Guia da Premier League 2021/22 – West Ham: A vingança de David Moyes
Moyes retornou ao seu melhor, fazendo muito com menos recursos, e agora a dúvida é se conseguirá confirmar a boa campanha
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Cidade: Londres
Estádio: Estádio Olímpico de Londres (60.000 pessoas)
Temporada passada – 6º lugar
Quando se espera que o West Ham vá bem, ele vai mal. Quando se espera que ele vá mal, ele vai bem. A temporada anterior havia sido um desastre. O rebaixamento de um dos times mais caros da Inglaterra fora do Big Six foi evitado por alguns fios de cabelo, e a pré-temporada havia sido turbulenta. A venda do garoto Grady Diangana ao West Brom gerou uma revolta dos vestiários e críticas públicas do capitão Mark Noble.
Logo, naturalmente, o West Ham garantiu vaga na Liga Europa em sexto lugar a apenas dois pontos da zona de classificação à Champions League.
Como? David Moyes reencontrou a sua magia de fazer muito recursos mais limitados. Exatamente como havia se destacado no Everton a ponto de ser escolhido a dedo para substituir Alex Ferguson no Manchester United.
Certamente não atrapalhou que o estádio Olímpico tenha ficado vazio a maior parte da campanha. Desde a mudança do Upton Park, o West Ham nunca se sentiu realmente em casa, e as arquibancadas eram frequentemente ocupadas com protestos contra os donos.
Diante do silêncio do leste de Londres, o West Ham teve a segunda melhor campanha em casa, com 34 pontos. Não pontuava tão bem como mandante desde 2015/16 quando foi sétimo colocado sob a batuta de Dimitri Payet.
Jogadores como Tomas Soucek e Jarrod Bowen deram um passo à frente, Michail Antonio tornou-se o centroavante que o West Ham não sabia que tinha enquanto esteve saudável, e a chegada de Jesse Lingard em janeiro, emprestado do Manchester United, foi uma injeção de energia.
A melhor arrancada aconteceu entre janeiro e fevereiro, quando o West Ham ganhou sete jogos em nove, e não houve realmente uma má fase. Apenas duas vezes perdeu jogos em sequência. Teve o sexto melhor ataque e a nona melhor defesa. Um pouco mais com a cara do que os torcedores esperavam.
Agora é descobrir se consegue manter.
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Mercado
Principais chegadas: Craig Dawson (Watford), Alphonse Areola (PSG)
Principais saídas: Felipe Anderson (Lazio), Fabían Balbuena (Dínamo Moscou)
O West Ham ganhou a rifa para ficar com Alphonse Areola, emprestado pela sexta vez pelo Paris Saint-Germain. Lukasz Fabianski já tem 36 anos e, a última vez em que ficou afastado por lesão em 2019, foi um Deus nos acuda para os Hammers. Areola é uma ótima cobertura.
O zagueiro Craig Dawson foi contratado em definitivo após uma temporada cedido temporariamente. O salário de Felipe Anderson saiu das contas, e ninguém tentou impedir Balbuena de sair ao fim do seu contrato. O clube londrino tem o costume de fazer negócios mais perto do fechamento da janela e precisará fazer isso novamente porque esta temporada está cheia de compromissos.
Um discurso predominante no futebol inglês é que a Liga Europa mais atrapalha do que ajuda os clubes do meio da tabela. Para contrariar esse senso comum, o West Ham precisa ampliar o seu leque de opções. David Moyes usou apenas 24 jogadores na última Premier League – e isso contando Felipe Anderson, um minuto, e Robert Snodgrass, dois minutos.
Simplesmente não dá para conciliar o Campeonato Inglês, as duas copas nacionais e a Liga Europa com um elenco tão curto.
O elenco
O talento tcheco se destaca no time do West Ham, com Vladimir Coufal pela lateral direita e Tomas Soucek como um volante que entra na área para fazer gols. Foi o artilheiro do time na Premier League, empatado com Michail Antonio, com dez gols. Angelo Ogbonna foi o pilar de sustentação da defesa, acompanhado por Dawson ou por Issa Diop na maioria das vezes. Aaron Creswell, bom na bola parada, foi o lateral esquerdo. Declan Rice – que o torcedor do West Ham espera muito que não seja vendido – fez dupla com Soucek no meio-campo.
Jarrod Bowen, Saïd Benrahma e Pablo Fornals deram velocidade e criatividade pelas pontas para Michail Antonio fazer os gols. A sequência do atacante, porém, foi interrompida por várias pequenas lesões. Lingaard chegou em fevereiro e teve tempo para fazer nove gols.
O elenco ainda conta com alguns jogadores que, por diferentes motivos, não foram tão bem na última temporada, mas sabemos que são talentosos, como Andriy Yarmolenko e Manuel Lanzini.
O técnico
Foi a temporada da vingança para David Moyes. Os fracassos por Manchester United, Real Sociedad e Sunderland o tornaram alvo de piada e memes, mas o escocês de 58 anos nunca deixou de confiar na sua capacidade. Retornou ao West Ham, depois de ser estranhamente dispensado, para salvar o clube do rebaixamento e navegou todas as dificuldades da pandemia e do ambiente conturbado para fechar a melhor campanha do clube desde 1999.
Expectativa para a temporada
Após chegar tão perto de vaga na Champions League, e mantendo todos os seus principais jogadores, o lógico seria almejar um lugar entre os quatro primeiros. O G4, porém, parece muito restrito neste momento e talvez seja melhor garantir uma boa campanha na Premier League, mas focar um pouco mais nas copas. O West Ham não ganha um título desde a Copa da Inglaterra de 1980 e não chega a uma final desde 2006. Na próxima temporada, terá três oportunidades e tem capacidade para aproveitá-las.



