City com Bellamy e Given, Chelsea com Quaresma… O mercado de inverno da Inglaterra foi mais agitado que o normal. Veja quem se deu bem (ou não):
Arsenal
Chegou: Andrey Arshavin (A/Zenit-RUS)
Saíram: Jay Simpson (A/West Brom) e Gavin Hoyte (D/Watford)
Gasto: £ 12 milhões
Ficou praticamente parado no Mercado, só pensando em trazer Arshavin (um sonho de consumo desde o meio de 2008). Depois de muita confusão, os Gunners confirmaram a contratação do russo e podem dar um salto de desempenho. Do ponto de vista técnico, o meia encaixa bem no time londrino, que precisa de um jogador mais decisivo na armação desde que Fàbregas se contundiu. Além disso, o fato de o clube ter feito um grande investimento animou a torcida e o próprio elenco, que já estavam desconfortáveis do fundamentalismo de Arsène Wenger, que preferia apostar em garotos de potencial a contratar algum jogador consagrado.
Aston Villa
Chegaram: Arsenio Halfhuid (D/Excelsior Rotterdam-HOL) e Emile Heskey (A/Wigan)
Saiu: Wayne Routledge (M/Queen’s Park Rangers)
Gasto: £ 3,65 milhões
Em um time que está tão “redondo”, mexer demais na base é uma atitude perigosa. Tanto que a diretoria do Aston Villa preferiu mexer pouco no elenco. De qualquer modo, o clube soube ir direto ao ponto na única contratação importante. Heskey não é um artilheiro nato, mas faz muito bem no papel de pivô, o que pode ser muito útil para quem tem Ashley Young vindo de trás. Além disso, Martin O’Neill já trabalhou com Heskey no Leicester, quando ambos se lançaram no cenário inglês.
Blackburn
Chegaram: Gunnar Nielsen (G/Motherwell-ESC), Nick Blackman (A/Macclesfield Town), Gaël Givet (D/Olympique de Marselha-FRA) e El-Hadji Diouf (A/Sunderland)
Saíram: Robbie Fowler (A/sem clube), Sergio Peter (M/Sparta Praga-TCH) e Matt Derbyshire (A/Olympiacos-GRE)
Gasto: £ 2,5 milhões
Atuação discreta demais para um clube que está bastante ameaçado pelo rebaixamento. Givet é um nome interessante para a defesa, mas o frágil meio-campo não recebeu reforço algum, enquanto que o ataque terá a presença de Diouf, um atacante famoso por não fazer gols. Menos mal que Roque Santa Cruz ficou, e parece que o objetivo da diretoria e de Sam Alladyce no mercado era apenas esse.
Bolton
Chegaram: Sébastien Puygrenier (D/Zenit-RUS), Ariza Makukula (A/Benfica-POR) e Mark Davies (M/Wolverhampton)
Saíram: Heidar Helguson (A/Queen’s Park Rangers) e Kevin Nolan (M/Newcastle)
Gasto: £ 1,5 milhões
O Bolton parece não ter saído muito do lugar. Makukula e Puygrenier ainda não mostraram ser jogadores de pontas, mas não chegam a ser completamente descartáveis. Davies vinha fazendo uma boa temporada na Segundona inglesa. No entanto, o clube perdeu seu capitão, Nolan. Na média, os Wanderers devem ficar onde estão: no pelotão intermediário.
Chelsea
Chegaram: Michael Mancienne (D/Wolverhampton), Jack Cork (D/Southampton), Ben Sahar (A/Portsmouth), Gökhan Töre (M/Bayer Leverkusen-ALE) e Ricardo Quaresma (M/Internazionale-ITA)
Saíram: Wayne Bridge (D/Manchester City), Jack Cork (D/Watford), Ben Sahar (A/De Graafschap-HOL), Scott Sinclair (A/Birmingham City), Carlo Cudicini (G/Tottenham) e Sergio Tejera (M/Mallorca-ESP)
Gasto: £ 500 mil
O Chelsea de 2008/09 sofre com a falta de opções em algumas posições, como o ataque, a lateral direita e o setor de marcação no meio-campo. Mancienne, revelado nas categorias de base dos Blues e emprestado ao Wolverhampton, voltou e pode ajudar na lateral. No entanto, os reforços não ajudam muito as carências da equipe. Quaresma veio mais como barganha de mercado do que pela real necessidade de um meia de armação. De qualquer modo, não houve o desmanche que alguns imaginaram para o meio de temporada. Até Drogba, que dá evidências de que quer sair, ficou.
Everton
Chegou: Jô (A/Manchester City)
Saiu: Lee Molyneaux (D/Southampton)
Gasto: nenhum
Os Toffees precisavam desesperadamente de um atacante “fazedor de gols”, mas não tinham dinheiro para investir. Jô foi uma boa contratação do ponto de vista financeiro, pois chegou por empréstimo sem custo. No entanto, há sérias dúvidas se o ex-corintiano é a real solução para os problemas ofensivos do Everton.
Fulham
Chegaram: Hameur Bouazza (M/Charlton), Elliot Omozusi (D/Norwich City), Giles Barnes (M/Derby County), Olivier Dacourt (M/Internazionale-ITA) e Julian Gray (M/Crystal Palace)
Saíram: Hameur Bouazza (M/Birmingham City), Lee Cook (M/Queen’s Park Rangers), Gabriel Zakuani (D/Peterborough United), Seol Ki-Hyeon (M/Al-Hilal-ARS), Jimmy Bullard (M/Hull City), Leon Andreasen (D/Hannover-ALE), Andranik Teymourian (M/Barnsley) e Adrian Leijer (D/Norwich)
Gasto: nenhum
Considerando que o clube só trouxe jogadores por empréstimo – ou seja, sem gastar nada –, até que o mercado dos Cottagers não foi dos piores. Bullard saiu por exigência contratual, mas os demais jogadores cedidos não estavam com tanto espaço em Craven Cottage. O importante é que a base que faz uma boa temporada foi mantida.
Hull City
Chegaram: Kamil Zayatte (D/Young Boys-SUI), Kevin Kilbane (M/Wigan), Manucho (A/Manchester United), Jimmy Bullard (M/Fulham) e Steven Mouyokolo (D/Boulogne-FRA)
Saíram: Marlon King (A/Wigan), Dean Windass (A/Oldham Athletic), Stelios Giannakopoulos (M/Larissa-GRE) e Steven Mouyokolo (D/Boulogne-FRA)
Gasto: £ 8 milhões
Um dos clubes que, dentro de suas limitações financeiras, teve um bom mês de mercado. O objetivo real do Hull City era dar um fôlego novo pra o time, o suficiente para não entrar em má fase e acabar entrando na briga contra o rebaixamento. Com Bullard, Kilbane e Manucho, talvez dê para fazer um final de temporada tranquilo.
Liverpool
Chegou: Adam Hammill (M/Blackpool)
Saíram: Marvin Pourie (A/Schalke 04-ALE), Jermaine Pennant (M/Portsmouth), Jordy Brouwer (A/RKC-HOL), Péter Gulácsi (G/Hereford United), Adam Hammill (M/Barnsley) e Robbie Keane (A/Tottenham)
Gasto: nenhum
Foi difícil de entender a estratégia de mercado do Liverpool. O elenco claramente precisava de um bom atacante, alguém que ficasse como opção para o caso de Fernando Torres e Robbie Keane estarem indisponíveis ou de ambos formarem uma dupla titular. Mas os Reds venderam Keane – que não foi bem em Anfield, mas não foi um completo fracasso – e não trouxeram ninguém. O time continua bastante sólido do meio-campo para trás, mas criou uma carência no ataque.
Manchester City
Chegaram: Wayne Bridge (D/Chelsea), Nigel de Jong (M/Hamburg-ALE), Craig Bellamy (A/West Ham) e Shay Given (G/Newcastle)
Saíram: Nery Castillo (A/Shakhtar Donetsk), Javan Vidal (D/Aberdeen), Tal Ben Haim (D/Sunderland) e Jô (A/Everton)
Gasto: £ 47 milhões
Ninguém gastou tanto em janeiro quanto o Manchester City. A atitude já era esperada, pois os atuais donos do clube não tiveram oportunidade de gastar o quanto queriam no verão europeu. Para a sorte dos torcedores azuis, Kaká não aceitou a oferta surreal dos mancunianos e ficou no Milan, deixando da família Al Nahyan com dinheiro na mão para fazer o que deveria: dar mais solidez ao elenco. Given, Bridge e De Jong chegam para ocupar posições em que claramente os Citizens estavam com problemas. Bellamy também é um bom nome por sua experiência (o ataque do City é muito imaturo), ainda que o time precisasse mesmo é de um artilheiro por vocação.
Manchester United
Chegaram: Febian Brandy (A/Swansea City), Zoran Tosic (M/Partizan-SER), Adem Ljalic (M/Partizan-SER) e Ritchie de Laet (D/Stoke City)
Saíram: David Gray (D/Plymouth), Adem Ljalic (M/Partizan-SER), Manucho (A/Hull City) e James Chester (D/Peterborough)
Gasto: £ 17,3 milhões
Não há muito o que comentar. O elenco já é forte o suficiente para não precisar de muitos reforços para o final de temporada. No máximo, algum zagueiro experiente para o banco. Alex Ferguson fez o prometido: só foi buscar garotos promissores, pensando mais nas próximas temporadas do que na atual. A única coisa que preocupa é o não-acerto com Tevez, o que pode trazer problemas no verão europeu.
Middlesbrough
Chegou: Marlon King (A/Wigan)
Saíram: Ahmed Mido (A/Wigan), Tom Craddock (A/Luton) e Rhys Williams (D/Burnley)
Gasto: nenhum
O clube aprece viver em um clima melancólico. Em acentuada decadência no campeonato e sem dinheiro para reforços, o técnico Gareth Southgate se preocupou mais em manter Stewart Downing e Tuncay Sanli para não enfraquecer ainda mais o time. O Boro precisa reencontrar o futebol competitivo do começo da temporada para se salvar do rebaixamento. Será que dá?
Newcastle
Chegaram: Peter Lövenkrands (A/sem clube), Kevin Nolan (M/Bolton) e Ryan Taylor (D/Wigan)
Saíram: Charles N’Zogbia (M/Wigan) e Shay Given (G/Manchester City)
Gasto: £ 5,5 milhões
Um mercado discreto para os padrões extravagantes do Newcastle. Se o objetivo for – e deveria ser – apenas escapar do rebaixamento, a chegada de um jogador útil como Lövenkrands é interessante. Mas a saída de Given pode deixar um buraco na defesa dos Magpies.
Portsmouth
Chegaram: Linvoy Primus (D/Charlton), Martin Cranie (D/Charlton), Nadir Belhadj (D/Lens-FRA), Jermaine Pennant (M/Liverpool), Pelé (M/Porto), Hayden Mullins (M/West Ham), Theofanis Gekas (A/Bayer Leverkusen-ALE) e Angelos Basinas (M/AEK-GRE)
Saíram: Ben Sahar (A/Chelsea), Lassana Diarra (M/Real Madrid-ESP), Jean-François Christophe (M/Southend United), Jermain Defoe (A/Tottenham) e Khaleem Hyland (M/Zulte Waregem-BEL)
Gasto: £ 7,6 milhões
O mês de janeiro foi bastante lucrative para o Pompey. O clube arrecadou £ 35 milhões com venda de jogadores – sobretudo Lassana Diarra e Defoe – e teve fôlego para algumas contratações. Basinas, Pennant e Gekas não são jogadores fantásticos, mas podem ajudar a tirar o time da zona de perigo de rebaixamento. O problema do Portsmouth continua sendo muito mais de planejamento e ambiente do que de capacidade técnica do elenco.
Stoke City
Chegaram: Matthew Etherington (M/West Ham), James Beattie (A/Sheffield United), Henri Camara (A/Wigan) e Stephen Kelly (D/Birmingham City)
Saíram: Ritchie de Laet (D/Manchester United)
Gasto: £ 6,5 milhões
Com as chegadas de Camara e Beattie, o Stoke passa a ter jogadores minimamente decentes no ataque. Continua sendo uma equipe tecnicamente fraca, mas, se aumentar um pouco a produção ofensiva, pode até se salvar do rebaixamento.
Sunderland
Chegaram: Tal Ben Haim (D/Manchester City) e Calum Davenport (D/West Ham)
Saíram: Roy O’Donovan (A/Blackpool), Liam Miller (M/Queen’s Park Rangers), Pascal Chimbonda (D/Tottenham), El-Hadji Diouf (A/Blackburn) e Michael Chopra (A/Cardiff City)
Gasto: nenhum
Precisava reforçar a defesa e fez isso. Além disso, deixou sair dois jogadores relativamente caros que não vinham produzindo tanto: Chimbonda e Diouf. Mesmo assim, os Black Cats continuam tendo um elenco apenas mediano que já se dá por feliz por dar a sensação de que vai ficar pelo menos mais um ano na elite.
Tottenham
Chegaram: Tomas Pekhart (A/Southampton), Jermain Defoe (A/Portsmouth), Wilson Palacios (M/Wigan), Carlo Cudicini (G/Chelsea), Pascal Chimbonda (D/Sunderland) e Robbie Keane (A/Liverpool)
Saíram: Paul Stalteri (D/Borussia Mönchengladbach-ALE), Kevin-Price Boateng (M/Borussia Dortmund-ALE), César Sánchez (G/Valencia-ESP), Hossam Ghaly (M/Al-Nassr-ARS), Dorian Dervite (D/Southend United) e Tomas Pekhart (A/Slavia Praga)
Gasto: £ 48 milhões
É inegável que os Spurs reforçaram seu elenco. Defoe e Robbie Keane formam um ataque de respeito, enquanto que Cudicini vai passar um pouco mais de segurança à defesa do que Gomes. No entanto, é muito gasto para um clube que claramente não vai chegar a lugar algum nesta temporada.
West Bromwich Albion
Chegaram: Jay Simpson (A/Arsenal), Marc-Antoine Fortuné (A/Nancy-FRA), Youssouf Mulumbu (M/Paris Saint-Germain-FRA) e Juan Carlos Menseguez (M/San Lorenzo)
Saíram: Tininho (D/Belenenses-POR), Bartosz ?lusarski (A/Kraków-POL) e Sherjill McDonald (A/Roeselare-HOL)
Gasto: nenhum
O clube parece aceitar a realidade: ser rebaixamento dignamente não seria o fim do mundo. O elenco era fraco e a diretoria não fez muitos esforços para mudar o cenário. Como a situação econômica do West Brom não é das melhores, dá para entender.
West Ham
Chegaram: Savio Nsereko (A/Brescia-ITA) e Radoslav Kovac (D/Spartak Moscou-RUS)
Saíram: Matthew Etherington (M/Stoke City), Lee Bowyer (M/Birmingham City), Kyel Reid (M/Wolverhampton), Craig Bellamy (A/Manchester City), Nigel Quashie (M/Wolverhampton), Hayden Mullins (M/Portsmouth), Julien Faubert (M/Real Madrid-ESP) e Calum Davenport (D/Sunderland)
Gasto: £ 5,5 milhões
A diretoria já havia anunciado que o clube não tinha dinheiro e só contrataria se arrecadasse algo com a venda de jogadores. Isso se confirmou. Os Hammers venderam vários jogadores e fizeram apenas uma contratação de peso, o atacante Nsereko. Se mantiver as contas sanadas e não cair vertiginosamente, o time escapa do rebaixamento e pode pensar em ter um ano melhor em 2009/10.
Wigan
Chegaram: Marlon King (A/Hull City), Maynor Figueroa (D/Olimpia-HON), Richard Kingson (G/sem clube), Ahmed Mido (A/Middlesbrough), Ben Watson (M/Crystal Palace), Hugo Rodallega (A/Necaxa) e Charles N’Zogbia (M/Newcastle)
Saíram: Lewis Montrose (D/Cheltenham United), Kevin Kilbane (M/Hull City), Wilson Palacios (M/Tottenham), Marlon King (A/Middlesbrough), Emile Heskey (A/Aston Villa), Ryan Taylor (D/Newcastle) e Henri Camara (A/ Stoke City)
Gasto: £ 12,5 milhões
Com a saída de Heskey, o clube precisava de outro atacante de referência. O polêmico colombiano Rodallega chegou para essa função, mas há muitas dúvidas se conseguirá. De qualquer modo, o clube fez um bom dinheiro com as vendas de Palacios e pôde investir em reforços que podem manter os Latics mais um ano na elite.



