Inglaterra

Quando príncipe Philip deu bronca em Elton John e outras histórias do Duque de Edimburgo no futebol

O marido da rainha Elizabeth morreu nesta sexta-feira aos 99 anos

Jogadores usarão faixas pretas nos braços, haverá dois minutos de silêncio e as bandeiras serão mantidas a meio-mastro durante os jogos deste fim de semana na Inglaterra para homenagear o príncipe Philip, Duque de Edimburgo e marido da Rainha Elizabeth. A terceira pessoa mais velha da história da família real britânica morreu nesta sexta-feira, aos 99 anos.

Philip gostava de esportes. De todos os esportes, mas gostava mais de praticar do que de assisti-los. Foi do futebol (era goleiro na escola) ao rúgbi, hóquei e um pouco de navegação à vela quando era criança, mas suas paixões eram o polo, do qual se aposentou aos 50 anos, e corrida de carruagem. Foi ele quem escreveu o livro de regras internacionais do esporte – além de outros 14 livros dos quais foi autor em todo o tempo livre que ganhou quando sua esposa se tornou rainha em 1952.

Mas, como membro sênior da família real de um país apaixonado por futebol durante sete décadas, foi inevitável que os caminhos de Philip e o do futebol se cruzassem pelo menos algumas vezes, como contaremos a seguir, em cinco pequenas histórias.

Quem é o idiota dirigindo aquele carro? É o Elton John!

Não é novidade que Elton John ama o Watford. Quando era presidente do clube, gostava de dar festas aos jogadores e aos funcionários. Chegou até a comprar um carro que decorou com as cores dos Hornets e usava para ir aos jogos fora de casa. Ele morava próximo ao Castelo de Windsor e daqui para a frente deixamos vocês com o relato do próprio Elton John em sua autobiografia.

“Eu comprei um Aston Martin, pintei com as cores do Watford – amarelo, com uma faixa vermelha e preta no meio – e o usava nos jogos fora de casa. Eu o chamava de Carro do Presidente. Eu não havia percebido quanta atenção ele atraia até ser apresentado ao príncipe Philip”, escreveu.

“‘Você vive perto do Castelo de Windsor, não?’, perguntou Philip. ‘Você já viu o idiota que sai dirigindo aquele carro medonho? É amarelo vivo com uma faixa ridícula. Você sabe quem ele é?’. O cantor respondeu: ‘Sim, Vossa Majestade, sou eu’. Ele não pareceu especialmente chocado com a notícia”.

“Na verdade, ele pareceu bem satisfeito por ter encontrado o idiota em questão porque ele teve a chance de lhe dar um conselho: ‘O que diabos você está pensando? Ridículo. Faz com que você pareça um idiota. Se livre desse carro’”, aconselhou o Duque de Edimburgo, conhecido por gafes desse tipo – que muitas vezes eram apenas grosserias ou, pior, expressões de preconceito.

Aliás, falando nessas gafes…

Por que sua cabeça está torta?

O príncipe Philip chegou a ser presidente da Federação Inglesa nos anos cinquenta e entregou várias medalhas de campeões da Copa da Inglaterra. Em 1955, antes de o Manchester City perder do Newcastle, disse “sehr gut”, alemão para “muito bom”, ao goleiro germânico Bert Trautmann, que instintivamente reagiu com uma reverência ao estilo do seu país de nascimento, para o divertimento de seus colegas.

No ano seguinte, o City foi campeão contra o Birmingham e o encontro com Philip foi um pouco mais… constrangedor. Trautmann tornou-se uma lenda do Manchester City por ser um excelente goleiro, por ter uma história fantástica – foi obrigado a combater no Front Oriental da Segunda Guerra Mundial e, capturado pelo exército britânico, se recusou a voltar à Alemanha e ficou na Inglaterra para fazer carreira no futebol – e por um ato de grande heroísmo.

Ele disputou os últimos 17 minutos daquela final com o pescoço fraturado. Ao fim da partida, caiu inconsciente no campo, o que parece ter fugido à atenção do príncipe. Na entrega das medalhas, ele perguntou ao goleiro: “por que sua cabeça está torta?”. E Trautmann respondeu: “Torcicolo”.

Inaugurando o Emirates Stadium

Uma das milhares de cerimônias das quais participou durante seu experiência como membro da família real foi a inauguração do Estádio Emirates em outubro de 2006. Ele seria acompanhado pela rainha Elizabeth, que acabou dando um chá de cadeira no Arsenal por causa de dores nas costas. Seu marido, porém, foi recebido por Arsène Wenger e pelo capitão Thierry Henry no gramado. A filha do treinador, Lea, lhe entregou flores, e Henry o apresentou a cada um dos jogadores daquele elenco.

Esse episódio foi lembrado na mensagem de condolência que o Arsenal enviou à família real nesta sexta-feira. Segundo o clube, a primeira visita de Philip ao Highbury aconteceu também em outubro, de 1952, oito meses depois de Elizabeth chegar ao trono, para uma partida beneficente contra o Hibernian.

“Acima de tudo, no entanto, ele será lembrado pelos torcedores do Arsenal por ter oficialmente aberto o Estádio Emirates em 26 de outubro de 2006 quando mostrou muito interesse em nossa nova casa, falando com os jogadores, treinadores, torcedores e muitos funcionários. Foi um dia inesquecível a todos os envolvidos”, afirmou o clube que, dizem, é o preferido do príncipe Harry – e também há rumores de que a própria rainha seria uma gooner.

Copa do Mundo de 1966

O príncipe Philip foi um figurante no momento mais importante da história do futebol inglês – e talvez na sua foto mais famosa. Após derrotar a Alemanha Ocidental 4 a 2 na prorrogação, o capitão Bobby Moore subiu as escadas de Wembley para receber a taça Jules Rimet das mãos da rainha Elizabeth. Ao seu lado, estava Stanley Rous, então presidente da Fifa. Mais um lugar à direita, príncipe Philip exibia um sorriso de orelha à orelha, talvez porque sabia que agora poderia zoar todas as suas quatro irmãs que se casaram com príncipes alemães.

Deixa que o mercado resolve

É raro que qualquer membro da família real responda de verdade a uma pergunta durante o reinado da rainha Elizabeth, especialmente se for um tema mais polêmico, mas, em entrevista ao Independent, em 2011, Philip foi bem sincero ao responder o que achava de jogadores de futebol ganhando £ 150 mil por semana – hoje em dia, uma pechincha – e da internacionalização da Premier League.

Basicamente louvou o capitalismo. “É um mercado aberto, não há nada que possamos fazer sobre isso. O mercado vai se resolver. As pessoas exageram e quebram; acabamos de fazer isso como país. Todos dizem que o capitalismo é horrível, mas ele funcione até que você o pratique errado e aí você quebra. Preciso dizer que acho que meia dúzia de clubes muito bem financiados ganhando tudo estraga o futebol”, disse.

“E esse negócio de permitir que os clubes contratem jogadores de todos os lugares pode ter parecido iluminado, mas, se você torce para o Blackburn ou algo assim, seus jogadores eram majoritariamente daquela região, e não é mais assim. Você pode torcer para o Arsenal e não há um jogador inglês em seu time. Mas isso faz parte do mercado. Eu não vejo motivo para ter inveja de pessoas ganhando muito dinheiro. Bom para eles. Quem dera eu estivesse ganhando também”, completou o príncipe cuja fortuna é avaliada em £ 30 milhões.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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