Inglaterra

Quebrou

 O Portsmouth começou a temporada 2009/10 sob a maior incerteza que um clube pode ter: não se sabia quem era seu dono, e, com isso, se seu técnico seria mesmo mantido, se alguém seria comprado, alguém mais vendido… Com isso, não foram poucos os analistas a apontar a equipe como favorita ao rebaixamento.

Em 26 de agosto, com a temporada iniciada, portanto, Sulaiman al Fahim finalmente completou a aquisição do clube. Havia ainda tempo para completar o elenco, mas isso não foi feito. Até porque Al Fahim, tudo indica não tinha dinheiro para isso. E acabou passando o Pompey para a frente poucas semanas depois. Desde então, o Portsmouth já mudou de mãos novamente, chegando a cinco donos desde agosto. Paul Hart, que era o técnico, foi substituído por Avram Grant, alguns jogadores chegaram, mas a incerteza parece apenas crescer.

No fim de semana que passou, com dois gols de Frederic Picquione, o Pompey bateu o Birmingham City, que ocupa surpreendente nona colocação na Premier League, chegou à semifinal da FA Cup, contra Tottenham ou Fulham – e não contra o Chelsea, o que já é alguma coisa. No Inglês, entretanto, é o lanterna, com cinco pontos – e um jogo – a menos que o último que não cairia hoje. Com a perda de nove pontos decorrente da falência decretada, o rebaixamento, que provavelmente viria de qualquer forma, é certo.

Se é verdade que o ano começou mal, e que as coisas não iam bem desde a saída de Harry Redknapp, a situação financeira do Portsmouth não parecia calamitosa como agora se apresenta. A maneira como o clube foi sendo passado de mão em mão, sem que se soubesse se a mão da vez tinha dinheiro e o que queria com o time, é exemplar de como a Premier League é hoje refém do dinheiro graúdo, e, por causa disso, está sendo obrigada a fechar os olhos para a sua origem.

O dilema é gigantesco, e se refere à sustentabilidade do modelo econômico do futebol inglês. Ao contrário, por exemplo, do Leeds, o Portsmouth não embarcou em uma louca temporada de contratações para fazer frente a uma Liga dos Campeões. Mesmo assim, o clube está em frangalhos, e há quem aponte que, pela enormidade da dívida que se criou e com as acanhadas dimensões do estádio, que não permite que o faturamento seja muito alto, a situação seja irreversível.

O pior dos mundos, aliás, não é a falência. O governo britânico ainda não aceitou a “quebra” do clube, e, dependendo da situação que encontrar, pode simplesmente extinguir o Portsmouth. Os torcedores, agrupados no Portsmouth Supporters Trust, se organizam considerando todas as situações, inclusive aquela em que o Pompey deixa de existir, perde o Fratton Park – seu estádio desde 1898 – e passa a dividir o estádio com o Havant & Waterlooville, da sexta divisão.

Em 2010 é o Portsmouth. Duas ou três más campanhas, porém, podem fazer com que seja o Liverpool. O liberalismo financeiro com que é dirigido o futebol inglês está criando uma situação que, em pouco tempo, será irreversível. Ainda que o dinheiro não flua da mesma maneira, é necessária maior transparência. Sob pena de uma quebra muito maior, e por um longo período.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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