Atacante milionário renasce, mas fantasmas da era Amorim voltam a assombrar United
Empate com o Burnley marca início sem técnico português, com lampejo individual e velhos problemas coletivos
O Manchester United tentou virar a página, mas acabou apenas relendo os mesmos capítulos recentes. Fora de casa, os Red Devils empataram por 2 a 2 com o Burnley, penúltimo colocado da Premier League, nesta quarta-feira (7), no primeiro compromisso após a demissão de Ruben Amorim.
O resultado, mais do que frustrante pelo adversário, expôs a dificuldade do time — agora interinamente comandado pelo ex-jogador Darren Fletcher — em romper padrões que se tornaram recorrentes ao longo da última temporada.
A saída do treinador português, oficializada na última segunda-feira (5), foi consequência direta de uma instabilidade que atravessou meses e culminou na pior campanha da história do clube na Premier League em 2024/25. O desgaste se intensificou após o empate contra o Leeds, quando Amorim concedeu uma entrevista explosiva, revelou desavenças internas e escancarou um ambiente já fragilizado nos bastidores de Old Trafford.
Dentro de campo, ao menos individualmente, houve sinal de reação. Benjamin Sesko, contratação mais cara da temporada — por mais de 76 milhões de euros —, voltou a ser decisivo ao marcar os dois gols do United. O atacante vinha em queda sob o comando de Amorim, acumulando nove partidas sem balançar as redes e apenas dois gols em 17 jogos em 2025/26, números muito aquém do investimento e das expectativas.
O problema é que o brilho do camisa 30 não foi suficiente para esconder velhas fragilidades coletivas. A vulnerabilidade defensiva voltou a cobrar seu preço, tanto no gol que abriu o placar para o Burnley quanto no empate sofrido após a virada. O United mostrou, mais uma vez, dificuldade em controlar o ritmo do jogo e fechar partidas teoricamente sob seu domínio.
Assim, mesmo com um “atacante milionário” reencontrando o caminho do gol, os fantasmas da era Amorim seguem rondando o United.
A troca no comando ainda não se traduziu em solidez, e o empate diante de um adversário da parte baixa da tabela reforça a sensação de que o problema vai além do treinador — é estrutural, mental e, sobretudo, defensivo.
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— Manchester United (@ManUtd) January 7, 2026
Foi preciso levar um gol para o United acordar
Se aproveitando da morosidade defensiva e marcação frouxa do United, o Burnley abriu o placar aos 13 minutos de jogo. Bashir Humphreys recebeu passe em progressão de Hannibal Mejbri, pisou na área e fez o cruzamento. A bola desviou em Ayden Heaven e matou completamente o goleiro Senne Lammens.
Os Red Devils até buscaram o empate ainda no primeiro tempo, mas o gol acabou anulado — o árbitro viu falta de Lisandro Martínez em confusão na área do Burnley.
Apesar da vulnerabilidade latente na defesa, o time de Manchester mostrou repertório no ataque antes do intervalo. Além do tento anulado, defesas de Martin Dúbravka e bolas salvas praticamente em cima da linha impediram a igualdade no placar.
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Sesko forja virada, mas Red Devils cedem empate
Na etapa complementar, porém, não teve jeito. A pressão se intensificou, e o United não demorou a balançar as redes. Bruno Fernandes descolou passe açucarado e deixou Sesko na cara do gol. O atacante esloveno finalizou cruzado, na saída de Dúbravka, e deixou tudo igual.
E a virada foi questão de tempo. Inspirado, Sesko completou cruzamento de Patrick Dorgu e colocou os Red Devils na frente pela primeira vez na noite.
A vantagem parcial, no entanto, não se sustentou por muito tempo. Pouco depois do doblete do esloveno, o Burnley reagiu. E com um belíssimo gol: Jaidon Anthony limpou dois marcadores na grande área e acertou chute colocado, no ângulo de Lammens.

Próximos jogos do United
- Manchester United x Brighton — Copa da Inglaterra — domingo, 11 de janeiro, às 13h30
- Manchester United x Manchester City — Premier League — sábado, 17 de janeiro, às 9h30
- Arsenal x Manchester United — Premier League — domingo, 25 de janeiro, às 13h30



