Premier League

Promessa de 16 anos resgata Arsenal de armadilha montada por mentor de Arteta

Gunners sofrem com armadilha montada por David Moyes, mas conseguem triunfo na segunda etapa para manter larga vantagem em busca do título

Como parar o ataque do Arsenal, em especial as jogadas de bola parada? Esta é a pergunta que tem sido mais feita nas comissões técnicas dos 19 outros clubes da Premier League nesta temporada. A resposta do Everton era simples: evitar que os Gunners tenham qualquer liberdade na área e no setor criativo. E fez efeito até os 44 minutos do segundo tempo, quando o jovem de 16 anos salvou o jogo no Emirates Stadium na vitória por 2 a 0.

Durante mais de 80 minutos, o Arsenal teve dificuldades para criar e furar o bloqueio defensivo imposto pelo Everton. Sem conseguir chegar ao gol, o técnico apostou na juventude e improviso de Max Dowman, que conseguiu gerar o lance do gol: um cruzamento para Piero Hincapié, que contou com a falha de Jordan Pickford e encontrou Viktor Gyökeres para marcar o primeiro do Arsenal no segundo tempo.

Na sequência, no desespero do Everton, Dowman puxou o contra-ataque nos acréscimos da segunda etapa e correu, livre de marcação e sem goleiro, para marcar o segundo gol em um dos confrontos mais difíceis do Arsenal nesta temporada — e que será lembrado em caso do título do Arsenal nesta temporada da Premier League.

Entrada de Max Dowman modificou panorama do Arsenal contra o Everton (Foto: Sally Rawlins/Every Second Media/Imago)

A vitória, em uma partida tão difícil para o Arsenal, faz a equipe de Arteta chegar aos 70 pontos, a dez pontos do Manchester City, na liderança da Premier League. Na próxima quarta-feira (18), encara o Bayer Leverkusen, pela partida de volta das oitavas de final da Champions League. Depois, no domingo (22), enfrenta o Manchester City pela decisão da Copa da Liga Inglesa.

Esquema defensivo do Everton surte efeito até o segundo tempo

David Moyes, que foi o primeiro técnico de Mikel Arteta na Premier League e comanda a quarta melhor equipe como visitante nesta temporada, montou um esquema capaz de anular o ataque do pupilo no Emirates Stadium. Linhas compactas, seis homens à frente de Jordan Pickford e marcação individual nas jogadas aéreas foram suficientes para impedir o Arsenal de chegar com perigo à frente.

No geral, esse esquema de Moyes gerou incômodo ao ataque do Arsenal. Sem conseguir gerar perigo nas bolas paradas — principal arma de Arteta nesta temporada —, os Gunners se viram em uma posição desconfortável durante todo o primeiro tempo e a maior parte do segundo. Tanto que, nos 45 minutos iniciais, apenas uma finalização acertou a meta defendida por Pickford.

Para impedir a bola parada do Arsenal, em especial nos escanteios, Moyes determinou que o Everton marcasse na pequena área, para não dar chances aos mandantes na sua principal arma em 2025/26. Antes da partida, o treinador da equipe de Merseyside até elogiou o aspecto físico deste elenco do Arsenal, e a força da comissão de Arteta nas bolas paradas.

Everton segurou bola parada do Arsenal durante maior parte do duelo (Foto: Katie Chan/Action Plus/Imago)

No início da segunda etapa, além de impedir o Arsenal de criar, o Everton conseguiu levar mais perigo ao gol de David Raya. O arqueiro espanhol precisou fazer boas intervenções para impedir os mandantes de terminar a rodada sem um ponto somado.

Além disso, ainda no início da segunda etapa, Moyes conseguiu fazer sua equipe pressionar a saída de bola dos Gunners. Não só isso, mas mesmo com menos posse de bola, o Everton acertou mais finalizações na meta de Raya e tentou usar o mesmo remédio do Bayer Leverkusen na Champions League: machucar o Arsenal a partir das bolas paradas.

Nesta temporada, quando o Arsenal passou a ter mais dificuldades para marcar a partir da bola parada, Arteta passou a modificar ligeiramente seu esquema para gerar oportunidades de finalização de fora da área. Contra o Everton, Bukayo Saka, Gabriel Magalhães e Eberechi Eze arriscaram chutes da intermediária, mas não conseguiram abrir o placar. Até a entrada de Dowman, aos 30 minutos do segundo tempo, no lugar de Martin Zubimendi, que modificou o panorama da partida.

Gyokeres marcou o primeiro gol do Arsenal diante do Everton (Foto: Sally Rawlins/Every Second Media/Imago)

Assim como Dowman, Gyokeres entrou somente no segundo tempo, para marcar o primeiro gol do Arsenal na partida, que surgiu a partir do único lance de falha de Pickford. O goleiro do Everton saiu desgovernado após o cruzamento do jovem e não conseguiu cortar a bola a tempo de chegar em Hincapié.

No último lance da partida, novamente Dowman conseguiu dominar a segunda bola depois do cruzamento na área do Arsenal, cortou dois defensores do Everton para marcar o gol do alívio no Emirates Stadium, que pôde explodir com a vitória sofrida diante do Everton de Moyes.

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Everton mostra exemplo para a Premier League?

Nesta semana, o Leverkusen já havia conseguido parar as jogadas de maior perigo do Arsenal na partida de ida das oitavas de final da Champions League. O modelo seguido pelo Everton é ainda mais defensivo, já que se utiliza de uma linha de 6 defensiva, e se preocupa mais em não sofrer gols do que levar perigo ao adversário.

Líder da Premier League, o Arsenal tem sido criticado nas últimas semanas pelo volume excessivo de gols a partir de escanteios. Para gerar perigo ao adversário, Arteta treina jogadas em que seus homens possam cercar o goleiro rival, ao mesmo tempo em que essa superioridade numérica dê vantagem aos Gunners na finalização.

A estratégia adotada nesta semana é perigosa, já que expôs o Everton ao volume do Arsenal. Apesar da vitória, Arteta deve tomar como lição a necessidade de explorar outras alternativas para a bola parada, em partidas na qual encontra defesas tão fechadas como a da equipe de Merseyside.

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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