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Profissionalismo, defesa e Hazard foram as armas do Chelsea, campeão da FA Cup

Não tivemos a melhor temporada. Salvou o ano. Pelo menos, terminamos com um troféu. O discurso dos jogadores do Chelsea, depois da vitória por 1 a 0 sobre o Manchester United, na decisão da Copa da Inglaterra, foi homogêneo. Felizes com o título, o nono dos Blues na competição, e com a unidade defensiva que a equipe demonstrou em Wembley, mas cientes de que precisam jogar melhor para voltar a competir no nível necessário para os desafios da próxima campanha.

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A reta final da temporada do Chelsea foi um grande exemplo de profissionalismo. As relações de Antonio Conte com o elenco e a diretoria deterioraram-se por volta da virada do ano, e os resultados refletiram o ambiente. Entre o último dia de janeiro e o começo de abril, foram cinco derrotas em sete rodadas da Premier League, momento em que os Blues praticamente saíram da briga por vaga na próxima Champions League. 

No entanto, quatro vitórias seguidas, combinadas com tropeços do Liverpool, permitiram ao Chelsea sonhar com o quarto lugar na semana final da Premier League. O empate contra o Huddersfield sepultou as chances. Na Copa da Inglaterra, a equipe despachou Leicester e Southampton para marcar a final contra o Manchester United. E, neste domingo, em Wembley, teve uma exibição sólida, de excelência defensiva e tática. Mas sem brilho.

Hazard resumiu: “Tentamos defender bem. Não sofremos gols e marcamos um. É o bastante para hoje, mas, se quisermos ganhar vários jogos, precisamos jogar melhor porque hoje tivemos que jogar defensivamente”. E ninguém sentiu isso mais do que o belga. Escalado no ataque ao lado de Giroud, foi praticamente a única válvula de escape do Chelsea, com um meio-campo formado por Bakayoko, Kanté e Fàbregas. Era Hazard contra a rapa no ataque.

Hazard sabe o que fazer nessas situações. Aos 9 minutos, exigiu defesa de De Gea com a perna, a única do goleiro do Manchester United durante muito tempo. Pouco depois, foi lançado em contra-ataque, ganhou de Phil Jones com facilidade e sofreu o pênalti. O próprio belga cobrou com tranquilidade e marcou o único gol da partida. 

Quem conhece os times do Chelsea e do United pode imaginar como a partida ficou depois da abertura do placar. O Chelsea recuou as linhas, congestionou a entrada da grande área e deixou que o adversário se virasse para fazer alguma coisa. Lukaku, cuja presença na área seria importantíssima nesse cenário, ficou no banco de reservas até os 28 minutos do segundo tempo, ainda sem condições físicas ideais. Fellaini, a alternativa para este estilo de jogo mais direto, nem foi para o banco de reservas. 

A pressão do United foi imediata, com chutes bloqueados de fora da área, jogadas aéreas e bolas alongadas. Jones quase se redimiu do pênalti pouco antes do intervalo. Na volta, Herrera lançou Valencia pela direita, mas o cruzamento foi ruim. Sánchez, porém, pressionou a saída de bola e a recuperou. Rashford tentou de longe, e Courtois fez boa defesa. Cabeçada de Jones foi defendida pelo goleiro belga, e Sánchez marcou no rebote. Mas estava impedido, confirmado pelo árbitro de vídeo, sendo testado na final da FA Cup. 

Aos 25 minutos do segundo tempo, a segunda (e última) defesa de De Gea na partida. Kanté recuperou, puxou contra-ataque e deixou Marcos Alonso livre. Mas Alonso finalizou mal. No rebote, Moses tentou o cruzamento, e Ashley Young bloqueou com o braço. Pênalti claro, não marcado por Michael Oliver, amigo do peito de Gianluigi Buffon. Mas tudo bem, certo? É para isso que existe o árbitro de vídeo. Depois de consultá-lo, Oliver decidiu… não marcar o pênalti mesmo assim, para a loucura dos torcedores do Chelsea. 

A sorte de Oliver, e a essa altura só muita sorte mesmo para ele continuar apitando grandes jogos, foi que o Chelsea não sentiu falta de mais um pênalti. A pressão do United continuou, sem grandes frutos. Conte acabou levando a melhor sobre Mourinho e acrescentou a Copa da Inglaterra ao título da Premier League da temporada passada. Dois títulos em dois anos. Nada mal. Agora, resta saber se ele terá a chance de aumentar seu currículo vencedor ou se o provável fim da linha se tornará oficial. 

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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