Premier League

Premier League revisa seu teste para donos e pensa em acrescentar componente de direitos humanos

A informação chega no dia seguinte a Roman Abramovich anunciar que colocou o Chelsea à venda

O CEO da Premier League, Richard Masters, afirmou nesta quinta-feira que o teste de aprovação de donos está (mais uma vez) sob revisão, e o Guardian acrescenta que um componente de direitos humanos está sendo considerado, um dia depois de o bilionário russo Roman Abramovich anunciar que colocou o Chelsea à venda.

Abramovich foi pressionado por ameaças de sanções econômicas a se desfazer do clube que comprou em 2003 pelos seus laços com o presidente Vladimir Putin, que ordenou a invasão das tropas russas à Ucrânia que acabou de entrar em sua segunda semana. O teste também se tornou um assunto na Inglaterra quando o Fundo de Investimentos Públicos da Arábia Saudita adquiriu o Newcastle ano passado.

Na época, a Anistia Internacional cobrou que a Premier League inserisse um componente de direitos humanos ao seu teste, que leva em consideração aspectos como a questão financeira ou se há condenações criminais, mas ignora se o comprador lidera um regime que, por exemplo, oprime mulheres, prende opositores e jornalistas e viola direitos humanos.

A Anistia Internacional gostaria que isso mudasse. “Roman Abramovich não é o único dono mega-rico de um clube da Premier League com conexões pessoais e comerciais com um líder autoritário de outro país e esperamos que sua saída do Chelsea reinicie o debate em torno do teste de donos e diretores da Premier League”, disse o CEO da Anistia Internacional do Reino Unido, Sacha Deshmukh. “Diante da aquisição controversa do Newcastle pela Arábia Saudita, pedimos que a Premier League introduzisse um novo e adequado elemento de direitos humanos ao seu teste”.

O Guardian afirma que a Premier League está considerando esse elemento de direitos humanos, mas que seus executivos minimizam a possível mudança, dizendo que é apenas uma das muitas questões sendo analisadas. “Tivemos conversas boas com a Anistia Internacional sobre esse tipo de coisa. Não estou pronto para dizer como deve ser modificado porque tem que ser ao longo de todo o futebol, com a Federação Inglesa e a Copa da Liga Inglesa concordando no que o teste tem que ser, como tem que ser implementado e como tem que ser comunicado aos torcedores”, disse Masters.

“O teste dos donos e diretores (como ele se chama oficialmente hoje em dia) tem sido analisado de perto nos últimos 12 meses e estamos olhando para ele novamente. É parte do processo de responder à analise dos torcedores. Estamos vendo se mais testes precisam ser acrescentados, se precisamos ser mais transparentes e se essas decisões devem ser aprovadas por um órgão independente”, acrescentou.

O governo britânico está conduzindo uma análise do futebol com foco no torcedor que ganhou força após o fracasso da Superliga Europeia. Qualquer mudança no teste de donos e diretores precisaria do apoio de 14 dos 20 clubes da Premier League. Segundo o Guardian, a liga “reconhece que precisa de donos que beneficiam a competição durante um período de maior escrutínio do público e dos políticos”.

Um componente de direitos humanos parece essencial em um momento no qual governos autoritários, ou pessoas ligadas a eles, se interessam cada vez mais em clubes de futebol para limpar suas imagens, mas não adiantaria em nada se a Premier League aceita que não foi realmente a Arábia Saudita que comprou o Newcastle – como foi alegado no momento da aquisição.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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