Premier League

5 motivos que levaram o Manchester City a ser tetracampeão da Premier League

Esquadrão de Pep Guardiola chegou ao tetracampeonato inglês inédito neste domingo, ao vencer o West Ham

O Manchester City fez história neste domingo (19). Ao vencer o West Ham, no Etihad Stadium, o esquadrão de Pep Guardiola se sagrou tetracampeão da Premier League, feito até então inédito na competição. Com mais uma atuação incontestável, o Tubarão não tomou conhecimento dos Hammers e chegou ao seu 10º título inglês. Azar do Arsenal, que terminou apenas dois pontos atrás e amargou novo vice-campeonato para os Citizens — o segundo consecutivo.

Elogiar o City de Guardiola é chover no molhado. O trabalho do técnico espanhol à frente do clube de Manchester beira à perfeição, sobretudo quando nos atemos exclusivamente ao desempenho da equipe em solo inglês. Dito isso, a Trivela resolveu listar os cinco motivos que levaram os Citizens ao tetracampeonato inédito da Premier League. Afinal de contas, qual é o segredo desse super time?

Cada título de Premier League conquistado pelo City de Guardiola tem suas particularidades. Alguns fatores acabam sendo repetitivos, é verdade. Mas isso só mostra a consistência e regularidade do processo. Sem mais delongas, vamos aos elementos fundamentais que decretaram o mais novo troféu da galeria do Tubarão de Manchester.

Pep Guardiola

Se o técnico do Manchester City fosse outro, dificilmente o clube teria alcançado o patamar que alcançou. Pep Guardiola é o grande nome desse projeto, e isso é um fato. Em tempos em que a transição ataque e defesa era entendida como uma mera e pragmática ação dentro do campo de jogo, o treinador espanhol mostrou que existia uma forma distinta de se pensar e jogar futebol. E até hoje, seu estilo único lhe proporciona feitos grandiosos.

O City de Guardiola é simplesmente avassalador. Há quem não goste e classifique o modelo tático do catalão como ‘robotizado’. Discordo veementemente. A capacidade que o atual tetracampeão inglês tem de encontrar espaços, furar retrancas e trucidar os adversários é algo fora do comum. As peças ajudam, claro. Afinal, quem não gostaria de ter Rodri, De Bruyne, Foden, Bernardo Silva e Haaland no mesmo time? Mas isso não tira nem um pouco o mérito de Guardiola.

Administrar um estrelado elenco, conectar peças, encontrar soluções e fazer a engrenagem girar com perfeição é o lema de Guardiola. Seu trabalho é genial. Tão genial que até a Premier League, maior e mais forte liga do mundo, se rendeu.

Phil Foden

No último sábado (18), Phil Foden foi eleito o melhor jogador da Premier League 2023/24. Não poderia ser diferente. O garoto prodígio do City fez chover na temporada e, dentro das quatro linhas, é o grande protagonista deste título. Mais do que os gols, assistências e dribles, Foden se destacou por sua maturidade e vontade incansável de fazer a diferença. O jovem meia-atacante, de 23 anos, nasceu para brilhar. E brilhar em Manchester. A identificação do camisa 47 com os Citizens transcende o campo e bola, e algo me diz que se trata de uma relação duradoura.

Decisivo e predestinado. Dois adjetivos que resumem bem a (ainda) curta carreira de Foden. Apesar da pouca idade, o meia-atacante já atua no time principal do Manchester City há sete temporadas. Revelado nas categorias de base do clube, o xodó de Pep Guardiola foi lançado pelo treinador ainda em 2017. De lá para cá, já são 269 jogos, com 87 gols, 52 assistências e muitos títulos.

Falando em título, o conquistado neste domingo (19) certamente tem um gostinho especial para Foden. Pois além de melhor jogador da Premier League, desbancando nomes como Haaland, Ødegaard, Declan Rice e Virgil van Dijk, o camisa 47 subiu de patamar e passou a ser peça fundamental do poderoso time de Guardiola.

Rodri

Do zagueiro mais caro do mundo, Gvardiol, à badalada dupla Haaland e De Bruyne, o estrelado Manchester City conta com um nome pouco midiático, mas indispensável para o funcionamento e sucesso da equipe. Rodrigo Hernández Cascante, ou só Rodri, é este cara: o volante espanhol que exala regularidade e se recusa a perder. Os Citizens estão invictos com ele em campo desde fevereiro de 2023.

Saída de jogo impecável, precisão absurda nos passes e excelente senso de posicionamento. Rodri é sinônimo de eficiência e versatilidade. Autor do gol que deu o título da Champions League ao City na temporada passada, o camisa 16 se comporta como o grande motor desse time. É a partir dele que a mágica costuma acontecer. Sem o volante, a equipe de Guardiola definitivamente não performa da mesma maneira.

Segundo o Observatório de Futebol do Centro Internacional de Estudos de Esporte (CIES Football Observatory), Rodri é o jogador de maior impacto entre mais de 50 ligas. O estudo considerou estatísticas dos atletas em seis áreas do jogo, além do total de minutos de cada um deles em campo nas ligas nacionais e os resultados dos respectivos times. O volante do Manchester City atingiu o maior valor geral jogando na Premier League.

Resiliência

Não importa o cenário do campeonato, o Manchester City sempre dá um jeito de se colocar na briga pelo título. Na atual edição da Premier League, por exemplo, a equipe de Guardiola chegou a ficar atrás de Arsenal e Liverpool em determinados momentos. Azar dos adversários. Mesmo em situações adversas, os Citizens conseguem tirar forças da própria fraqueza momentânea e dão o bote no momento certo.

Não é a primeira vez que isso acontece. Em 2022/23, o Arsenal liderou a Premier League até a 33ª rodada — por vezes com gordura considerável. Mas falhou na missão de se manter no topo. A partir da goleada por 4 a 1 sofrida diante do City, os Gunners perderam o fôlego de vez. A incompetência da equipe de Arteta precisa ser ressaltada, mas a resiliência dos comandados de Guardiola também.

Em 2023/24, o City não chegou a passar o mesmo ‘sufoco’ da última temporada. Porém, novamente mostrou que para vencê-lo nos pontos corridos é preciso beirar a perfeição. Qualquer mínima chance concedida, o Tubarão ataca e não larga a carne.

Capacidade de jogar sob pressão

Por fim, mas não menos importante, a capacidade que o esquadrão de Pep Guardiola tem de jogar sob pressão chama muita atenção. Aliado a resiliência já citada, o espírito vencedor do Manchester City sempre dá um jeito de falar mais alto.

Os Citizens não podiam vacilar nesta reta final, pois qualquer errinho colocaria a liderança em risco. Se o Arsenal foi perfeito de um lado, o Tubarão também tinha que ser. E foi. Mesmo sob pressão, a equipe se portou de maneira impecável e não deu brechas para o bom time de Arteta colocar as asas de fora.

Pensando bem, até colocou. A campanha dos Gunners mais uma vez foi excelente, porém, insuficiente para frear a máquina de títulos chamada Manchester City.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme Calvano

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
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