Preview 2009/10

Dia 15 de agosto a Premier League volta de férias. Até lá, muita coisa ainda vai acontecer, mas, a partir desta semana, começamos as nossas previsões para a temporada 2009/10. Os desafios que as equipes têm pela frente são claros: muito poucos lutarão pelo título, talvez os mesmos que brigarão por posicionamento pelas vagas da LC. Um grupo um pouco maior briga pela Liga Europa, e outro cujo tamanho ainda é imprevisível, para permanecer na Premier League.
Façamos o nosso “preview” em três pedaços, em ordem alfabética para não ter que escolher: nesta primeira semana, seis equipes, e nas duas próximas, sete em cada. Hoje, por coincidência, os times que começam com a ou b.
Arsenal
Estádio: Emirates Stadium (60.432 lugares)
Principal jogador: Andrei Arshavin (meia-atacante)
Fique de olho: Carlos Vela (atacante)
Competição continental que disputa: Liga dos Campeões
Quem chegou: Thomas Vermaelen (Ajax)
Quem saiu: Amaury Bischoff, Rui Fonte, Emmanuel Adebayor (Man City)
Técnico: Arsène Wenger
Objetivo na temporada: Título
Previsão: Liga dos Campeões
O começo da temporada 2009/10 do Arsenal tem sido igual aos anteriores. O clube perdeu Adebayor, que, na temporada passada, além de marcar 16 vezes contribuiu com oito assistências. E, até aqui, só contratou um zagueiro – o promissor Vermaelen, do Ájax. À diferença dos anos anteriores, entretanto, os Gunners começam a Premier League desse ano com um enorme reforço, incorporado em janeiro.
Andrei Arshavin foi determinante para a recuperação da equipe a partir do começo do ano, não precisou de mais do que alguns minutos para se adaptar ao futebol inglês, e é a melhor perspectiva que sua equipe tem para este ano. Se em 2008/09 o Arsenal deu mostras de que poderia perder a quarta vaga na LC, a simples presença de Arshavin muda esta situação. Além do russo, a volta de Rosicky pode trazer consistência e gols ao Emirates. E Eduardo, se permanecer saudável, também deve contribuir com sua cota.
Há, além disso, um ano a mais de experiência em talentos testados, como Cesc e Walcott, e nem tanto, como Vela e Gibbs. Os Gunners continuam precisando urgentemente de um goleiro decente, e, mais uma vez, confiarão em jovens jogadores. O time, entretanto, já se conhece melhor, seu reforço principal já está integrado à equipe e o susto do ano passado deve produzir efeitos. O título não é uma perspectiva realista, mas o sofrimento do ano passado não deve se repetir.
Aston Villa
Estádio: Villa Park (42.640 lugares)
Principal jogador: Ashley Young (meia-atacante)
Fique de olho: Craig Gardner (meia)
Competição continental que disputa: Liga Europa
Quem chegou: Stewart Downing (Middlesbrough)
Quem saiu: Gareth Barry (Man City), Martin Laursen (aposentado), Stuart Taylor (Man City), Zat Knight (Bolton)
Técnico: Martin O’Neill
Objetivo na temporada: Liga dos Campeões
Previsão: Liga Europa
Se não tivesse um técnico competente e experiente, o Aston Villa poderia ter uma temporada bem desagradável pela frente. Depois de ameaçar ficar com a quarta vaga na LC por boa parte da temporada passada, a equipe sofreu uma queda de desempenho pronunciada na segunda metade da temporada. Além disso, sua primeira negociação foi logo vender o insatisfeito capitão Gareth Barry, para cujo lugar foi trazido um jogador que só deve jogar em dezembro.
O Aston Villa, entretanto, é comandado por Martin O’Neill, e o histórico do norte-irlandês autoriza a imaginar que ele conseguirá fazer evoluir a equipe em direção a um futebol consistente como o do ano passado, mas mais seguro. A maior parte dos talentos está lá: Ashley Young, um dos jogadores mais promissores da Inglaterra, continuará tendo a seu lado Styliyan Petrov. Quando estiver saudável, especula-se que O’Neill use Downing no centro do meio campo, e não pela esquerda, por onde atuava no Boro. Agbonlahor, que no ano passado também caiu com o time, e Gardner são outros jovens valores que devem evoluir.
Embora não tenha por trás um Abramovich, o Aston Villa de Randy Lerner tem dinheiro disponível para aprofundar seu elenco. E precisa fazê-lo. Além da “surpresa”, o que fez com que o time caísse na temporada 2008/09 foi a falta de peças de reposição. Downing pode preencher a lacuna deixada por Barry, mas o Villa precisa de mais jogadores. E poderia fazer bom uso de uma contratação de peso, alguém que pudesse decidir jogos difíceis.
Birmingham City
Estádio: St. Andrews (30.009 lugares)
Principal jogador: Kevin Phillips (atacante)
Fique de olho: Christian Benitez (atcante)
Competição continental que disputa: Nenhuma
Quem chegou: Barry Ferguson (Rangers), Lee Bowyer (West Ham), Christian Benitez (Santos Laguna), Giovanny Espinoza (Barcelona SC), Roger Johnson (Cardiff), Scott Dann (Coventry), Joe Hart (Man City)
Quem saiu: Stephen Kelly (Fulham), Krystian Pearce (Peterborough), Mehdi Nafti (Thessaloniki), Radhi Jaidi
Técnico: Alex McLeish
Objetivo na temporada: Não cair
Previsão: Permanência tranqüila
O Birmingham City tem brigado nos últimos tempos para tirar do Sunderland a fama de maior “iô-iô” da Premier League. Os Blues, que tinham subido em 2002 depois de 16 anos fora da elite, caíram em 2006, subiram em 2007, caíram em 2008 e estão de volta em 2009. Para ficar na primeira divisão, a equipe conta com a experiência de seu treinador, que deixou o posto de selecionador da Escócia para assumir a equipe, e de jogadores como Barry Ferguson e Lee Bowyer.
O escocês Ferguson deixa o Rangers depois da polêmica que lhe tirou o posto de capitão do time e quase o baniu da seleção nacional. Não é um novato na Premier League, na qual já atuou de 2003 a 2005, pelo Blackburn. É um meio-campista competente, e pode fornecer uma dose de liderança bem vinda. Bowyer, por outro lado, fez parte do time do Leeds que chegou à semifinal da Liga dos Campeões em 2001. Seu nome, entretanto, apareceu mais na mídia por causa das confusões em que se envolveu do que por seu desenvolvimento como jogador – uma busca no You Tube por Lee Bowyer e Kyeron Dyer mostra uma pancadaria entre os jogadores, então no Newcastle.
Os Blues também incluíram em seu elenco para a temporada duas apostas equatorianas: o zagueiro Espinoza, com passagem pelo Cruzeiro, e o atacante Christian Benitez, o mais promissor dos dois. Apesar dos 23 anos, Benitez, eleito melhor jogador do Clausura mexicano em 2008, já atuou 18 vezes pelo Equador, e esteve na Copa de 2006. Longe de ser o atacante dos sonhos de qualquer equipe, mas vale lembrar que jogadores como o hondurenho Palácios, de pouca fama antes de jogar no Wigan, acabam se “achando” na Premier League. Das apostas, as jovens e as experientes, depende a temporada dos Blues de Birmingham.
Blackburn Rovers
Estádio: Ewood Park (31.367 lugares)
Principal jogador: Benny McCarthy (atacante)
Fique de olho: Julio Santa Cruz (atacante)
Competição continental que disputa: Nenhuma
Quem chegou: Gaël Givet (Marseille), Steven N'Zonzi (Amiens), Elrio van Heerden (Bruges), Lars Jacobsen (Everton), Nikos Giannakopoulos (Asteras Tripolis)
Quem saiu: Roque Santa Cruz (Man City), Matt Derbyshire (Olimpiacos), Aaron Mokoena (Portsmouth), Andre Ooijer (PSV Eindhoven), Tugay (aposentado)
Técnico: Sam Allardyce
Objetivo na temporada: Ficar entre os 10 primeiros
Previsão: Meio da tabela
O Blackburn começou a temporada passada trocando o comando de Mark Hughes, que deixou a equipe para dirigir o Manchester City depois de quatro anos no comando. O escolhido para sucedê-lo, Paul Ince, durou meia temporada. Em dezembro, Sam Allardyce chegou para sucedê-lo, e guiou o time a uma permanência segura na Premier League. E é em Allardyce que repousam as esperanças dos Rovers.
“Big Sam”, como é conhecido, fez seu nome treinando o Bolton, onde permaneceu de 1999 a 2007. Quando Allardyce chegou à cidade, os Wanderers militavam na terceira divisão. Em menos de dez anos, o treinador levou sua equipe à sexta colocação na Premier League, além de uma final de League Cup, e participações consecutivas na Copa Uefa. Feitos notáveis, sem dúvida, mas ninguém nunca ouviu falar em “jogo bonito” por aqueles lados durante seu reinado. E é assim que os torcedores do Blackburn podem esperar ver seu time ir adiante. Muito diferente do que acontecia sob Hughes.
Do ponto de vista do elenco, os Rovers perderam para este ano um de seus principais jogadores, o paraguaio Roque Santa Cruz. A não ser que Julio, seu irmão mais novo, prove que o raio pode cair duas vezes no mesmo lugar, e rápido, não parece que a equipe possa ter alguém do mesmo nível em breve. A estabilidade na direção, entretanto, deve se mostrar benéfica, e o ano que vem pela frente deve apresentar menos sustos que o anterior.
Bolton Wanderers
Estádio: Reebok Stadium (28.723 lugares)
Principal jogador: Jussi Jaaskelainen (goleiro)
Fique de olho: Fabrice Muamba (meia)
Competição continental que disputa: Nenhuma
Quem chegou: Sean Davis (Portsmouth), Paul Robinson (West Bromwich), Zat Knight (Aston Villa), Sam Ricketts (Hull)
Quem saiu: Blerim Dzemaili (Torino)
Técnico: Gary Megson
Objetivo na temporada: Ficar na Premier League
Previsão: permanência não muito tranqüila
A temporada 2009/10 deve ser a primeira sem qualquer sombra de “Big Sam” em Bolton. O treinador deixou a equipe há duas temporadas, para dirigir o Necastle, mas deixou em seu lugar seu assistente, Sammy Lee. Em sua primeira temporada, Lee apenas manteve o ritmo, e o time acabou em oitavo e disputou a Copa Uefa. A temporada passada, entretanto, começou de maneira desastrosa, e os Wanderers viram por bem trocar de técnico. Gary Megson, cuja melhor fama ficou um pouco para trás, só conseguiu garantir o time na primeira divisão na última rodada. E não há nada que permita imaginar que será diferente neste ano.
Para começar, o próprio histórico de Megson não inspira confiança. Depois de bons anos com o West Brom, durante os quais levou o clube à Premier League duas vezes, Megson não obteve mais sucesso. Em 2005, assumiu o Nottingham Forest, e viu o time ser rebaixado – e não conseguir subir tão cedo. O time, porém, não era mesmo grande coisa. O do Bolton para este ano, entretanto, vai na mesma linha.
A equipe não perdeu nenhum jogador importante – até porque só tem um, o goleiro Jaaskelainen. Os que chegaram têm experiência de Premier League, mas estão longe de ter sido disputados por diversos times. O que pode dar certa tranqüilidade ao Bolton na temporada é a quantidade de times “caíveis”. Mas que a vida não deve ser fácil na temporada, não deve.
Burnley
Estádio: Turf Moor (22.456 lugares)
Principal jogador: Robbie Blake (atacante)
Fique de olho: Steven Fletcher (atacante)
Competição continental que disputa: Nenhuma
Quem chegou: Brian Easton (Hamilton), Richard Eckersley (Man Utd), David Edgar (Newcastle), Steven Fletcher (Hibs), Tyrone Mears (Derby)
Quem saiu: Steve Jones, Gabor Kiraly, Alan Mahon (Tranmere)
Técnico: Owen Coyle
Objetivo na temporada: Não cair
Previsão: Rebaixamento
Acredite se quiser, o Burnley é bicampeão inglês. Tem ainda uma FA Cup, e foi às quartas de final da Copa dos Campeões de 1960/61. É claro. Porém, que isto pertence a um distante passado e que, recentemente, o time ficou mais conhecido por derrubar os grandes das copas inglesas – sem, entretanto, conseguir ir muito longe em nenhuma delas. O clube, que quase deixou a quarta divisão (e a liga) em 1987, vem desde então em recuperação, mas não há nada que faça supor que o Burnley vá permanecer na Premier League na próxima temporada.
Para começar, apesar de ter obtido certa estabildiade nos últimos anos, a quinta colocação no Championship obtida na temporada passada é a melhor da atual fase. Ou seja: não é que o time vem crescendo e chegou a hora de subir. A vitória nos playoffs foi o prêmio máximo, e a equipe ainda não está preparada para usufruí-lo. Além disso, o clube não tem por trás de si uma estrutura que permita grandes investimentos de uma hora para outra, o que deve dificultar ainda mais.
Nos últimos anos, o Burnley eliminou, nas duas copas, Arsenal, Chelsea e Liverpool. Além disso, a concorrência pelas vagas do rebaixamento neste ano é mais acirrada, com Hull e Stoke tendo conseguido burlar a queda no ano passado. Ainda assim, a não ser que Steven Fletcher se transforme no novo Kenny Dalglish, parece pouco provável que o Burnley termine em alguma posição que não a última.



