Futebol inglês

Como Manchester City e Maresca superaram fraquezas para derrotar ‘invencível’ Bournemouth

Equipe teve dificuldades no meio-campo e no setor criativo em estreia na Premier League, mas conquistou vitória na reta final da segunda etapa com zagueiros artilheiros

Enzo Maresca tem problemas para lidar em seu início no Manchester City. E a estreia na Premier League neste domingo (23) diante do Bournemouth mostrou que a reformulação do elenco para esta temporada será ainda mais sentida em meio à transição no comando técnico — apesar da vitória por 2 a 1, de virada, no Etihad Stadium.

Sem Rodri, vendido ao Barcelona, e ainda sem Ayyoub Bouaddi, Maresca apostou em Marc Guehi, zagueiro de origem, improvisado no setor e apoiado por Elliot Anderson. Jack Grealish e Rayan Cherki, outras opções para o setor, iniciaram o duelo no banco de reservas. Além disso, o treinador iniciou a partida com quatro zagueiros no time titular.

Ao longo da maior parte da partida, o Manchester City se mostrou previsível e sem conseguir gerar espaços no ataque para poder explorar a velocidade de seus pontas — uma das características de seu trabalho à frente do Chelsea. Além disso, com Erling Haaland isolado, os donos da casa tiveram dificuldades para chegar ao ataque.

Contratações da Premier League 2026/27: Veja rumores e o vai e vem do mercado

Contratações da Premier League 2026/27: Veja rumores e o vai e vem do mercado

Leia →

As mudanças ao longo da partida fizeram com que o Manchester City, ainda que não fosse tão genial quanto aos anos com Pep Guardiola, chegasse à vitória “na marra”. A legião defensiva, formada por quatro zagueiros, superou as dificuldades do City em campo. Guehi e Josko Gvardiol marcaram na vitória por 2 a 1, de virada.

Desde Mark Hughes, em 2008, um treinador não estreia com o Manchester City na Premier League com uma derrota. Naquele ano, o recém-contratado técnico foi derrotado pelo Aston Villa, por 4 a 2, marca negativa que Maresca esteve próximo de igualar até os 40 minutos da segunda etapa.

Depois de vitória na primeira rodada, o Manchester City volta a campo na próxima sexta-feira (28), fora de casa, diante do Crystal Palace, pela segunda rodada da Premier League. Já o Bournemouth, que sofreu sua primeira derrota em 18 jogos do Campeonato Inglês, recebe o Everton, no sábado (29).

Manchester City não conseguiu incomodar o Bournemouth no primeiro tempo

Impulsionado pela nova era no Etihad Stadium, a torcida do Manchester City recebeu Maresca com um princípio de festa para receber o novo treinador. Nos primeiros minutos, o City teve boas oportunidades para furar o bloqueio defensivo do Bournemouth, principalmente com Rico Lewis, mas não conseguiu tirar o zero do marcador.

Maresca tenta colocar em prática suas próprias ideias, desde a pré-temporada, mas reconhece que levará um tempo até que os jogadores deixem de trabalhar no “piloto automático” após dez anos sob o comando de Pep Guardiola. Além disso, diante das perdas no elenco, o treinador italiano precisou apostar em novos nomes para compor o time titular.

O próprio Rico Lewis, que teve a primeira grande chance da partida, perdeu espaço sob o comando de Guardiola na última temporada. Quando atacou, o lateral se alinhou como um ponta, próximo à Phil Foden — que também ficou mais aberto entre as quatro linhas. O primeiro time titular de Maresca na Premier League, mostrou alguns dos problemas que a equipe deve ter ao longo da temporada.

Maresca conversa com Elliot Anderson no Manchester City
Maresca conversa com Elliot Anderson no Manchester City (Foto: David Blunsden/Action Plus via Imago)

Assim como na Supercopa da Inglaterra, quando foi derrotado pelo Arsenal por 3 a 0, Maresca não contou com as principais peças que construíram o meio-campo do Manchester City ao longo dos últimos anos. Sem Rodri, o time buscou Elliot Anderson e Ayyoub Bouaddi — este que ainda não teve sua contratação oficializada —, mas ainda mostrou dificuldades no setor criativo.

Contra o Bournemouth, Maresca iniciou a partida com quatro zagueiros, e com Marc Guehi atuando improvisado, em função semelhante à de Rodri no meio-campo. Este cenário fez com que, ao longo dos 90 minutos, o Manchester City encontrasse dificuldades para movimentar a bola e acionar seus pontas — Antoine Semenyo e Foden nesta estreia pela Premier League.

Diante de um Bournemouth fechado, e que foi capaz de explorar as fraquezas do Manchester City, Maresca teve dificuldades para encontrar alternativas. Após Marcus Tavernier abrir o marcador, assistido por Evanilson, os Cherries ficaram atrás da linha da bola, se aproveitando da ineficiência dos donos da casa na maior parte do confronto. Haaland, pela primeira vez desde que foi contratado, iniciou uma temporada de Premier League sem marcar na primeira rodada.

Mudanças de Maresca surtiram efeito, apesar das dificuldades do Manchester City

Maresca buscou alternativas para um Manchester City que pouco produziu ao longo da partida. Cherki, Grealish, Matheus Nunes e Mateo Kovacic foram acionados pelo treinador para alterar a dinâmica da partida e a ineficiência na criação. Apesar das dificuldades, o placar ao final dos 90 minutos mostra que o italiano conseguiu superar as adversidades.

Bem marcado, Haaland não teve oportunidades de avançar em velocidade, para explorar eventuais fraquezas da linha defensiva do Bournemouth. Em uma tarde pouco inspirada, os donos da casa conseguiram chegar ao empate justamente nas jogadas de bola parada, que o Manchester City pouco se utilizou no último ano com Guardiola.

Guehi marcou primeiro gol do Manchester City contra o Bournemouth
Guehi marcou primeiro gol do Manchester City contra o Bournemouth (Foto: Mark Cosgrove/News Images via Imago)

Guehi, como volante, não comprometeu, mas também não foi capaz de trazer a mesma criatividade que Rodri e Kevin de Bruyne, por exemplo, já mostraram no Etihad Stadium — algo que não é seu papel no esquema tático. Na pequena área, no entanto, foi responsável por duas das jogadas mais claras do City na partida, que ajudaram a equipe a chegar ao empate.

De cabeça, na metade do segundo tempo, Guehi perdeu um cabeceio sozinho na pequena área, em um momento no qual o Manchester City ainda sofria para criar oportunidades à frente. No segundo lance, aos 40 minutos da etapa final, depois de escanteio cobrado por Cherki, conseguiu vencer Dorde Petrović para evitar que Maresca iniciasse a temporada com marcas negativas.

Cherki também deu a assistência para que Josko Gvardiol virasse o confronto, já nos acréscimos. O lance ainda precisou ser checado por um possível impedimento, assinalado pelo bandeirinha em campo.

Como camisa 10, Cherki foi contratado como um substituto para De Bruyne, viveu altos e baixos com Guardiola, mas mostra que ainda pode ser importante sob o comando de Maresca com as duas assistências na estreia.

Bournemouth mantém ideais que impulsionaram trabalho de Andoni Iraola

A atuação abaixo do Manchester City também passa pelas ideias do Bournemouth. Os Cherries não haviam sido derrotados neste ano até a estreia na Premier League, e mantiveram as estratégias que levaram o clube, sob o comando de Andoni Iraola, a conquistar uma vaga à Europa League na última temporada.

Bournemouth celebra gol marcado contra o Manchester City
Bournemouth celebra gol marcado contra o Manchester City (Foto: Conor Molloy/Imago)

Assim como os donos da casa, o Bournemouth passaram por mudanças no corpo técnico. A saída de Iraola foi acompanhada pela contratação de Marco Rose, ex-RB Leipzig, que manteve as propostas que levaram a equipe a ter oito vitórias e dez empates na reta final da última Premier League.

Contra o Manchester City, o clube cedeu a posse de bola aos donos da casa e explorou as transições no contra-ataque para levar perigo à meta de Gianluigi Donnaruma. Foi assim que Evanilson encontrou Tavernier, em velocidade, na pequena área com um cruzamento. Os Cherries tiveram outras oportunidades para ampliar o marcador, mas não conseguiram aproveitar antes de sofrer a virada.

Rayan, destaque com Iraola e na Copa do Mundo com a seleção brasileira, também teve oportunidades para ir às redes, mas parou em Donnaruma. Foi o nome mais apagado no ataque do Bournemouth, com apenas 50% de aproveitamento nos passes, mas participou do lance que gerou o único gol dos Cherries em Manchester.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo