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Público perdeu a paciência com fracasso do futebol em se reformar, diz ministro do esporte britânico

Nigel Huddleston defendeu a proposta do governo do Reino Unido e diz que as autoridades no futebol podem entrar em acordo ou serem obrigadas por um regulador independente

A proposta de reforma do futebol inglês foi anunciada, com a ideia de ter mais controle financeiro e participação dos torcedores e o ministro do esporte do Reino Unido, Nigel Huddleston, defende que o futebol fracassou em fazer essa reforma por si mesmo. Assim, acredita que a intervenção do governo é necessária para que as medidas sejam tomadas.

“Todos nós ficamos incrivelmente frustrados ao longo dos anos, décadas, na verdade, do futebol reconhecer que tem problemas e falhando singularmente em resolvê-los”, disse Huddleston em entrevista ao Guardian. “Sinceramente, acho que o público britânico e os torcedores de futebol em particular perderam a paciência e há uma necessidade de intervir”.

O apoio do governo à revisão feita por torcedores e conduzida pela deputada Tracey Crouch foi bem recebido, mas a própria legisladora criticou a falta de um prazo determinado para implementar de fato as mudanças. Huddleston foi questionado sobre isso e insistiu que o governo se comprometeu a colocar a lei em ação antes da próxima eleição geral no Reino Unido, que está marcada para 2024.

“Algumas pessoas esperam que isso aconteça amanhã ou na semana que vem e há outras pessoas pensando que será em dois anos, mas nós temos o compromisso de fazer isso antes da próxima eleição”, afirmou o ministro do esporte. “Queremos avançar rapidamente porque sabemos que há uma demanda esmagadora por isso e conhecemos os problemas do futebol. Se implementarmos amanhã, poderemos ter exatamente o impacto oposto ao que pretendemos: garantir que os clubes possam sobreviver e que sejam financeiramente sustentáveis”.

Ainda há dúvidas em relação a quais serão os poderes do regulador independente e Huddleston afirmou que isso será publicado no documento feito pelo governo neste verão europeu (junho, julho e agosto) e incluirá medidas para garantir a maior redistribuição financeira dentro do futebol inglês.

O ministro do esporte britânico ressaltou que deve haver um acordo dentro das instituições do futebol, por exemplo, entre a Premier League e a English Football League, mas que isso precisa ser confirmado até o verão. “Acho que a mensagem para a Premier League está muito clara. Eles precisam agir o quanto antes porque, caso contrário, isso será imposto a eles pelo regulador”, disse Huddleston.

Huddleston encorajou o futebol a ser proativo em relação a algumas das medidas propostas do relatório, como por exemplo ter uma melhor representação dos torcedores em suas instâncias de tomada de decisão, além de garantir a preservação do patrimônio do clube, como os estádios, os escudos, as cores e os uniformes dos clubes. Com isso, evitariam que as soluções fossem impostas pelo governo.

“Algumas pessoas no nosso partido estão muito desconfortáveis com o nível de intervenção que estamos propondo”, afirmou Huddleston, que é do partido conservador, que governa o Reino Unido. O governo está comprometido a ter um regulador independente para o futebol porque o futebol é um dos grandes patrimônios culturais do país. A resposta oficial do governo sobre o assunto já deixa claro: “O livre mercado não corrigirá os problemas”.

A Premier League é contra um regulador independente por acreditar que isso não é necessário, mas não conseguiu até hoje dar respostas satisfatórios ao principal público do futebol: os torcedores. O governo quer usar a força que percebeu que o assunto tem no fracasso da Superliga para, enfim, criar uma regulação para o futebol no país, sempre muito pouco fiscalizado. Resta saber se essa iniciativa terá força para ser efetivada.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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