Premier League dos Tronos

Para celebrar o retorno do seriado, que está em sua terceira temporada, o tumblr “The Fifth Pitch”, dedicado a debochar dos clubes ingleses e seus principais personagens, teceu um paralelo entre os mais conhecidos participantes da Premier League e algumas das tradicionais “casas” presentes na série de livros “As Crônicas de Gelo e Fogo”, escritos pelo americano George R. R. Martin.
Os símbolos dos clubes foram revisitados e ganharam lemas alternativos, que parodiam os adotados pelas famílias mais destacadas nos livros. O resultado você confere a seguir, com a tradução do material original (a parte divertida), acompanhada de algumas cornetadas deste que vos escreve (a parte cretina):
Arsenal
Sobra também para o treinador Arsène Wenger, considerado orgulhoso e teimoso, assim como o patriarca Ned Stark. Os valores familiares de um clube que gosta de pegar jogadores jovens para criar (sem maldade) também entram na comparação, ainda que não se tenha notícia de nenhum Stark que tenha sido vendido a outra casa, tão logo assumisse a faixa de capitão de seu exército.
O famoso lema da Casa Stark, “O inverno está chegando”, que até serviu de slogan para a primeira temporada do seriado, foi adaptado como “A glória está chegando” e retrata a mentalidade de “na próxima temporada, nós vamos ganhar” que sempre toma o clube londrino, antes que a realidade inevitavelmente desabe sobre a sua cabeça. Em bom português brasileiro, poderia ser traduzido como “Agora vai!”.
Chelsea
Chelsea e Lannisters guardam semelhanças também na forma ruidosa com que gostam de defender a sua reputação. Embora o site inglês zombe que muitos torcedores rivais continuam se perguntando: “mas que reputação?”. O pomposo lema “ouça-me rugir” foi traduzido pelo Fifht Pitch como “Ouça-me lucrar”, mas há de se perguntar se o barulho que tanto ouvimos não é apenas o som de moedas escorrendo pelo ralo. A verdade é que para os torcedores fanáticos da equipe, os títulos recentes valem cada centavo gasto, pois marcam a fase mais grandiosa da história da agremiação.
Liverpool
Desesperados para recuperar o seu lugar entre os grandes, tanto Liverpool quanto os Targaryen acabaram confiando em que não deviam, o que acabou atrasando no seu processo de retomada. No caso do clube, podemos citar os magnatas americanos George Gillet e Tom Hicks, que até levaram os Reds a uma final de Liga dos Campeões, mas não enganaram por muito tempo.
“Fogo e Sangue”, o mote da Casa Targaryen, soa um tanto violento demais para quem prefere a poesia de um igualmente voluntarioso “You’ll never walk alone”. Por isso, o site inglês optou por uma frase que reafirma o orgulho com que o torcedor do Liverpool relembra o seu glorioso passado. A partir da crença em “História e História”, os vermelhos buscam reviver os seus melhores dias e esperam que John W. Henry, o novo dono do clube, Brendan Rodgers, o seu esforçado treinador, e o interminável Steven Gerrard tenham a força de três dragões para reerguer a instituição o mais rápido possível.
Manchester City
Os Tyrell são, por assim dizer, alpinistas sociais. Evitam confrontos diretos e preferem subir na vida por meio de alianças, fazendo uso de voz mansa e jogo de cintura. Mas que ninguém se deixe enganar: eles querem muito. Eles querem tudo. O lema “Crescendo forte”, deixa isso bem claro. O Manchester City foi presenteado com um jocoso “Pagando forte”, uma referência aos gastos exorbitantes do clube com a folha salarial. Que o diga Yaya Touré, o quarto jogador mais bem pago do mundo, atrás apenas dos alienígenas Messi e Cristiano Ronaldo e do garoto-propaganda David Beckham.
Manchester United
Ainda que não faça uso de táticas ilícitas, fica difícil para Ferguson negar o seu pacto muito bem amarrado com o tinhoso. O United raramente tropeça, enquanto os adversários sempre caem em um feitiço ali e outro acolá. Sem falar nos gols marcados nos acréscimos do segundo tempo, o já tradicional Fergie Time. O lendário treinador é comparado então a Melisandre, a sacerdotisa do fogo, que tem Stannis Baratheon na mão, cheia de promessas, caras, bocas e poses. Afinal, a Casa Baratheon também está sempre por cima, ainda que não suje tanto as mãos quanto os Lannister (repare que estes são sempre o centro das atenções).
A cornetada mais ácida fica para a tradução do lema Baratheon. De “Nossa é a fúria”, saiu um “Nossa é a fraude”. Os diabos vermelhos são mesmo “o coisa ruim” na cabeça de quem fez a adaptação.
Tottenham
Surgia assim uma animosidade nem um pouco disfarçada entre as duas casas. Lembra que o Arsenal foi comparado mais acima à Casa Stark? Pois bem, gunners e spurs respiram uma rivalidade tão ou mais acirrada, manifestada a cada derby do norte de Londres. E é assim, nas sombras, suspirando alto, que Tottenham e os Greyjoy seguem pela vida, sonhando com um futuro melhor, mas sem se mexer muito para conquistá-lo. As novas gerações, no entanto, parecem mais ambiciosas. Gareth Bale e Theon esperam conseguir alcançar tudo que os seus antecessores mal se atreviam a cobiçar. Entre eles, acredito bem mais na capacidade do primeiro.
O lema dos Greyjoy é dúbio: “Nós não plantamos”. Serve tanto para se referir à impossibilidade de praticar a agricultura em terras pouco ou nada férteis, quanto ao fato de que a maioria de seus habitantes sobrevive de pilhagens feitas a embarcações estrangeiras. O criado para o Tottenham é tão sincero quanto, mas transbordando pessimismo: “Nós não triunfamos”. Que fase. Que já dura 52 anos, quando os lilywhites levaram o título inglês pela última vez.









