Premier League

Foi só um empate contra o Fulham, mas Cavani recompensou a volta da torcida com um golaço que valeu o ingresso

No retorno dos torcedores em Old Trafford, o ingresso valeu por uma pintura de Cavani, arriscando o chute por cobertura do meio da rua

O empate por 1 a 1 contra o rebaixado Fulham em Old Trafford não é um resultado que merece elogios, mas também não influencia na temporada do Manchester United. Os Red Devils não podem mais alcançar o campeão Manchester City no topo da Premier League, ao passo que a vaga na Champions também está assegurada. Mas o placar igualado serve apenas como nota de rodapé, num jogo com outras histórias legais. Primeiro, pelos 10 mil presentes na reabertura dos portões em Old Trafford. Depois, pelo golaço de Edinson Cavani, em seu final de temporada espetacular – que lhe valeu inclusive a renovação do contrato. O tento do uruguaio já valeu o ingresso, num lance que combinou visão de jogo e qualidade para bater na bola. Do meio da rua, o centroavante arriscou o chute por cobertura e anotou uma pintura, que merece concorrer ao prêmio de tento mais bonito do campeonato.

Foi uma felicíssima coincidência que, no primeiro jogo com torcedores em Old Trafford na reabertura dos estádios ingleses, Cavani tenha feito os presentes assistirem a um gol de tal calibre. Já parecia um lance promissor, quando Bruno Fernandes deu um toquinho de calcanhar e habilitou o centroavante. O caminho estava livre para ele disparar e marcar. Porém, Cavani faria melhor. Percebeu Alphonse Aréola fora de posição e, de primeira, bateu direto. A bola encobriu o goleiro e morreu no fundo das redes, como merecia num lance mágico desses, abrindo o placar aos 15 minutos. A face dos torcedores no fundo, enfim presenciando a arte, é impagável. Ainda havia dúvidas sobre o posicionamento do atacante, mas o VAR validou o lance.

Em relação às arquibancadas, é válido destacar como o verde e o amarelo estavam presentes entre os torcedores. As cores originais do antigo Newton Heath, que deu origem ao United, coloriam as tribunas. Marcavam os protestos contra os donos do clube, em atos que se repetem desde a frustrada empreitada na Superliga Europeia – e que, em Old Trafford, geram pedidos mais intensos pela saída da família Glazer.

O gol correspondia ao começo dominante do Manchester United, mas sua superioridade arrefeceu com o passar dos minutos e até permitiu que o Fulham incomodasse no fim do primeiro tempo. Faltou um pouco mais de qualidade nas conclusões contra David de Gea, que aparecia no lugar de Dean Henderson como titular. De qualquer maneira, Aréola seria mais exigido na etapa inicial. O arqueiro faria duas boas defesas em pancadas de Bruno Fernandes. E os Red Devils se limitavam basicamente a isso, com alguns tiros de longe que não deram tanto resultado.

No início do segundo tempo, o Manchester United criou chances para aumentar o placar. Bruno Fernandes cobrou uma falta venenosa para fora e Mason Greenwood era quem mais tentava. O Fulham, mesmo rebaixado, não tinha nada a perder e passaria a testar mais De Gea. E sem que os Red Devils aproveitassem suas oportunidades, acabaram cedendo o empate. O segundo gol poderia ter vindo com Greenwood, que saiu de frente para o gol e carimbou Aréola aos 29. Três minutos depois, os Cottagers fizeram seu tento. Depois do cruzamento de Bobby Decordova-Reid, Joe Bryan apareceu sozinho no segundo pau para cabecear e superou De Gea. Nos minutos finais, o United não demonstraria grande interesse em se esforçar pela vitória, num resultado que não faria tanta diferença.

O Manchester United fica com 71 pontos, na segunda colocação. Já o Fulham é o antepenúltimo, com 28. Fica na memória um dos gols mais bonitos anotados em Old Trafford nos últimos anos. E também a emoção expressa pelos torcedores, após 14 longos meses longe do Teatro dos Sonhos. Foram recompensados da melhor maneira, pelo artilheiro que eles ainda não tinham visto presencialmente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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