Premier League

Com o curto prazo resolvido, Liverpool sentiu-se confortável para apostar em Gravenberch

Após a contratação de Endo para ter uma opção sólida na cabeça de área, os Reds buscaram um garoto que estavam monitorando desde o começo da janela

Primeiro, o Liverpool focou no curto prazo com a contratação do experiente Wataru Endo. E depois se sentiu confortável para abraçar um projeto para o futuro. Monitorado desde o começo da janela de transferências pela situação complicada em que se encontrava no Bayern de Munique, o meia holandês Ryan Gravenberch tornou-se o último reforço de um mercado mais movimentado do que o ideal, mas que entregou o que precisava entregar: os Reds têm um novo meio-campo.

O processo passou longe de ser impecável. O Liverpool arrebatou Alexis Mac Allister por um valor baixo e aproveitou a oportunidade de levar Dominik Szoboszlai, acionando sua cláusula de rescisão às vésperas do prazo de validade. Foram dois negócios espertos e rápidos que garantiram uma certa renovação ao setor. Passou a avaliar jogadores jovens para a cabeça de área, com a ideia de preparar a sucessão de Fabinho ou Jordan Henderson – mais um segundo volante, mas que atuou bastante como camisa 5.

Enquanto fazia isso, a Arábia Saudita decidiu que o Liverpool era um terreno fértil para reforçar sua nova liga estrelada e fez abordagens por Fabinho, Henderson e Thiago. Conseguiu levar os dois primeiros. O desejo de ter um volante novo virou necessidade de ter um novo volante. Foram semanas de negociação com o Southampton por Roméo Lavia, sem sucesso. Em certo momento, viu a oportunidade de atravessar o Chelsea e levar Moisés Caicedo. Convenceu o Brighton, mas não o jogador, que insistiu em ir para Stamford Bridge.

Nessa, o Liverpool também perdeu Lavia para o Chelsea e teve que se contentar com uma solução de curto prazo. Endo tem 30 anos, experiência e foi capitão do Stuttgart, com rodagem pela seleção japonesa, e nunca se machuca. Passa a Klopp a segurança de não ter que jogar alguém mais cru aos leões em uma posição vital, o que permitiu a contratação de um jovem que tem enorme potencial, mas ainda precisa melhorar.

Esse cara é Ryan Gravenberch, exatamente o perfil que o Liverpool procura: garoto, mas experiente, com 137 partidas por clubes como Ajax e Bayern de Munique, que pode ser moldado em um meia de primeira linha por Jürgen Klopp. Custou € 40 milhões, completando o investimento de € 172 milhões do Liverpool em quatro jogadores de meio-campo, após as saídas de Naby Keita, James Milner, Alex Oxlade-Chamberlain e Fábio Carvalho (emprestado), além de Fabinho e Henderson.

Por que Gravenberch não emplacou no Bayern de Munique?

Ryan Gravenberch foi o mais jovem da história do Ajax quando estreou, aos 16 anos, em setembro de 2018. Isso é especialmente relevante em um clube famoso pela formação de jogadores. Embora tenha voltado às categorias de base em um primeiro momento, não demorou para se firmar entre os adultos e somou 103 partidas antes de decidir se arriscar em uma liga mais forte. Havia o interesse do Manchester United, treinado por Erik ten Hag, responsável por promovê-lo, e do próprio Liverpool. Ele preferiu cumprir sua palavra ao Bayern de Munique.

– Na minha carreira, eu nunca tive realmente um recuo até esta temporada. Eu sempre fui um grande talento e cheguei jovem ao primeiro time do Ajax. Para mim, esta temporada é apenas a primeira temporada em que estou tendo dificuldades e pouco tempo de jogo. Como jogador, você também melhora com essas experiências. Ainda sou muito jovem e estou feliz que estou passando por algo assim agora em vez de que aconteça pela primeira vez mais tarde – disse, ao site Ajax Showtime, segundo a Sky Sports.

Gravenberch simplesmente não aconteceu no Bayern. As dificuldades bávaras da última temporada são uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo em que poderiam abrir espaço para um recém-chegado porque ninguém jogou muito bem, também foi confusão demais para um garoto que estava se adaptando a um novo país. Até pela necessidade de resultados, nem Julian Nagelsmann e nem Thomas Tuchel abriram mão da experiência de Joshua Kimmich e Leon Goretzka. O holandês foi titular apenas seis vezes.

Não demorou para expressar insatisfação. Em junho, disse que “não queria passar por outro ano” como o anterior e gostaria de jogar mais, “de preferência no Bayern de Munique, caso contrário, em um clube em que possa jogar 100%”. Não será no Liverpool, no qual também terá que brigar por posição, mas deve realmente ter mais espaço após tantas saídas no setor. Segundo o The Athletic, teve gente no Bayern que acho que ele desistiu cedo demais de se firmar no time de Tuchel.

De qualquer maneira, parecia à venda desde o começo da janela. O Liverpool estava monitorando, junto com outros alvos, provavelmente esperando para ver se o Bayern o disponibilizava por um preço mais barato. O Campeonato Europeu sub-21 e as inesperadas propostas por Henderson e Fabinho foram uma distração. Apenas na reta final os Reds voltaram a tentar, e Tuchel achou melhor vendê-lo para reinvestir o dinheiro em um meia mais experiente.

Era para ser João Palhinha, do Fulham, que chegou a viajar a Munique para fazer exames médicos e tirar fotos, mas os londrinos não conseguiram encontrar uma reposição e a transferência foi abortada. O Bayern fica desfalcado no meio-campo, com poucas opções além de Kimmich, Goretzka e agora Konrad Laimer. O negócio pelo menos foi bom: em apenas um ano, transformaram € 18,5 milhões em € 40 milhões, e isso porque ele teoricamente se desvalorizou.

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Como Gravenberch se encaixa no Liverpool?

Gravenberch completou 21 anos em maio. Com muito esforço e dedicação, ainda pode ser o que quiser quando crescer. Por enquanto, pegando mais os tempos de Ajax do que a passagem errática pelo Bayern, alternou entre primeiro e segundo volante, mas com capacidade ofensiva suficiente para ser um meia mais avançado pela esquerda no 4-3-3. O que significa que poderia substituir Alexis Mac Allister. Mas também pela formação de elenco do Liverpool, deve ser um projeto para a camisa 5.

O problema é ver se ele consegue se desenvolver defensivamente para ser o único volante. Dentro do novo esquema de Jürgen Klopp, o 3-2-2-3, não terá problemas na fase ofensiva porque atuará ao lado de Alexander-Arnold na cabeça de área. Sente-se confortável nessa formação, chamada de duplo pivote, ou dois meias centrais mais recuados. Costumava jogar junto de Edson Álvarez, agora no West Ham, quando estava no Ajax e, em suas raras aparições pelo Bayern de Munique, ficou na base do 4-2-3-1, ao lado de Joshua Kimmich ou Leon Gortezka na maioria das vezes.

Terá que mostrar que consegue segurar a barra quando o Liverpool estiver defendendo, e Arnold voltar à lateral direita. Essa é uma função um pouco diferente porque há mais campo para ele cobrir e seus números defensivos não são de especialista, embora ainda seja efetivo. O importante é que tem velocidade, agilidade, inteligência e força física para se integrar ao sistema de pressão de Kopp, e o resto é uma questão de continuar se desenvolvendo.

Com a bola, seu mapa de passes lembra o de Fabinho, mais seguros, sem avançar tanto a posse. A principal diferença é que consegue fazê-lo com arrancadas e dribles muito mais do que o brasileiro. Gravenberch tentou 3,9 fintas por 90 minutos na temporada 2021/22 pelo Ajax, segundo o The Athletic. Tem chegada à área e contribui para a criação de chances. De vez em quando, marca uns golaços de média distância – como Fabinho também fazia.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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