Premier League

Fundo catari não chegou nem perto de comprar o Manchester United

Documento da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos detalha ofertas de compra pelo Manchester United de membro da família real do Catar, que não apresentou garantias financeiras

Antes do bilionário inglês Sir Jim Ratcliffe concluir a compra de 25% das ações do Manchester United por 1,3 bilhão de libras, no fim de dezembro de 2023, a família Glazer recebeu outras propostas pela aquisição do clube. Segundo documento da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos divulgado na quarta-feira (17), o Raine Group, banco norte-americano responsável por sondar interessados e administrar ofertas, foi contatado por mais de 170 potenciais compradores desde novembro de 2022, quando os Red Devils foram oficialmente colocados à venda.

Destes, apenas 26 assinaram acordos de confidencialidade e oito avançaram para uma espécie de segunda fase. No fim das contar, sobraram apenas dois possíveis compradores: o próprio Jim Ratcliffe e Jassim bin Hamad al-Thani, membro da família real do Catar. O catari era considerado o grande favorito, com a imprensa britânica noticiando em junho do ano passado uma oferta de pouco menos de 6 bilhões de libras. Acontece que a realidade não foi bem assim, e o xeique não chegou nem perto de adquirir parte das ações do United.

No documento da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, fica explícito que nunca houve uma oferta de mais de 5 bilhões de libras por parte de Jassim. Apesar de ter sido solicitado várias vezes, ele não forneceu nenhuma cópia das cartas de compromisso de financiamento. Ou seja, não deu garantias financeiras para cumprir até mesmo sua primeira proposta, de 25 dólares por ação ordinária, feita em fevereiro de 2023.

— Sob orientação dos representantes do conselho, Raine indicou ao Licitante A (Jassim bin Hamad al-Thani) que precisava fornecer detalhes de suas fontes de financiamento pretendidas em conexão com sua proposta de aquisição e que sua proposta de aquisição não forneceu valor suficiente aos acionistas. A proposta do Licitante A contemplava a aquisição de todas as Ações Ordinárias ao preço de US$ 25,00 por Ação Ordinária e a proposta não incluía cartas de compromisso de financiamento habituais — informou o registro.

— Os representantes do Manchester United continuaram a informar o Licitante A que o Conselho de Administração não estava preparado para avançar com uma transação pela qual os titulares de Ações Classe A recebiam menos remuneração por ação do que os titulares de Ações Classe B e que o Conselho de Administração iria exigem provas suficientes do financiamento e dos documentos de compromisso de financiamento habituais — completou.

Membro da família real do Catar, Jassim bin Hamad al-Thani (direita) não apresentou garantias financeiras em suas propostas de compra pelo Manchester United (Foto: Icon Sport)

Em abril, o xeique Jassim aumentou sua oferta para pouco mais de 28 dólares por ação ordinária antes de atualizá-la para 30 dólares em maio. Mais uma vez, o filho do ex-primeiro ministro do Catar e presidente do QIB não forneceu cartas de compromisso de financiamento para apoiar suas propostas. A família Glazer e o Raine Group, então, informaram que iriam “considerar um preço de US$ 35,25 por ação ordinária” já que o catari não tinha “apoio suficiente para prosseguir”.

Por fim, Jassim bin Hamad al-Thani retornou em junho com uma ousada proposta de aquisição de todas as ações do clube, precificando as as ações Classe B em 34 dólares e as ações Classe A (as ações ordinárias do mercado estadunidense e acompanhadas de mais direitos de voto que as ações de Classe B) em pouco menos de 25 dólares. Com a diminuição de mais de cinco dólares do valor das ações ordinárias do mês anterior, a oferta não foi aceita e o catari retirou-se do processo em outubro sem apresentar garantias financeiras.

Ratcliffe ameaçou desistir da compra

Além de abrir o jogo sobre a veracidade das investidas de Jassim bin Hamad al-Thani, o documento da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos também detalhou a negociação com Sir Jim Ratcliffe. O bilionário inglês fez quatro propostas aos Glazers, sendo a primeira em fevereiro ao preço de 22 dólares por ação de Classe B.

Ratcliffe acabou sendo convencido a aumentar a oferta para 33 dólares por ação, sempre fornecendo cópias de cartas de compromisso de financiamento. Ao longo do processo, ele também apresentou diferentes opções na tentativa de eventualmente possuir todas as ações do Manchester United, mas sem sucesso.

Mesmo com Jim Ratcliffe aceitando pagar 33 dólares por 25% de todas as Ações Classe A em circulação com um direito de compra de 25% das Ações Classe B pelo mesmo preço, os Glazers não aceitaram a proposta logo de cara. A indefinição foi irritando o bilionário, que em dezembro ameaçou sair do processo caso não recebesse uma resposta positiva até o dia 25 daquele mês.

— O ofertante não estava preparado para aceitar quaisquer outras alterações propostas pelos diretores não afiliados e deu ao Manchester United o prazo de 25 de dezembro de 2023 para aceitar sua melhor e final proposta — afirmou o documento da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos.

Após uma reunião “informal” do conselho entre os diretores do Manchester United, preocupados com a ameaça de Ratcliffe, a proposta foi votada e aceita. Atualmente, o novo dono ainda espera que sua aquisição parcial no clube seja ratificada em meados de fevereiro.

Foto de Felipe Novis

Felipe Novis

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.
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