Inglaterra

Premier League analisará até intenção do jogador de ataque para reduzir quantidade de pênaltis marcados

Após temporada com recorde de pênaltis, a comissão de arbitragem da liga inglesa quer evitar lances em que o atacante busca a falta dentro da área - e que acabam premiados pelo VAR

Após a temporada com mais pênaltis em sua história, a Premier League decidiu que será mais criteriosa na marcação desse tipo de jogada na próxima temporada para evitar principalmente lances em que os jogadores procuram a falta dentro da área, afirmou o presidente da comissão de arbitragem da liga inglesa, Mike Riley.

Os árbitros terão que levar três critérios em consideração: não apenas se houve contato, mas o nível do contato; qual foi a consequência daquele contato; e como o jogador do time que está no ataque reagiu ao contato. Segundo Riley, é uma maneira de neutralizar a “análise forense” do assistente de vídeo que permite a busca por um pênalti diante do menor contato – que, em câmera lenta, é muitas vezes superdimensionado.

Foram 125 penalidades máximas na última temporada, e as novas orientações foram cunhadas após conversas com clubes e jogadores da primeira divisão da Inglaterra.

“Fundamentalmente, queremos uma abordagem que permita que os jogadores se expressem, que permita que a Premier League seja fluída”, afirmou Riley, segundo o Goal.com. “Isso significa que a equipe de arbitragem – tanto os árbitros quanto o VAR – não intervenha em infrações triviais. Vamos criar um jogo fluído, em que o critério para intervenção seja um pouco maior do que foi na última temporada”.

“A mensagem clara da nossa consulta foi que o futebol é um jogo de contato. Então, os princípios que estabelecemos são que o árbitro precisa procurar o contato, estabelecer um contato claro e se perguntar: ‘Esse contato teve consequência?’ E depois se perguntar: ‘O jogador (de ataque) usou esse contato para tentar ganhar um pênalti?’.”

“Não é mais suficiente apenas dizer: ‘Sim, houve contato’. Acho que em parte entramos nessa mentalidade por causa da análise forense do VAR. O contato em si é apenas parte do que os árbitros devem procurar. Considerem consequência, considerem a motivação do jogador também. Se você tem um contato claro, um jogador ficou em pé, a bola se afastou, perdeu a posse, temos que voltar e lhe dar um pênalti. Acho que isso volta o ponteiro para onde provavelmente estávamos no mundo pré-VAR”, completou.

De acordo com o Guardian, Riley também afirmou que o feedback dos jogadores, “tanto de defesa quanto de ataque”, lhe passou a mensagem de que eles querem que o pênalti seja resultado de uma “falta de verdade que tenha consequência” e não “um contato leve que alguém tenha usado para cair e ganhar um pênalti como recompensa”.

Além disso, Riley também falou sobre o teste que a Premier League fará com linhas de impedimento mais grossas na análise do assistente de vídeo, uma maneira evitar aquelas anulações de gols por um milímetro de posição irregular que apenas a tecnologia consegue flagrar.

“Nós estamos reintroduzindo o benefício da dúvida ao jogador de ataque. Efetivamente, estamos devolvendo ao jogo 20 gols que foram anulados na última temporada pelo uso de uma análise forense. São as unhas, os narizes dos jogadores, que na última temporada eram impedimento – nesta temporada, serão posição legal”, explicou.

Riley afirmou que as novas orientações da Premier League se inspiraram na maneira como o VAR foi utilizado na Eurocopa, embora, pelo que ele detalhou (e pela opinião quase consensual da imprensa e do público), o pênalti sobre Sterling contra a Dinamarca na semifinal não deveria ter sido dado.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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