Premier League

Hojlund marca até sem querer, bate recorde, e Manchester United vence Luton Town com dificuldade

Manchester United sofreu para superar o Luton Town em um jogo muito bom

Quando a fase é boa, até sem querer as coisas dão certo. Assim tem sido a realidade do atacante Rasmus Hojlund, autor de dois gols neste domingo (18) na sofrida vitória do Manchester United por 2 a 1 sobre o Luton Town. No pequeno Kenilworth Road, o dinamarquês abriu o placar driblando o goleiro e no segundo tomou uma bolada do colega Alejandro Garnacho que tomou o rumo das redes. Com isso, aos 21 anos e 14 dias, se tornou o mais jovem a marcar em seis jogos seguidos pela Premier League, superando Joe Willock, do Newcastle (21 anos e 272 dias).

O jogo pela 25ª rodada do Campeonato Inglês foi muito equilibrado, com várias e várias chances para os dois lados (terminou com mais de 40 finalizações). Mesmo a um ponto da zona de rebaixamento, o Luton competiu e por muito tempo foi melhor que o adversário.

Invicto nesse ano, o United soma a quarta seguida na Premier League e, em sexto, está se aproximando do pelotão de cima. Agora está apenas três pontos do Tottenham e cinco do Aston Villa.

United começa com tudo, baixa o ritmo e quase toma empate

A partida não deu nem possibilidade de checar as ideias táticas dos técnicos e o placar já estava aberto. O Luton teve a saída de bola, tentou atacar e conseguiu sofrer um gol com pouco mais de 30 segundos. Casemiro deu um chutão para afastar, Amari'i Bell, na intermediária defensiva, tocou para o meio e quem apareceu foi Rasmus Hojlund para carregar até a área, limpar o goleiro e abrir o placar.

A blitz dos Red Devils estava a todo vapor, com o goleiro Thomas Kaminski já tendo que trabalhar em chute desviado de Marcus Rashford. Com seis minutos, o segundo. Sobra de escanteio chegou em Alejandro Garnacho, na entrada da área, que pegou de primeira, a bola explodiu no peito de Hojlund e tomou o rumo das redes. O dinamarquês tinha posição legal pelo vacilo de Ross Barkley.

Agora, sobre estrutura tática dos times, Erik Ten Hag não inovou na escalação, manteve o 4-2-3-1 que tem dado muito certo nesse ano, os mesmos 11 que iniciaram na vitória de 2 a 1 sobre o Aston Villa no final de semana passado. Já o Luton continuou no 3-4-2-1, mas sem o bom atacante Elijah Adebayo, fora por uma lesão no aquecimento.

O time visitante seguia muito melhor. Intenso, criava uma chance atrás da outra. Roubava a bola e já verticalizava, assim que Rashford carregou do meio-campo até a meia-lua, onde bateu colocado para fora. Depois, Garnacho foi outro a arriscar de longe e parou em Kaminski. Nesse momento que o terceiro do Manchester United estava mais perto do que o primeiro dos mandantes, o Luton, que quase não ia ao ataque, marcou aos 14 minutos. Uma rápida escapada pela ponta esquerda chegou em Tahith Chong. O holandês, cria da base dos Red Devils, finalizou, a bola desviou na defesa e virou uma assistência para o capitão Carlton Morris mandar as redes.

Manchester United x Luton Town
Luton Town diminuiu vantagem do United (Foto: Icon Sport)

O time de Ten Hag não demonstrou vergonha nenhuma em apostar nos contra-ataques e dar a bola ao Luton Town, que com meia hora já tinha mais de 60% de posse de bola. A equipe da casa, no entanto, não criava com tanta facilidade, principalmente porque não é treinada para ser protagonista nos jogos e sim para utilizar contragolpes. Para quase empatar precisou contar um erro bizarro de Harry Maguire. O zagueiro tentou bater uma falta rápido e deu de graça para Cauley Woodrow, que teve o chute bem bloqueado por Raphaël Varane dentro da área.

Enquanto o rival ficava cada vez mais recuado, os Hatters pareciam mais a vontade para criar e pressionar. Morris quase fez o segundo quando Garnacho tentou dar uma caneta, perdeu a bola e o atacante inglês bateu de longe, forte, à esquerda do gol de André Onana.

O empate parecia cada vez mais próximo. Amarelado, Casemiro estava muito mal no jogo e o espaço na entrada da área era enorme. Alfie Doughty ganhou a chance de marcar por ali, mas bateu para fora. Ten Hag não esperou nem o intervalo para tirar o lateral-esquerdo Luke Shaw e colocar o zagueiro Victor Lindelöf, pouco antes do apito para finalizar a etapa inicial. Os números refletem bem o que foi o primeiro tempo: 11 chutes do Luton (melhor marca nesta edição da Premier League) contra sete do United, além de 59% de posse de bola aos mandantes.

United brinca de perder gols, e Luton pressiona no fim, mas não empata

Ten Hag trocou mais duas no intervalo. Maguire e Casemiro, ambos amarelados, como Shaw, saíram para as entradas de Jonny Evans e Scott McTominay. Pelos novos jogadores e uma postura mais proativa, o United voltou um pouco melhor. Onana deu um lançamento que deixou Diogo Dalot na cara do gol, mas faltou cacoete de atacante para o português conseguir superar Kaminski. Isso, no entanto, não quer dizer que o Luton ficou no campo de defesa esperando. A postura era a mesma de ter a bola e atacar rápido, especialmente pelos lados do gramado.

Em bom contra-ataque, o Manchester United quase marcou com Marcus Rashford, que mandou uma bomba de fora da área e Kaminski brilhou em bonita defesa de braço esquerdo. O Luton passou a dar muito espaço, e os Red Devils aproveitavam bem. Um contragolpe deixou Bruno Fernandes na cara do gol. O português driblou Kaminski e ia marcar se não fosse um carrinho sensacional de Sambi Lokonga que impediu o terceiro gol.

Com 20 minutos, novamente Kaminski encontrava um rival frente a frente e era driblado. Dessa vez foi Garnacho, que recebeu lançamento de Rashford, limpou o goleiro duas vezes e Bell foi bem para bloquear o chute.

Vale citar um interessante movimento tático do United na etapa final. Na segunda fase de construção, já quando não era tão pressionado, Evans dava um passo à frente e virava um volante ao lado de Kobbie Mainoo. Assim liberava McTominay para atacar mais tranquilo. O ônus disso é ter que segurar Dalot na base da jogada, junto de Varane Lindelöf, lateral que tem feito uma boa temporada.

Rob Edwards deu um novo gás no ataque dos Hatters ao tirar Choung e Woodrow e colocar Andros Townsend e Jordan Clark.

O jogo era lá e cá, a equipe da casa também atacava e o zagueiro Gabriel Osho quase marcou quando ficou sozinho na área. Ele bateu, a bola desviou na zaga e foi lentamente em direção à linha de fundo. Mas os contra-ataques dos vermelhos eram ainda mais perigosos. De novo com o trio de ataque todo participando, terminou com cruzamento rasteiro de Garnacho para Hojlund chutar em cima de Kaminski.

De novo, já depois dos 40 minutos, o United perdeu um gol inacreditável. A partir de uma saída de bola, Bruno Fernandes roubou a bola, chegou na área e bateu cruzado, passando pertinho da trave.

Os últimos minutos foram de muita pressão do Luton, rodando a bola, cruzando e buscando espaços. Encontrou no último minuto, com escanteio na primeira trave e um desvio de Barkley que explodiu no travessão. Não era dia do Luton, e o United venceu.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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