Premier League

O que levou Romeo Lavia a ser tão disputado e escolher o Chelsea

Aos 19 anos, Romeo Lavia chega com credenciais de um jogador disputado por Liverpool e Chelsea e com qualidades que justificam o desejo dos dois clubes

O Chelsea anunciou a contratação do meio-campista Romeo Lavia, do Southampton, por £53 milhões (€61,9 milhões), além de £5 milhões em cláusulas adicionais. O jogador escolheu os Blues, depois do Liverpool também se interessar pelo jogador e chegar até a se acertar com o Southampton para a venda. Aos 19 anos, o belga tem qualidades que deixam fácil de entender por que ele foi disputado por dois clubes do porte de Chelsea e Liverpool.

“Estou realmente feliz em vir para o Chelsea e ser parte de um projeto empolgante. É um clube de futebol incrível com uma grande história e estou realmente empolgado para começar. Mal posso esperar para conhecer todos meus novos companheiros e construir uma química juntos para conseguir grandes coisas juntos”, disse Lavia.

“Três fatores determinaram a minha decisão. O projeto e a ambição do clube foram fatores chave para escolher o Chelsea, mas também a história do clube. É realmente empolgante ser parte de um clube de futebol e escrever alguma história”, continuou o belga.

“Estou realmente feliz e orgulhoso. É um privilégio ser parte disso e colocar esta camisa. A maioria dos jogadores que contrataram são jogadores que joguei contra e pensei ‘esses jogadores são bons’, então poder trabalhar com eles é um grande sentimento”, disse ainda o meio-campista. “Esses são jovens jogadores e bons jogadores, então será bom fazermos uns aos outros melhores. Esse é o único modo de ter sucesso”.

Lavia é resultado do plano bem-sucedido do Southampton

A campanha do Southampton na Premier League na temporada 2022/23 foi terrível e acabou em rebaixamento. Mesmo assim, Lavia terminou como o melhor jogador do time e desejado por dois clubes do chamado Big Six, pagando caro por ele. Era exatamente o plano que os Saints tinham quando o contrataram da base do Manchester City em julho de 2022.

Lavia começou na base do Anderlecht, da Bélgica, mas se mudou para o Manchester City aos 16 anos, depois do time inglês observá-lo na base e considerar que ele seria um talento importante. Ele se desenvolveu na base dos Citizens, mas antes mesmo de chegar ao time principal, o Southampton, conhecido por sua base, levou o jogador. Só que não o levou para a base: foi para o time principal, mesmo com ele tendo 18 anos.

Lavia se tornou um jogador-chave do Southampton comandado por Ralph Hassenhuttl (que perderia o emprego em meio à campanha ruim) porque ele é capaz de receber a bola sob pressão, mesmo de frente para o próprio gol. Forte fisicamente e com alta qualidade de passe, ele era uma arma importante para os Saints escaparem da pressão soa adversários. Além de sair da pressão, Lavia é capaz de quebrar linhas e fazer bons passes a partir do campo defensivo.

Suas qualidades sem a bola também são relevantes: ele é o único jogador de menos de 20 anos a chegar a 50 desarmes em toda a temporada da Premier League. Ele é destaque também em recuperações de bola (seja por desarmes, seja por interceptações), sendo um dos 15 melhores da liga no quesito na temporada passada.

A passada elegante e a boa condução de bola também são virtudes que fizeram com que ele se destacasse, mesmo em um navio afundando como foi o Southampton. Foi apenas uma temporada com a camisa dos Saints, mas o suficiente para mostrar que o jogador estava, sim, preparado para o mais alto nível da Premier League. O projeto do Southampton de valorizar o jogador e vender funcionou até mais rápido do que o esperado.

Como o Chelsea consegue gastar tanto dinheiro?

Um dos tópicos que surge sempre com a gastança do Chelsea nas últimas três janelas de transferência é como o clube consegue fazer isso, considerando que há as regras do Fair Play Financeiro da Uefa que podem punir o clube se tiver gastos muito maiores que as receitas. Mas os dirigentes do Chelsea acreditam que continuam dentro das regras.

Só nesta janela, o clube já gastou £115 milhões em Moises Caicedo, o que faz chegar a algo em torno de £300 milhões em gastos na janela. Se contarmos desde que os novos donos assumiram o clube, em junho de 2022, os gastos já chegaram a £900 milhões. Isso tudo sendo que o mercado ainda está aberto e o Chelsea ainda pode — e muito provavelmente, vai — fazer mais negócios.

Um dos motivos que faz o Chelsea se preocupar menos é que os gastos com transferências, em termos contábeis e do Fair Play Financeiro, não são contados integralmente de forma imediata. O Chelsea tanto sabe disso que explorou esse aspecto: o valor de transferência e salários é amortizada pelos anos de contrato. Foi por isso que o Chelsea começou a fazer contratos de oito anos com seus jogadores, para estender a amortização e, assim, ter um gasto anual menor. Um movimento que fez com que a Uefa mudasse a regra do jogo: esses valores passaram a só poder ser amortizados em cinco anos.

Além disso, o Chelsea não está em competições europeias nesta temporada, então, neste momento, não tem que se preocupar com o Fair Play Financeiro. O time precisará fazer vendas, muito provavelmente, mas também espera que as contas fiquem em dia até o fim da temporada. Resta saber se isso não é uma aposta em receitas que não virão, uma fórmula que não quebrará o clube (porque os donos são bilionários), mas que pode dar problemas em termos de Fair Play Financeiro, caso o time volte à Champions League ou a qualquer competição europeia. É possível que não seja tão tranquilo quanto os donos pensam e seja necessária outra liquidação no clube, como já vimos nesta temporada.

Seja como for, para esta temporada não há risco nenhum. Para as próximas, certamente essa será uma preocupação. Até porque o Fair Play Financeiro é feito analisando o passado, os últimos três anos. Assim, os dirigentes esperam que terão tempo para corrigir esses, digamos, excessos.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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