Salah responde censura da Premier League com apelo por fim da guerra e “Palestina livre”
Em mensagem pelas redes sociais, Salah apela por ajuda humanitária aos sobreviventes e fim de massacre à Faixa de Gaza
Mohamed Salah não esconde suas origens muçulmanas e nem a sua posição sobre os conflitos entre Israel e Palestina. E, nesta quarta-feira (18), o atacante do Liverpool se mostrou mais uma vez uma figura política fora das quatro linhas. Em vídeo publicado nas redes sociais, o jogador apelou para o fim da guerra, quase em resposta ao ato de censura da Premier League – que recomendou a proibição de manifestações com bandeiras da Palestina dentro dos estádios.
Na mensagem, Salah se mostra horrorizado pelos últimos massacres à Faixa de Gaza e faz um apelo para que a ajuda humanitária possa chegar aos sobreviventes dos bombardeios. A legenda do vídeo também é enfática sobre sua postura: “Palestina livre”.
– Não é fácil falar em momentos como esse. Há muita violência e brutalidade de partir o coração. As escaladas das últimas semanas são coisas incomparáveis de se testemunhar. Todas as vidas são sagradas e devem ser protegidas. Os massacres precisam parar, famílias estão sendo separadas. O que está claro agora é que a ajuda humanitária para Gaza precisa ser aprovada imediatamente – apelou o atleta.
– As pessoas naquele lugar estão em uma situação terrível. As cenas de ontem à noite no hospital (atacado) são horripilantes. As pessoas em Gaza precisam de comida, água e suprimentos médicos urgentemente. Estou convocando os líderes ao redor do mundo para se unirem e evitarem mais massacres a almas inocentes. A humanidade deve prevalecer – concluiu.
"A humanidade deve prevalecer"
O apelo de @MoSalah diante dos massacres à Faixa de Gaza. pic.twitter.com/h0uuBkToGI
— Livia Camillo (@livia_camillo_) October 18, 2023
Salah, um expoente político no futebol
Mesmo que possa soar estranho para os fãs de esporte ver um atleta se posicionando de forma tão clara, esta não é a primeira vez que Salah se prova um expoente político dentro do futebol.
Em 2013, ainda com os tenros 21 anos, o atacante viajou a Israel quando ainda atuava pelo Basel, da Suíça, para enfrentar o Maccabi Tel-Aviv, na fase pré-Eliminatória da Champions League. Naquela ocasião, ele chegou a cogitar não viajar ao país israelense e, antes do início do jogo, não apertou as mãos dos adversários. O episódio aconteceu há uma década, mas já demonstrava a posição ideológica favorável à causa palestina.
Na mesma edição da Champions, já na rodada de playoffs, Salah marcou dois gols na goleada por 4 a 2 do Basel sobre o Ludogorets, mas não comemorou nenhum deles. Após a partida, ele disse que não tinha motivos para festejar diante dos conflitos vividos que aconteciam no Egito. O país atravessava uma grave crise desencadeada por um golpe militar, com centenas de civis mortos.
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Salah, o orgulho muçulmano e o preconceito
Por falar abertamente sobre sua religião, o Islã, e sempre demonstrar respeito por suas origens, Salah é considerado uma figura importante em seu país natal. A marca registrada do egípcio é a comemoração do gol, em que se agacha e encosta a testa no chão (ato realizado pelos islâmicos durante as orações).

Por conta de seus posicionamentos e até por conta de sua religião, o jogador foi alvo de preconceito durante um bom tempo. Os comentários xenofóbicos de torcedores e figuras da imprensa europeia o acompanharam por anos.
A aceitação majoritária do público demorou a se estabelecer e, não por coincidência, aconteceu quando ele entrou para história do Liverpool. Hoje, tanto torcida quanto imprensa passaram a enaltecer as origens do craque – uma faceta que o próprio clube inglês gosta de explorar em suas campanhas. Recentemente, Salah recebeu jovens refugiados no CT dos Reds para falar sobre expectativa de futuro e sonhos.
Com seu carisma e talento, o egípcio conquistou a Europa, mas ainda segue lutando pelo que acredita.



