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Quatro torcedores do Chelsea são condenados pelo caso de racismo no metrô de Paris

Há quase dois anos, em fevereiro de 2015, um deplorável episódio de racismo ligado ao futebol foi registrado no metrô de Paris. Durante a visita do Chelsea ao Paris Saint-Germain, pelas oitavas de final do torneio, um grupo de torcedores britânicos ofendeu e hostilizou Souleymane Sylla na estação Richelieu-Drouot. Descendente de mauritanos, a vítima registrou queixa contra os agressores, graças a um vídeo que registrou os insultos. E a justiça tardou, mas não falhou (embora pudesse ser mais dura): os quatro britânicos acabaram condenados por um tribunal de Paris nesta terça.

Dois dos condenados não compareceram ao julgamento e terão que cumprir 12 meses de pena suspensa (ou seja, fora da prisão, mas cumprindo as determinações do juiz), além de estarem proibidos de entrar na região metropolitana de Paris pelos próximos dois anos. Já os outros dois torcedores, que compareceram ao tribunal, cumprirão penas suspensas de seis e oitos meses. Os quatro também pagarão uma indenização de 12 mil euros a Sylla. Todos eles já tinham sido banidos dos estádios britânicos por um período de cinco anos, durante o processo. Os quatro foram condenados por “violência voluntária, agravada por natureza racista”.

Na ocasião, os quatro britânicos proibiram Sylla de entrar no metrô, empurrando-o para fora. “Nós somos racistas e esse é o jeito que nós gostamos disso”, cantavam. Durante o julgamento, Sylla afirmou que “não os perdoou e nunca os perdoará”. O francês também declarou que passa por acompanhamento psicológico e toma medicação desde então, além de ter sofrido problemas na vida profissional, tirando uma licença de seis meses e sem conseguir pegar o metrô novamente por um ano.

O Chelsea, ao menos, tomou uma postura exemplar logo após o episódio lamentável. Além de banir os racistas para sempre de seu estádio, demonstrou apoio à vítima. Torcedores levaram faixas repudiando a segregação, enquanto o então técnico José Mourinho enviou um convite a Sylla, para que assistisse a um jogo em Stamford Bridge. O francês, contudo, recusou. Um ano depois, convidado pelo PSG, ele assistiu ao reencontro dos dois clubes pela Champions. “Essas pessoas não representam o futebol. Elas representam o ódio e o racismo”, declarou.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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