Premier League

Impedimento semiautomático pode resolver os problemas da Premier League?

Premier League tem sido criticada por erros de arbitragem recentes e considera implementar tecnologia na próxima temporada; só isso, porém, não resolverá todos os problemas

No momento que as críticas à arbitragem inglesa estão em pauta na Premier League por seguintes decisões controversas dentro do campo, a direção da liga tem testado e monitorado o impedimento semiautomático, podendo ser implementado para a próxima temporada (2024/25). O sistema ficou conhecido após ser utilizado na Copa do Mundo do Catar, em 2022, e pode ser a solução para um dos problemas do Campeonato Inglês nesse momento – mas apenas para uma das dores de cabeça da organização.

Maior polêmica da Premier League em 2023 seria resolvida por nova tecnologia, mas orientações da liga são problemas

O impedimento semiautomático teria resolvido a principal polêmica, mais criticada e repercutida da temporada. Na ocasião, em 30 de setembro, pela sétima rodada da Premier League 2023/24, Luis Dias marcou um gol legítimo que daria a vantagem de 1 x 0 para o Liverpool contra Tottenham, quando os Reds já estavam com um a menos. No campo, o bandeirinha marcou um equivocado impedimento e os operadores do VAR naquele dia confirmaram a decisão de campo pensando que tinha sido a de gol. No fim, a partida terminou 2 x 1 para os Spurs, para muita reclamação do clube de Anfield. Depois, a Associação de Arbitragem da Inglaterra (PGMOL) confirmou o erro bizarro.

Além de evitar esse erro, que é atípico, não é normal um VAR fazer o que fez nessa partida entre Tottenham e Liverpool, o impedimento semiautomático traria a natural velocidade na resolução possíveis foras de jogo, mas não é só disso que tem reclamado técnicos e jogadores nesta edição da Premier League.

Há uma clara dificuldade de orientações da liga aos juízes e isso tem refletido dentro de campo. Por exemplo, nos primeiros jogos da temporada, houve um rigor enorme contra reclamações dos atletas aos membros da arbitragem e tudo era motivo para advertência com cartão amarelo. Para se ter uma ideia de como os árbitros não estavam a fim de conversa com os jogadores, a rodada número 2 do atual Campeonato Inglês teve a maior média de cartões na história da era moderna da liga (6,2 por partida), com 57 amarelos e quatro vermelhos (um direto e três por acúmulo) em 10 partidas. A segunda rodada com mais cartões na história da Premier League? A sétima, novamente desta temporada, quando, em média, foram distribuídos seis cartões por jogo. Teve ainda mais amarelos que (58), mas menos vermelhos (dois).

Aparentemente, esse rigor de reclamações foi deixado de lado (provavelmente pelas críticas de todos os lados) e agora os árbitros estão mais pacientes.

Um jogo em específico também ficou marcado por erros graves dos árbitros ingleses – dessa vez, pela leniência com um lance pesado e falta de critério. No duelo entre Manchester City e Arsenal, o meio-campista Mateo Kovacic, já amarelado, deu um carrinho que quase fraturou o tornozelo de Martin Odegaard. O VAR analisou, mas mandou seguir o lance, assunto que rendeu nas semanas seguintes na Inglaterra e sobraram comparações com outras jogadas semelhantes.

Trazendo outro lance que rendeu reclamações do lado que se sentiu prejudicado, o gol da vitória mínima do Newcastle em cima do Arsenal causou a furia do técnico Mikel Arteta, dos Gunners. O tento, marcado por Anthony Gordon, teve a análise de três possíveis infrações pelo árbitro de vídeo (possibilidade da bola ter saído, impedimento e falta). No fim, nada foi marcado, e o treinador do time londrino pode até ser punido pela FA (Federação Inglesa de Futebol) pelas declarações.

A situação da arbitragem inglesa é de descredibilização que há muito tempo não se via. Isso piorou com uma inacreditável declaração do ex-árbitro Mike Dean. Ele assumiu que, durante um Chelsea x Tottenham de 2022 em que era o VAR e Cristian Romero deu um violento puxão de cabelo em Marc Cucurella, decidiu não chamar o árbitro do campo, Anthony Taylor, porque o juiz era “seu amigo” e não queria tornar o jogo mais difícil a Taylo.

– Eu não queria mandá-lo ir ao VAR porque ele é um companheiro e também o árbitro de campo. acho que não queria mandá-lo subir porque não queria mais sofrimento do que ele já tinha – revelou Dean ao programa Up Front with Simon Jordan, em agosto desse ano.

A FA e a Premier League precisam, além da implementação do impedimento automático, definir os critérios mais claramente, saber retroceder (como fez com a questão dos cartões rigorosos) e capacitar os árbitros de forma mais efetiva, evitando contradições e leniência com entradas mais fortes.

Nesse momento na Europa, dentre as cinco grandes ligas, apenas a Série A Italiana conta com o impedimento semiautomático, além da Champions, e La Liga já confirmou que terá a tecnologia no próximo ano. Além da Copa do Mundo masculina, a feminina também utilizou a nova ferramenta, que também estará no Mundial de Clubes 2023 e na Eurocopa 2024.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de esports no The Clutch. Como assessor de imprensa, atuou no setor público e privado.
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