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Guia da Premier League 2021/22 – Manchester United: Chegou a hora de brigar pelo título

Muito bem reforçado e atual vice-campeão inglês, o mínimo que se espera é que o Manchester United finalmente volte a disputar a sério o principal troféu da Inglaterra

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Cidade: Manchester
Estádio: Old Trafford (74.994 pessoas)

A temporada passada – 2º lugar

O Manchester United havia terminado a temporada anterior com um futebol exuberante, o melhor da Inglaterra, impulsionado pela contratação de Bruno Fernandes. Conseguiu arrancar a vaga na Champions League das mãos do Leicester na última rodada e tudo indicava que o trabalho de Ole Gunnar Solskjaer havia finalmente engrenado. O mercado havia trazido mais opções de rotação, necessidade a um time que foi obrigado a repetir as escalações para manter o alto nível de desempenho. Era a hora de dar o passo à frente.

Ele veio, mas não foi suave. O começo da campanha ressuscitou antigas dúvidas sobre a capacidade de Solskjaer para comandar um clube do tamanho do United. Três derrotas e apenas duas vitórias nas primeiras seis rodadas foram um problema. Um ainda maior surgiu na fase de grupos da Champions League. A derrota para o Istambul Basaksehir na Turquia custou caro. Perdeu também para Paris Saint-Germain e RB Leipzig nas rodadas finais e o retorno dos Red Devils à principal competição europeia foi curto demais.

Mas enquanto isso, passava despercebida a ótima campanha do United na Premier League. Após perder do Arsenal na sexta rodada, foram 13 jogos de invencibilidade e até a 35ª rodada, seria derrotado apenas mais uma vez – para o Sheffield United (!). Em janeiro, assumiu a liderança do Campeonato Inglês após a virada do ano pela primeira vez desde a aposentadoria de Alex Ferguson. Aplicou 9 a 0 sobre o Southampton e eliminou o Liverpool da Copa da Inglaterra. Foi avassalador no mata-mata da Liga Europa, retomando as memórias dos melhores esquadrões de Ferguson com a goleada por 6 a 2 sobre a Roma.

Tudo isso foi conquistado com base em um excepcional (e invicto) aproveitamento como visitante. A última derrota do United fora de casa foi em 19 de janeiro de 2020, para o Liverpool, 26 jogos atrás. Mas em Old Trafford conseguiu apenas a sexta melhor campanha como mandante da Premier League porque ainda não conseguiu realmente ser consistente contra equipes que defendem mais atrás e se fecham. Depende demais de soluções individuais e encontrar uma coletiva é a grande missão de Solskjaer.

Porque sem regularidade em casa, será muito difícil acompanhar o Manchester City, ou mesmo o Liverpool, se este voltar ao aproveitamento das duas temporadas em que anotou quase 200 pontos. E para um clube como o Manchester United, com os investimentos que tem feito, o objetivo não pode ser outro.

O mercado

Principais chegadas: Jadon Sancho (Borussia Dortmund), Tom Heaton (Aston Villa), Raphael Varäne (Real Madrid)

Principais saídas: Sergio Romero (sem clube)

O Manchester United preencheu duas lacunas do seu elenco como apenas os clubes mais poderosos do mundo podem fazer. Precisava de mais um atacante de lado de campo confiável para não depender da juventude de Mason Greenwood e dos altos e baixos de Anthony Martial. Agora, com um ataque fenomenal que parte de Jadon Sancho, Marcus Rashford e Edinson Cavani, os outros dois se tornam excelentes opções de rotação. Sancho tem características importantes para a maneira como o United atua. No Borussia Dortmund, ele se destacou em outro time que contra-atacava bastante, e ele também tem qualidade para furar defesas fechadas com drible curto e visão de jogo. Potencial para se tornar um dos grandes ídolos das arquibancadas de Old Trafford.

E Raphaël Varane é simplesmente um zagueiro campeão do mundo e tetracampeão da Champions League. O parceiro ideal para Harry Maguire sempre foi uma discussão no Manchester United. Eric Bailly sofreu demais com as lesões e, com apenas Axel Tuanzebe como opção, Victor Lindelöf acabou se firmando, sem nunca inspirar muita confiança nos torcedores. Varane – que ainda precisa ser confirmado, mas o United já anunciou um acordo com o Real Madrid – resolve a questão.

Em assuntos menos bombásticos, Tom Heaton retornou ao Manchester United para ser o terceiro goleiro, no lugar de Sergio Romero, que saiu do clube ao fim do seu contrato.

O elenco

Muito em breve Solskjaer precisará tomar uma decisão sobre os seus goleiros. David de Gea tem muita moral acumulada pelas barras que segurou durante o trabalho de José Mourinho, mas já esteve em fase melhor, e Dean Henderson pede passagem. O espanhol jogou principalmente na Premier League e na Champions League, e Henderson foi mais utilizado nas copas e na Liga Europa.

A defesa agora está muito bem definida, com Aaron Wan-Bissaka na lateral direita – embora o United procure outro jogador para reforçar o setor e negocia com o Atlético de Madrid por Kieran Trippier -, Maguire e Varane no miolo de zaga e Luke Shaw na lateral esquerda. A última temporada de Shaw ratificou a sua recuperação após uma séria lesão e o bullying de Mourinho. Foi um dos destaques da Euro 2020.

Scott McTominay deixou Nemanja Matic comendo poeira na briga pela primeira vaga no meio-campo e Fred teve a sua temporada mais regular no Manchester United. Paul Pogba teve alguns problemas físicos e, depois de uma excelente Eurocopa, retorna envolto em rumores de transferência porque entra no último ano do seu contrato. Bruno Fernandes apareceu em todos os cantos do gramado e foi o principal fio condutor do United.

Edinson Cavani foi contratado sob desconfianças, após uma temporada acidentada por lesões no Paris Saint-Germain, mas correspondeu, ganhou uma extensão, e agora parece muito mais um titular do que um atacante experiente para ajudar de vez em quando. A temporada terá que começar sem Marcus Rashford, que decidiu ser operado para resolver um problema físico que o atrapalhou durante toda a última temporada. Greenwood, Daniel James e, claro, Jadon Sancho, são os outros atacantes.

O elenco ainda conta com alguns nomes periféricos. Juan Mata renovou o seu contrato para ficar mais um ano no Manchester United. Brandon Williams ganhou minutos como reserva de Wan-Bissaka, e Alex Telles não conseguiu roubar a vaga de Luke Shaw. Donny van de Beek, principal investimento da janela anterior, ainda não mostrou a que veio, e a diretoria aguarda uma boa proposta por Jesse Lingaard, muito impressionante em seu semestre emprestado ao West Ham.

O técnico

Após a aposentadoria de Ferguson, o Manchester United apostou em David Moyes, com um perfil parecido ao do seu lendário treinador, e em figurões como Van Gaal e José Mourinho. Nenhum deu certo. A ideia com Solskjaer foi resgatar um pouco da mística da era dourada de Ferguson com um ex-jogador muito querido das arquibancadas. Até aqui, tem sido uma aventura com altos e baixos. Nos piores momentos, Solskjaer conseguiu arrancar grandes resultados na hora certa para manter o seu emprego, e os últimos 18 meses têm sido um pouco mais seguros. Ainda precisa provar, porém, que tem capacidade de brigar cabeça a cabeça com técnicos como Pep Guardiola e Jürgen Klopp.

Expectativa para a temporada

Tem que ser – pelo menos – brigar a sério pelo título da Premier League. O Manchester United não consegue fazer isso desde a aposentadoria de Alex Ferguson, e Ole Gunnar Solskjar não tem mais desculpas. Recebeu reforços importantes e está há dois anos e meio desenvolvendo o trabalho. Para isso, terá que acompanhar um Manchester City que também se reforçou, um Liverpool que parece mais inteiro e o Chelsea campeão europeu com o reforço de Romelu Lukaku. Não será fácil.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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