Cherki brilha, Maresca faz ajustes em esquema curioso e Manchester City goleia Palace
Francês aproveita liberdade para decidir partida, enquanto treinador italiano dá nova dinâmica ao meio-campo
A vitória por 4 a 1 sobre o Crystal Palace, nesta sexta-feira (28), no Selhurst Park, deu ao Manchester City mais do que os três pontos na segunda rodada da Premier League. O resultado também mostrou uma nova possibilidade dentro da estrutura que Enzo Maresca vem tentando construir neste início de trabalho.
Autor de dois gols, Rayan Cherki foi o grande nome dos Citizens e apareceu justamente no espaço em que mais conseguiu fazer diferença: entre as linhas, com liberdade para se movimentar e participar das principais ações ofensivas. Erling Haaland marcou os outros dois tentos visitantes.
A partida também marcou a manutenção do esquema com quatro zagueiros, utilizado na estreia diante do Bournemouth, quando o City buscou uma vitória de virada por 2 a 1. A diferença, desta vez, esteve nos detalhes. Maresca alterou as funções de algumas peças e encontrou uma configuração que deixou Cherki mais solto, ao mesmo tempo em que deu ao meio-campo uma organização diferente daquela apresentada na primeira rodada.
A big win on the road! 💪
🦅 1-4 🐝 @okx pic.twitter.com/ZfAqHZxWHC
— Manchester City (@ManCity) August 28, 2026
Cherki mais livre e um City diferente na posse
Um dos motivos para Cherki ter encontrado tanto espaço foi justamente a mudança no posicionamento dos jogadores ao seu redor. Maresca mandou novamente quatro zagueiros a campo, mas sem repetir a experiência de colocar Marc Guéhi como volante. Contra o Bournemouth, o inglês havia atuado no meio-campo e teve papel decisivo, inclusive marcando o gol de empate. Diante do Palace, voltou à sua posição de origem para formar dupla com Rúben Dias.
Na lateral direita, Khusanov, zagueiro de origem, ocupou o setor e manteve uma postura mais conservadora. Do outro lado, Gvardiol apareceu novamente pela esquerda, função com a qual já está familiarizado desde os tempos de Pep Guardiola. A mudança abriu espaço para que Nico O’Reilly deixasse de atuar quase como um camisa 10, como havia acontecido em determinados momentos contra o Bournemouth, e passasse a dividir a volância com Elliot Anderson.
A configuração deu ao City uma base mais clara para construir as jogadas. Anderson permaneceu mais recuado, ajudando a controlar o ritmo e oferecendo uma opção de passe por trás das movimentações ofensivas. O’Reilly teve mais liberdade para avançar, enquanto Foden partiu de um dos lados e Semenyo ocupou o outro.
Cherki, por sua vez, não ficou preso a uma faixa específica: circulou por dentro, aproximou-se dos meio-campistas e encontrou Haaland como referência mais adiantada. Foi nesse cenário que o francês conseguiu aparecer com frequência.
Com a bola, a estrutura também mudava constantemente. Gvardiol avançava para ocupar o espaço entre Semenyo e Cherki, enquanto Anderson ficava mais atrás para dar sustentação à circulação. Khusanov, pela direita, era mais contido, formando uma espécie de equilíbrio para as movimentações do outro lado. O’Reilly e Foden ainda trocavam posições em determinados momentos, criando novas linhas de passe e dificultando a marcação do Palace.
Nem tudo funcionou de maneira perfeita. A equipe de Maresca concedeu alguns espaços, principalmente quando o Palace conseguiu atacar pelos lados e acelerar as jogadas. Ainda assim, a escolha por quatro defensores não significou uma estrutura rígida. O City encontrou maneiras de transformar a formação inicial de acordo com o momento da posse.
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Como foi a vitória do City sobre o Crystal Palace
Empurrado por sua apaixonada torcida, o Crystal Palace tomou a iniciativa e começou pressionando o Manchester City. Aos poucos, porém, a equipe de Enzo Maresca foi controlando a posse de bola e tomando as rédeas da partida. Com 17 minutos no relógio, em sua primeira boa chance, Haaland abriu o placar. Em cruzamento preciso de Semenyo do bico da grande área, o atacante se desvencilhou da marcação e cabeceou sutilmente para encobrir Dean Henderson.
No segundo tempo, essa configuração se manteve: os Citizens tinham a bola e buscavam brechas na defesa do Palace para aumentar a vantagem, enquanto os donos da casa, mais retraídos, jogavam no erro visitante e vislumbravam contra-ataques.
Aos oito minutos, Cherki marcou o segundo do time de Manchester. Foden roubou a bola no meio-campo, avançou até a meia-lua e serviu o francês, que limpou dois marcadores na área e deu toque sutil na saída de Henderson.
Parecia ser o punhal que liquidaria de vez as chances do Palace. Mas os mandantes reagiram rapidamente. Em linda cobrança de falta, Yéremy Pino acertou o travessão, viu a bola resvalar nas costas de Donnarumma e balançar as redes.
A noite, no entanto, era mesmo de Cherki. Com belo chute de fora da área, o francês tratou de espantar a zebra. E ainda deu tempo de Haaland marcar mais um: o norueguês recebeu de Foden dentro da área e encheu o pé para dar números finais ao duelo.