Premier League

Demitido do Newcastle, Steve Bruce desabafa: “Este pode ter sido ser meu último trabalho”

"As pessoas me diziam que eu era inútil, um grande desperdício de espaço, um estúpido, taticamente inepto ou qualquer coisa assim"

A demissão de Steve Bruce do Newcastle era uma bola cantada há muito tempo e se concretizou nesta quarta-feira, dia 20. O treinador nunca conseguiu conquistar o amor da torcida dos Magpies, ainda que ele tenha conseguido o objetivo de não ser rebaixado nas suas duas temporadas à frente do clube – um 13º e um 12º lugar. Com a venda para a Arábia Saudita, a pressão para a troca do técnico aumentou e isso acontece depois de apenas um jogo sob a nova direção. Bruce falou sobre a saída e seu período no Newcastle e mostrou bastante desânimo, dizendo inclusive que pode encerrar a carreira de técnico.

Bruce, de 60 anos, é ex-jogador e brilhou especialmente com a camisa do Manchester United, de 1987 a 1996. Assumiu como técnico do Newcastle em 2019, quando teve que substituir Rafael Benítez, que era muito querido pela torcida. Os torcedores foram contra a sua contratação desde o início e se opuseram ao seu estilo de futebol. O próprio Bruce parecia cansado de lutar contra tudo isso.

“Este pode ter sido meu último trabalho”, disse Bruce, em entrevista ao Telegraph. “Não se trata apenas de mim, está cobrando um preço de toda minha família, porque eles são todos Geordies [pessoas que nascem na área de Tyneside, onde fica Newcastle] e não posso ignorar isso”.

“Eles têm se preocupado comigo… Especialmente minha esposa, Jan. Que mulher maravilhosa ela é, incrível, uma mulher fantástica, esposa, mãe a avó. Ela lidou com a morte dos meus parentes e os dela não estão muito bem. E então ela tinha que se preocupar comigo e pelo que estou passando nos últimos anos”.

“Quando eu cheguei ao Newcastle, pensei que poderia lidar com tudo que foi jogado em mim, mas foi muito, muito duro. Nunca realmente fui desejado lá, senti que as pessoas queriam que eu falhasse, ler as pessoas constantemente dizendo que eu iria falhar, que eu era inútil, um grande desperdício de espaço, um estúpido, taticamente inepto ou qualquer coisa assim. Isso foi desde o primeiro dia”, desabafou Steve Bruce.

“Eu tentei aproveitar, sabe, eu tentei. Sempre gostei da luta, provar que as pessoas estavam erradas, mas isso era tudo que parecia ser. Uma luta, uma batalha. Custa um preço enorme porque mesmo quando você ganha um jogo, não sente que está conquistando os torcedores”.

Apesar das críticas pelo estilo de jogo, é fato que Steve Bruce conseguiu manter o time na primeira divisão nas duas últimas temporadas, terminando em 13º na primeira e em 12º na segunda, com 17 pontos de vantagem em relação à zona de rebaixamento.

“Eu fiz o meu melhor, deixo para outras pessoas julgarem se foi ok ou não. Desejo aos novos donos, aos jogadores, torcedores, todo o melhor. Estou empolgado pelo futuro do clube. Isso é o mais importante”, disse Bruce.

O técnico ainda não sabe se voltará a treinar uma equipe um dia. “Nunca diga nunca”, ele disse. “Outro dia alguém me lembrou das duas cabeças que eu fiz o gol contra o Sheffield Wednesday que ajudou o Manchester United a vencer a sua primeira Premier League, em 1992. Ainda estar envolvido no futebol 40 anos depois, bem, eu tive muita sorte. Eu devo ter ido ok como jogador e técnico. É uma vida inteira, de verdade”.

Steve Bruce encerrou a carreira em 1999 pelo Sheffield United, onde também começou como treinador. Passou ainda por Huddersfield Town, Wigan, Crystal Palace, Birmingham, Sunderland, Hull City, Aston Villa, Sheffield Wednesday e desde 2019 estava no Newcastle, clube da região onde nasceu. Bruce é de Corbridge, a 26 quilômetros de Newcastle. Ele e toda a família têm um envolvimento emocional com a região e com o clube, por consequência. Ele não descarta voltar a trabalhar caso receba um convite, mas por enquanto, entra em férias com a família. Diante de tudo que aconteceu nos últimos anos, ele merece.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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