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Guerra dos Tronos

O verão está chegando. Mas antes que seus primeiros raios de luz aqueçam o Velho Mundo, é preciso decidir quem mandará naquelas terras. Povos dos quatro cantos da Europa se enfrentaram, mas apenas quatro reinos sobreviveram na luta pelo posto de dono do continente. Ao vencedor, não as batatas, mas um trono. Que não vem acompanhado de coroa e cetro, mas do valioso Santo Graal de grandes orelhas de abano. Quem estiver da posse dele terá também o direito de fingir que não se importa em vencer o representante do Novo Mundo, em duelo a ser realizado no arquipélago onde nasce o Sol, valendo o último território à sua escolha deste imenso tabuleiro de War chamado Terra.

Guerras são imprevisíveis, mas o palco final da batalha já foi decidido com antecedência. A vantagem de lutar em sua própria trincheira, no entanto, ainda é um direito a ser conquistado pelos bávaros de Munique, que vêm de tranquila vitória sobre uma tribo mediterrânea mais acostumada a lutar por convites para orgias e banquetes com open bar da Côte D'Azur, do que em ansiar por grandes conquistas. Já os bávaros, têm grande tradição bélica e procuram restaurar o domínio que exerceram durantre os tempos do grande Kaiser. Para tal, contam com alguns bons valores na tropa, de talento já comprovado.

Um dos destaques é um ogro, que apesar do rosto cheio de cicatrizes de batalha, tem um bom coração. Pode perguntar a qualquer cortesã de origem argelina, que ela vai lhe confirmar, ainda que sob ameaças. Ainda mais letal é o egoísta gladiador holandês, acusado de ter um só golpe. O problema é que quando ele o desfere, poucos conseguem resistir à gravidade dos ferimentos. Os eficientes germânicos contam também com uma valorosa equipe de táticos engenheiros e um troglodita, quase sempre responsável pelo golpe final. Armas afiadas, mas que parecem pouco, quando comparadas ao arsenal do exército vindo de Madri.

As forças da realeza espanhola são comandadas por um impiedoso general, de currículo recheado de campanhas muito bem sucedidas, dos vales do Tejo e do Tâmisa às terras planas da Lombardia. Hábil estrategista e notório falastrão, o comandante é adepto de provocações, pequenas armadilhas montadas para tentar desestabilizar seus oponentes mais ingênuos, como o bobo-da-corte cipriota que ousou cruzar o seu caminho. Para o general, vale tudo no front, menos golpear as partes íntimas e… bem, dedo no olho já faz parte de seu repertório.

Megalômano, o general almeja construir um grande império, que se estenderia desde o seu umbigo até onde o seu ego alcança. Coisa pra deixar Alexandre, o Grande, se sentindo como Alexandre, o Pequerrucho. Para tanto, conta com o mais completo conjunto de guerreiros, de origens e personalidades bastante díspares. Seja cristão ou otomano, carniceiro ou afável, todos que compartilhem do mesmo ideal de vingança têm vez em seu exército. Liderados pelo vaidoso e imponente soldado que interrompe carnificinas para ajeitar o topete, pretendem se apoderar da fortaleza bávara em forma de pneu, para receber por lá a visita dos seus maiores rivais, os diminutos seres de Barcelona, a Lilliput catalã.

Considerados anões pelos seus rivais, os catalães preferem se ver como duendes encantados (ui). Na verdade, estão mais para Lemmings, usando do trabalho de equipe para superar sua fragilidade física. Especialistas em dar o bote nas armas alheias e manterem a posse delas até que apareça uma brecha na retaguarda adversária, contam com os poderes de um narigudo que é desprezado em sua terra natal, mas venerado no mundo todo por seu talento em fazer, cotidianamente, o inesperado. Bons moços a ponto de voltarem ilesos de um bunga bunga milanês (talvez porque do Ronaldinho Gaúcho eles não sintam a menor falta, nem travestido em corpo de stripper), são vistos como os mocinhos da história por muitos. E vilões por outros tantos.

Se alguém tem direito a encará-los como vilões são os bretões de vestes azuis. Certa vez, em uma batalha cheia de violações, ignoradas de forma escandalosa pelo Tribunal de Haia, foram batidos por uma bala de canhão no apagar de lamparinas da Torre de Londres. Têm em um cafajeste sacerdote o seu líder espiritual, famoso por fornicar livremente com as esposas de todos os habitantes do reino. De modos rudes e caráter condenável, o mal encarado feiticeiro, junto com os seus bispos-senadores, ofereceu um virgem (pelo menos nerd ele é) lusitano em sacrifício ao deus Abramovich, crença importada das estepes petrolíferas russas. Desde então, a fartura voltou a atravessar as pontes de Stamford. Gerando a confiança de que podem desbancar qualquer um. Até mesmo os vitoriosos trombadinhas catalães.

A sorte está lançada. Quem vencerá a guerra e reinará de forma soberana em solo europeu? Façam as suas apostas.
 

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Equipe Trivela

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