Premier League

Como foi a experiência anterior de Solskjaer como técnico na Premier League

O Cardiff recebe o Manchester United, no próximo sábado, e o torcedor galês desavisado pode levar um susto ao ver Ole Gunnar Solskjaer no banco de reservas do maior campeão inglês. O norueguês assumiu os Red Devils até o final da temporada, no lugar de José Mourinho, graças à mistura entre os bons sinais do seu trabalho no Molde e o seu histórico em Old Trafford. Porque com certeza não foi pela sua passagem anterior pela Premier League, quando supervisionou o rebaixamento do Cardiff à segunda divisão.

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Depois de parar de jogar, Solskjaer tornou-se treinador dos reservas do Manchester United, tentando aprender o ofício com Alex Ferguson. Em 2011, assumiu o Molde, clube em que havia jogado antes de se transferir para o Manchester United. E fez um grande trabalho. Ganhou o Campeonato Norueguês em suas duas primeiras temporadas e a Copa da Noruega na terceira. Em janeiro de 2014, retornou à Premier League como um treinador promissor, tentando reverter o destino do Cardiff.

O clube galês não disputava a elite do futebol inglês desde 1961/62, passeando entre a segunda e a terceira divisão, às vezes até na quarta, quando conseguiu o acesso como campeão da Championship, em 2012/13. O treinador era Malky Mackay. Em dezembro, na 15ª posição, explodiu a relação entre ele e o dono do Cardiff, o malaio e polêmico Vincent Tan. Em uma carta, Tan disse a Mackay que ele tinha duas opções: pedir demissão ou ser demitido. As críticas tinham a ver com contratações, orçamento de transferências, resultados e estilo de jogo – ou seja, tudo.

Como Mackay não pediu demissão, foi demitido no final daquele mês, um dia depois de perder por 3 a 0 para o Southampton, no Boxing Day. Solskjaer foi anunciado no segundo dia de 2014, com o time em 17º lugar. E chegou contratando dois noruegueses: Mats Möller Daehli, do Molde, e Magnus Wolff Eikrem, do Heerenven. Também assegurou o empréstimo de Wilfried Zaha, do Manchester United. Nenhum deles conseguiu salvar o Cardiff.

Solskjaer perdeu seus três primeiros jogos pela Premier League, contra West Ham, Manchester City e Manchester United. Sequência difícil. Ganhou a primeira, contra o Norwich, mas emendou quatro partidas sem vitória logo em seguida. No total, ganhou apenas três vezes em 18 rodadas. Foram 12 derrotas e três empates. Sob o comando de Solskjaer, o Cardiff sofreu 42 gols, uma média de 2,3 a cada 90 minutos. Foi rebaixado, claro, como lanterna, com apenas 30 pontos.

A porcentagem de apenas 16,7% de vitórias coloca Solskjaer perto dos treinadores com piores aproveitamentos da Premier League, como Paolo di Canio, Jim Jefferies e Brian Laws. Houve muitas derrotas pesadas: 4 a 0 para o Sunderland, 6 a 3 para o Liverpool, 4 a 0 para o Hull City e 3 a 0 para o rival Swansea. Mesmo assim, Solskjaer foi mantido no cargo para a disputa da Championship. Fez 12 contratações, mas não teria muito tempo para aproveitá-las.

A demissão chegou em setembro de 2014, após três derrotas em sete rodadas da segunda divisão. O Cardiff estava em 17º lugar. Solskjaer voltou para o Molde, em outubro de 2015, e não conseguiu repetir o sucesso da primeira passagem. Em três anos e meio, colecionou um quinto lugar e dois vice-campeonatos, embora tenha também conduzido uma boa campanha na Liga Europa. Liderou o grupo na temporada 2015/16, à frente de Fenerbahçe, Ajax e Celtic. Foi derrotado pelo Sevilla na primeira fase do mata-mata.

A primeira experiência de Solskjaer na Premier League não foi boa, mas decorreu em condições muito ruins. Agora, ele assume um dos clubes mais ricos e tradicionais do mundo, no qual tem uma rica história como jogador. Impossível tirar conclusões. Mas, certamente, quando estrear no banco do Manchester United, haverá torcedores do Cardiff na arquibancada que guardam algum rancor contra o norueguês.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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