Primeiro Manchester City de Maresca na Premier tem solução à la Guardiola que surpreende
Novo treinador viu Citizens sofrerem, mas arrancarem uma vitória nos minutos finais de sua estreia na edição 26/27 do torneio
“Eu também fiquei surpreso“, disse Marc Guéhi sobre uma improvável improvisação de Enzo Maresca logo na abertura da Premier League. O Manchester City venceu de virada o Bournemouth, 2 a 1, em uma atuação irregular e de poucos momentos bons, mas que acabou com final feliz para o mandante no Etihad Stadium.
A vitória foi construída pelos pés de Rayan Cherki, autor de duas assistências. O francês acertou um escanteio certeiro na cabeça de Guéhi no meio da área e, no meio da marcação na entrada da área, tirou da cartola um lindo passe para Josko Gvardiol garantir o resultado.
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O camisa 10 saiu de campo como maior destaque pelo impacto ao sair do banco de reservas, mas não foi o único. Autor do primeiro gol, Guéhi atuou muito diferente do habitual, em uma ideia que poderia muito bem ter sido do antecessor de Maresca, Pep Guardiola.
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‘Sempre achei que Guéhi poderia jogar no meio’, diz Maresca
Zagueiro de origem, capaz de atuar em dupla ou trio em qualquer um dos lados, o defensor deu um “salto” na formação e jogou como meio-campista ao lado de Elliot Anderson contra o Bournemouth. E, não apenas pelo gol, dá para dizer que foi uma boa atuação.
O zagueiro inglês demonstrou um bom nível nas duas áreas do jogo. Defensivamente, desarmou três vezes, teve quatro recuperações de bola e venceu oito duelos (seis no chão e dois pelo alto), segundo dados do “Sofascore”.
Com a bola no pé, não desequilibrou, mas não comprometeu, somando 73 ações com bola, 59 passes (95% de eficácia) e até teve um momento de “ponta”, tabelando e surgindo na direita da área para ceder bom toque que Erling Haaland chutou nas mãos do goleiro ainda com o 1 a 0 contra.
Guéhi empatou aos 34 minutos do segundo tempo e deu o passe para Cherki antes da virada aos 45. “Jogar de volante foi uma ideia do treinador. Trabalhamos nisso durante a semana”, explicou à “Sky Sports.
— Ele está tentando coisas diferentes para o time, e fico feliz que hoje tenha dado certo no fim. Tive muita ajuda jogando ao lado do Elliot. Jogar à frente desses caras ajuda muito, mas também ajuda ter jogadores experientes nessa posição para me orientar durante a partida — completou.
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Enzo Maresca surpreendeu ao dizer que já via o zagueiro como um meio-campista desde quando o acompanhava no Crystal Palace. O defensor nunca atuou nessa função antes.
— Às vezes, você visualiza algumas coisas. Conheço o Marc desde a época dele no Palace e sempre achei que ele poderia jogar como meio-campista porque é muito bom. Então, tentamos isso por alguns dias e acho que ele foi muito bem — revelou o treinador à “BBC”.
Uma ideia à la Guardiola no Manchester City
Ao longo de dez anos, Guardiola acumulou uma série de invenções. Algumas deram errado, mas a maioria deu certo, e uma dessas que foi bem efetiva envolveu um movimento parecido ao de Guéhi. Na conquista da Champions League 2022/23, o Manchester City atuava em uma formação próxima de um 3-2-4-1 no momento ofensivo.
A mudança do momento sem bola para o com ocorria a partir do movimento de John Stones: zagueiro fechado em um 4-4-2 na fase defensiva, ele subia uma linha e se alinhava com Rodri. Como os Citizens passavam quase 70% do tempo com a posse, essa era a imagem na maioria das partidas.
O zagueiro inglês viveu provavelmente o melhor ano de sua carreira, decisivo na Tríplice Coroa daquele ano. Foi a última vez que Stones esteve 100% fisicamente, pois nos anos seguintes as lesões minaram sua continuidade no Etihad Stadium, o que justificou sua saída à Internazionale.
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A escolha de Maresca por Guéhi pareceu mais situacional do que para ser uma realidade para a temporada, mas pode ser interpretada como uma “indireta” à gestão do City. O time perdeu no meio-campo, além de Rodri rumo ao Barcelona, Tijjani Reijnders para o futebol saudita e Bernardo Silva, em fim de contrato, rumo ao Real Madrid.
As opções atuais para fazer dupla de volante são Elliot Anderson, Matteo Kovacic e Nico González, que ainda tem futuro indefinido. A equipe inglesa está nos detalhes finais para anunciar o garoto Bouaddi, de apenas 18 anos, destaque do Marrocos na Copa do Mundo.
O jovem não tem as características de um “novo Rodri”, como Maresca disse que gostaria de encontrar após a saída do espanhol, mas deve chegar para ser titular com Anderson.
Guéhi pode servir como uma opção para mais defensiva e de marcação no meio que o elenco atual não oferece. O jogador brincou se vai continuar na função: “Quem sabe? Talvez no ataque na próxima semana. Vamos ver.”