Premier League

Jim Ratcliffe confirma que gostaria de comprar o Manchester United, mas ouviu dos Glazers que clube não está à venda

Torcedor do Manchester United, o bilionário britânico e dono do Nice havia manifestado interesse em comprar os Red Devils em agosto

O bilionário britânico e CEO da gigante petroquímica Ineos, Jim Ratcliffe, confirmou em entrevista ao Financial Times que teria tentado comprar o Manchester United se os Red Devils tivessem sido colocados no mercado, mas desanimou os torcedores que odeiam a família Glazer ao afirmar que os norte-americanos não estão interessados em vender um dos clubes mais ricos do mundo.

Dono do Nice, Ratcliffe fez uma proposta de última hora para comprar o Chelsea, após Roman Abramovich ser forçado a vendê-lo pelas suas ligações com o presidente russo Vladimir Putin, mas não atrapalhou o negócio do consórcio liderado por Todd Boehly, que comanda os Blues desde o fim de maio.

A possibilidade de ser dono do Chelsea parece ter inflamado o desejo de Ratcliffe de possuir um clube da Premier League. Quando saiu uma notícia na Bloomberg de que os Glazers estariam dispostos a vender ações minoritárias do United, alimentando rumores de que poderiam abrir mão do controle do clube, um porta-voz da Ineos disse ao The Times que “se o clube estiver à venda, Jim é definitivamente um comprador potencial”.

Falando em público pela primeira vez sobre o assunto, Ratcliffe afirmou que teve uma reunião com Joel e Avram Glazer, os dois membros da família mais próximos da administração dos Red Devils, e não parece que vai haver negócio. Até deixou claro que é um torcedor do Manchester United que estava na final da Champions League de 1999 no Camp Nou, quando o time de Alex Ferguson conseguiu aquela incrível virada contra o Bayern de Munique.

“O Manchester United é da família Glazer. Eu me reuni com Joel e Avram. Eles são as pessoas mais agradáveis, devo dizer, verdadeiros cavalheiros. Eles não querem vender. O clube é dos seis filhos do pai (Malcolm). Se estivesse à venda no verão (do hemisfério norte), sim, nós provavelmente teríamos tentado depois da coisa do Chelsea. Mas não posso ficar sentado esperando que um dia o Manchester United fique disponível”, afirmou.

“Então o que acontece agora? Temos uma franquia de esportes. Nós temos um terço da Mercedes, na Fórmula 1. Roubada ano passado. O que não temos… futebol é o esporte mais popular do mundo. Temos que ter um clube da Premier. O Nice tem uma história muito interessante. Temos que ver o que podemos fazer com o Nice”, acrescentou.

Embora tenha um dos maiores faturamentos do mundo, o Manchester United não está na briga pelos principais títulos desde a aposentadoria de Alex Ferguson em 2013, o que não passou despercebido pela análise de Ratcliffe.

“Eu administraria de maneira diferente? Eu acho que a resposta sobre o desempenho do Manchester United é simples. A maior correlação de sucesso no futebol é dinheiro. Sem dúvida. Não é a única porque há exceções, como o Brighton. Mas a maior, de longe. Se você tem uma das maiores receitas, você pode contratar os melhores jogadores, você joga o melhor futebol. O Manchester United é um desses. Era um dos três maiores clubes. Os dois da Espanha, Real Madrid e Barça, e o Manchester United. Todos eles tiveram receitas de cerca de € 900 milhões”, afirmou.

No último relatório da Deloitte sobre as finanças do futebol europeu, o Manchester United estava em quinto lugar, também atrás de Manchester City e Bayern de Munique, com cerca de € 560 milhões de faturamento. “Mais alguns se juntaram ao clube agora, claro. Você tem o Bayern de Munique, você tem o PSG. Você tem, mal posso dizer, o Manchester City. E o Liverpool. Mas o Manchester United não está jogando no nível desses outros times no momento. E não o tem feito desde a saída de Sir Alex. Então algo não está… eles não estão a todo vapor. Esse seria meu argumento sobre desempenho”, acrescentou.

A família Glazer é dona do Manchester United desde 2005. Protestos começaram quase imediatamente e seguem até os dias de hoje. Entre as principais críticas, está a maneira como concluiu a transação, endividando o clube. Os Glazers também são criticados por não serem donos próximos, por retirarem dividendos altos e por administrarem os Red Devils mais como negócio do que como clube de futebol. E, também, porque os resultados ficaram relativamente horríveis desde a saída de Ferguson.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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