Inglaterra

Tottenham: Análise de De Zerbi sobre sua filosofia de jogo surpreende

Italiano chega para salvar os Spurs da briga contra o rebaixamento faltando sete rodadas

Roberto De Zerbi foi anunciado como o novo treinador do Tottenham e, depois de ser alvo do clube para o início da temporada, quando ainda comandava o Olympique de Marselha, terá agora o trabalho de salvar os Spurs do rebaixamento.

O italiano será o terceiro treinador da equipe na temporada, depois de Thomas Frank e Igor Tudor, e assume o time na 17ª posição da Premier League. Sua contratação foi vista com dualidade: animação pelo estilo de jogo ofensivo e agradável esteticamente, mas receio, por ser um estilo arriscado e que historicamente sofre muitos gols.

Em sua primeira entrevista coletiva como técnico do Tottenham, nesta sexta-feira (3), De Zerbi sanou as dúvidas. Falou sobre sua filosofia “romântica”, mas que, com apenas sete jogos, instaurá-la completamente não será a prioridade.

A trajetória de De Zerbi antes do Tottenham

Entre outros assuntos abordados na coletiva, o italiano foi extenso ao falar sobre sua ideia de jogo. De Zerbi é conhecido desde os tempos do Sassuolo, quando teve sua primeira experiencia longeva em um clube de primeira divisão, entre 2018 e 2021, pelo futebol ofensivo.

Seus times chamam a pressão, convidam adversários a darem o bote, para acelerar com passes curtos e velocidade em conduções nas costas da defesa. Usa muito o goleiro e os zagueiros para isso, e eles se tornam os grandes armadores do time.

De Zerbi pelo Brighton
De Zerbi pelo Brighton (Foto: IMAGO / Sportimage)

Seu Shakhtar Donetsk encantou analistas e amantes de futebol por um curto período, impactado pela invasão russa à Ucrânia que limitou o trabalho a apenas 30 jogos — mas com 72% de aproveitamento.

No Brighton, classificou o time pela primeira vez à Europa League e foi crucial para o desenvolvimento de jovens jogadores, como João Pedro. Seu estilo ofensivo rendeu elogios de gigantes da profissão como Pep Guardiola e Jürgen Klopp, além de um contrato com o Olympique de Marselha.

Na França, foi vice-campeão da Ligue 1 em sua temporada de estreia e, na atual campanha, viveu com resultados mistos e polêmicas internas no elenco até ser demitido, mas o estilo de jogo não mudou. E foi o que o levou ao Tottenham.

- - Continua após o recado - -

Assine a newsletter da Trivela e fique por dentro do melhor conteúdo de futebol!

Um conteúdo especial escolhido a dedo para você!

Aoa se inscrever, você concorda com a nossa Termos de Uso.

De Zerbi ‘defensivo’ no Tottenham?

Se a defesa nunca foi o foco quando se analisava Roberto De Zerbi, o próprio treinador explicou durante a coletiva que, agora, ele precisará mudar e priorizar vencer jogos.

“Acho que não é o momento certo para falar sobre a minha filosofia de futebol. Estou aqui agora, no final da temporada, porque precisamos vencer os jogos. No futebol, o estilo de jogo e a disposição tática são importantes. Existe uma mentalidade e eu gostaria de ajudar o jogador a atingir a melhor mentalidade que pudermos demonstrar“, disse.

O italiano priorizou destacar sua contribuição com a mentalidade dos jogadores e reerguer o ânimo do elenco para a reta final. Mais do que isso, reforçou o compromisso: será treinador dos Spurs na próxima temporada mesmo se for rebaixado.

Roberto De Zerbi Marseille
Roberto De Zerbi com o Marseille em fevereiro de 2026. (Foto: IMAGO / PsnewZ / Christian Liewig)

“Assinei um contrato de cinco anos porque, para mim, é um grande desafio e eu serei o treinador do Tottenham na próxima temporada, não importa o que aconteça“.

De Zerbi ainda reforçou seus ideais: ser ofensivo, ter a bola e criar de forma volumosa. Mas foi categórico ao dizer que o Tottenham precisará defender muito bem, além de não ter tempo para trabalhar de forma muito complexa.

Eu amo manter a bola, amo a posse, amo criar chances de gol. Mas, ao mesmo tempo, amo ter 11 defensores quando não temos a bola, porque no futebol atual temos que atacar com 11 jogadores, inclusive com o goleiro. Temos que defender com 11 jogadores quando a bola não é nossa. Acho que, neste momento, não temos tempo para trabalhar profundamente em mais princípios, mas temos que saber o que precisamos fazer em campo. Temos que levar em conta as qualidades dos jogadores”.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo