Mesmo com derrota para o Manchester City, Bruno Fernandes mostra que é o presente e deve ser o futuro do Manchester United
Regular em uma temporada irregular do Manchester United, Bruno Fernandes tem que fazer parte do projeto para o futuro do clube
Há pouco de bom a se tirar do Manchester United na derrota, de virada, para o rival City neste domingo (3). O time de Erik Ten Hag foi totalmente dominado, seja em posse de bola, finalizações, chances claras, volume de jogo, enfim.
Individualmente, pelo impacto no jogo que poderia ter sido muito mais do que o 3 a 1 com dois gols de Phil Foden e um de Erling Haaland, André Onana foi o melhor pelo lado vermelho por conta de ótimas defesas. No entanto, não foi apenas o goleiro camaronês que teve um ponto de brilho no jogo. De longe o mais diferente no sistema ofensivo, o meia Bruno Fernandes segue sendo a maior fonte das jogadas ofensivas dos Red Devils, e foi quem se sobressaiu em meio à pouca criatividade no setor. É um bom recado a INEOS, empresa que agora toma conta do controle do clube: se há um futuro para se projetar, tem que contar com o português.
Defeat in M11. #MUFC || #MCIMUN
— Manchester United (@ManUtd) March 3, 2024
Bruno Fernandes e suas mil e uma utilidades
Hoje, o United mal atacou, mas, quando ia, era pelos pés do capitão. Os contra-ataques eram basicamente o único caminho, e Bruno estava sempre no meio para fazer a articulação para que a jogada tivesse prosseguimento. Para abrir o placar, ele disparou nas costas da defesa do rival para lutar pela bola, como se fosse um centroavante dos bons. Ganhou a disputa com Rúben Dias, protegeu e segurou a bola até servir Marcus Rashford, que chegou batendo de primeira para marcar um golaço.
Ainda no primeiro tempo, Fernandes voltaria a dar um passe decisivo para fazer um 2 a 0 que complicaria o time de Pep Guardiola, mas Rashford não aproveitou o levantamento perfeito do português na segunda trave e mandou para fora.
Teoricamente o meia central, Bruno Fernandes ainda caiu pelos lados, especialmente o direito, a partir dos movimentos dos atacantes. Ele também tinha um papel importante na recomposição, por dentro ou pela lateral, sempre se doando para marcar o rival.
Vale citar que o camisa oito conseguiu arrumar as duas chances em um time que basicamente não teve saída de bola pelo chão. Quando tentava sair limpo, o Manchester United encontrava um batalhão de rivais de azul e a opção era dar lançamentos ou chutões aleatórios para não perder a bola próxima do gol.
No segundo tempo, as coisas ficaram ainda mais difíceis, e Bruno Fernandes não pôde fazer muito. Nos 90 minutos, ainda reuniu estatísticas interessantes defensivas e ofensivas, como três passes decisivos, 81% de efetividade no passe (29 de 36), três lançamentos certos (de quatro tentados), quatro cortes e três desarmes. Os números são do SofaScore.
Mesmo em uma temporada irregular, o meia português é o mais regular do time. Titular em 26 das 27 rodadas da Premier League (só foi desfalque uma vez por suspensão), ele não foi substituído, jogou 90 minutos todas as 26 vezes.
Nesse recorte de Campeonato Inglês, tem nove participações em gols (três tentos e seis assistências), mas sua importância não está apenas aí e os bons números frente ao City se repetem quase toda rodada. O português distribui, em média, três passes decisivos e praticamente 4 bolas longas a cada 90 minutos, algo de muito impacto na forma do Manchester United criar suas chances. Dos 42 passes que acerta por partida, 30 são no campo adversário. Como um típico “playmarker”, que toca muito na bola, tem 75.7 ações com bola a cada final de semana da liga.
O bilionário Sir Jim Ratcliffe, dono da INEOS, está tendo muito trabalho no United. Já trocou gestores de várias áreas, pretende cortar 300 funcionários e uma reformulação no elenco será inevitável na próxima janela de transferências, além de ter que decidir se o futuro será sob comando de Ten Hag. Se há algo que o novo dono do futebol dos Red Devils pode ter certeza é o nível altíssimo entregue por Bruno Fernandes, que pode liderar o Manchester nessa transição nos próximos anos.



