Pressionado, Tottenham desiste do programa de auxílio do governo e cede estádio para combate à COVID-19
O Tottenham anunciou nesta segunda-feira que desistiu de usar o programa de auxílio do governo britânico (Coronavirus Job Retention Scheme, sigla CJRS) para pagar os funcionários não ligados ao futebol, depois de muitas críticas dos seus próprios torcedores. O programa auxiliar as empresas a pagarem até 80% do salário dos funcionários, até o limite de £ 2,5 mil libras por mês. Assim como o Liverpool, os Spurs foram muito pressionados por grupos de torcidas organizadas e desistiu. E anunciou que os funcionários receberam 100% dos salários.
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No dia 31 de março, o clube anunciou que 550 funcionários teriam um corte no salário de 20%, justificando como uma medida “para proteger os empregos”. Nesta segunda-feira, porém, o clube anunciou em um comunicado que toda a equipe não ligada a futebol irá receber “100% dos seus salários de abril e maio”.
Apenas os membros da diretoria terão cortes no salário, segundo o comunicado do Tottenham. Isso inclui o presidente, Daniel Levy, que ganhou £ 7 milhões em 2019. A ação do Tottenham veio depois de muita pressão. Na sexta-feira, o Tottenham Hotspur Supporters’ Trust (THST), uma organização de torcedores do clube, pediu veementemente que a direção “fizesse a coisa certa” e revisse a decisão. Disse ainda que a massa dos torcedores era contra essa decisão.
“Sem clareza sobre quando o futebol poderá recomeçar e em que condições, continuaremos mantendo isso sob revisão contínua. Temos plena consciência de que muitos torcedores foram contra a decisão que tomamos em relação às licenças dos funcionários que não poderiam continuar seus trabalhos de casa”, diz o comunicado do Tottenham. “Isso mais uma vez sublinha que sofremos pressões diferentes de outros negócios, muitos dos quais continuarão a solicitar o apoio do programa, conforme o governo pretendia”.
“As críticas que o clube recebeu na última semana foram todas sentidas mais profundamente por causa do nosso histórico de bons trabalhos e nosso grande senso de responsabilidade de cuidar daqueles que confiam em nós, particularmente os locais”, afirmou o presidente do clube. “Nunca foi nossa intenção, como cuidadores, fazer qualquer coisa que não fosse tomar medidas para proteger empregos enquanto o clube buscou continuar a operar de uma maneira autossuficiente durante tempos incertos”.
“Nós lamentamos qualquer preocupação causada neste tempo de ansiedade e esperamos que o trabalho que nossos torcedores nos verão fazer nas próximas semanas, como dar ao nosso estádio um propósito totalmente novo, nós os faremos orgulhosos do seu clube”, afirmou Daniel Levy.
O Tottenham ainda anunciou que o seu estádio foi transformado em um centro médico. Foram instalados equipamentos para operar testes da COVID-19 para os funcionários da NHS (National Health System, o Sistema Nacional de Saúde), para seus familiares e dependentes. Além disso, o estádio foi adaptado para atender as pacientes do North Middlesex Hospital Women’s Outpatient Services, liberando espaço no hospital em si para tratar os pacientes com COVID-19, além de dar apoio para as mulheres grávidas ficarem fora do hospital onde se trata a pandemia.
O clube termina com a mensagem: “Fiquem em casa. Fiquem seguros. Protejam o NHS”. Uma mensagem que precisa ser ouvida. Tal qual os clubes, como o Tottenham, precisam ouvir mais seus torcedores. Como o próprio clube percebeu e escreveu, o futebol não é um negócio como outro qualquer. Nenhum outro negócio tem que lidar com torcedores. O futebol, em si, tem um papel muito além do negócio. E os dirigentes que não entendem isso fazem mal ao esporte, ao clube, aos torcedores e a si mesmos.



