Premier League

Torcida será representada em reuniões do Conselho do Chelsea – mas, sem direito a voto, o quanto isso adianta?

O clube anunciou que três torcedores serão selecionados a cada temporada para estar nas reuniões do Conselho, mas pouco além de apenas participar

O Chelsea anunciou que, a cada temporada, três torcedores serão selecionados para participar das suas reuniões de Conselho, para “garantir que o sentimento geral da torcida” seja considerada no processo de tomada de decisão, mas, como eles não terão direito a voto, essa medida não garante nada. Eles estarão na sala de reuniões… bom, literalmente para inglês ver.

O protesto dos torcedores do Chelsea antes daquele jogo contra o Brighton se tornou uma das principais imagens da derrocada da Superliga Europeia. O clube começou a informar jornalistas de que estava preparando para se retirar da competição logo em seguida. Desde que o fiasco se concretizou, uma das principais demandas dos torcedores é receber mais voz e influência para evitar que esse tipo de erro, admitido pelo próprio Chelsea como um, seja repetido no futuro. O Liverpool recentemente abriu as portas para que haja representação da arquibancada na sua diretoria.

Segundo o comunicado oficial, o Chelsea entrará em contato com grupos de torcedores para discutir a seleção de três “torcedores-conselheiros”, com critérios para assegurar que a “presença da torcida represente nossa base de apoio e seja inclusiva e diversa”. Os eleitos serão obrigados a assinar um acordo de confidencialidade, o que parece bem razoável.

No entanto, eles não terão direito a voto e nem participarão de reuniões sobre jogadores, funcionários (como comissão técnica, por exemplo), categorias de base e assuntos relacionados. A “presença” dos torcedores-conselheiros está garantida em apenas quatro reuniões por ano “ou mais, se for apropriado”. Se “completarem o ano”, poderão escolher uma instituição de caridade para a qual o Chelsea fará uma doação de £ 2,5 mil.

Deixando o saudável cinismo de lado por um instante, essa medida aproxima um pouco a voz do torcedor dos engravatados que tomam as decisões em nome do Chelsea. Eles estarão ali, de corpo presente, na sala de reuniões, o que deve no mínimo inibir um pouco ideias esdrúxulas que vão contra seus interesses. Retomando o cinismo, eles participarão de apenas uma reunião a cada três meses, o que torna bem fácil que essas ideias sejam discutidas em outro ambiente, caso sejam esdrúxulas o suficiente.

Como eles não terão direito a voto, também é bastante tranquilo aos diretores fingir que estão considerando a opinião daqueles três torcedores, talvez emitida de uma maneira mais branda do que o normal porque, dependendo de quem for escolhido, estarão afastados de seu habitat natural. A rotatividade de três por ano até dificulta que se adaptem ao ambiente corporativo de uma reunião de conselho ou cultivem relações com os diretores.

Até a linguagem do comunicado deixa bem claro que a intenção é que os torcedores estejam “presentes”, o que é um passo da direção certa, mas, da maneira como a medida está formulada neste momento, nada garante que irá além de uma mera presença. Os torcedores não estão sendo realmente integrados ao processo de tomada de decisão do Chelsea. A única coisa que garante mesmo é uma bela foto para as redes sociais, com uma mesa de reuniões, alguns torcedores e diretores sorridentes e uma legenda na linha de “olha como estamos levando a opinião do torcedor a sério!”.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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