Pior jogo inglês dos últimos tempos

O 0 a 0 desta sexta-feira com a Argélia não foi só pior do que o empate com os EUA na estreia da Inglaterra. Foi, certamente, o pior jogo do English Team nos últimos tempos, se não o pior sob Capello. Apesar de uma ou duas boas jogadas no final da partida, não é exagero dizer que, durante a maior parte do jogo, a Argélia esteve muito mais no comando do que a Inglaterra – embora tampouco os africanos tenham ameaçado de fato o gol adversário.
Além de deixar a equipe sob risco de nem ao menos chegar às oitavas de final – ou, quase tão ruim, de chegar a elas e enfrentar a Alemanha –, a partida serviu também para demolir qualquer confiança que os ingleses ainda pudessem ter de que estão entre os favoritos ao título. A volta de Barry, se funcionou do ponto de vista defensivo, não serviu para que Lampard e Gerrard jogassem melhor.
Para piorar, Capello agora só pode contar com um goleiro, já que queimou Green de maneira stevemaclarenesca. Não é o caso de se perguntar se o goleiro do West Ham poderia se recuperar do frango no primeiro jogo, já que no próprio jogo ele se recuperou, e fez uma defesaça. Agora, porém, se tiver que jogar terá perdido qualquer vestígio de confiança. Como, para os padrões ingleses, Hart ainda é um bebê, Capello terá que contar com David James, o Calamity James, até o último jogo da competição.
Além do péssimo resultado, o futebol jogado assustou. Lampard e Gerrard mais uma vez não conseguiram jogar juntos; Lennon não tem feito pela direita a bagunça que se esperava que fizesse nas zagas adversárias; Acshley Cole sobe pouco pela esquerda, enquanto Glen Johnson abriu em campo uma avenida pela qual trafegou a população inteira da Argélia; e Emile Heskey é um poste em campo.
Não podia ser pior? Claro que podia! Jamie Carragher, que mais uma vez deixou a desejar, está suspenso para o próximo jogo, ou seja, ou Upson ou Dawson será titular. Ao lado do escolhido estará ninguém mais que John Terry, zagueiro que nunca foi brilhante tecnicamente, mas era um líder. Isso antes de se tornar uma piada ambulante.
Tudo indica que uma melhoria no futebol da Inglaterra passa por sacrificar um dos medalhões. Lampard ou Gerrard têm que dar lugar a Milner ou Cole pela esquerda. O jogo fluiria melhor pelo meio, o time saberia em quem concentrar o jogo, e Cole acrescentaria mais uma jogada ao repertório do time.
Passa também, parece, por trocar Heskey por Crouch ou Defoe. O atacante do Aston Villa fez durante as elminatórias o papel que Capello precisava que ele fizesse, mas já teve sua chance, ou melhor, suas chances, e foi inefetivo. Se não quiser mexer no esquema, o treinador pode simplesmente trocá-lo por Crouch.
No final das contas, o que importa é que agora a Inglaterra precisa vencer a Eslovênia para passar de fase, e o adversário jogará pelo empate. Os ingleses são muito melhores que os eslovenos, e estamos falando de um adversário europeu, ou seja, pode ser que a camisa faça diferença.
O talento, sabe-se, está lá faz tempo. O que parecia ter mudado, porém, não parece mais. A Inglaterra pensa que é gigante, mas só até que olhem em seus olhos. Aí, ela se encolhe e teme até os menores perigos. Resta esperar que tenham sido apenas duas partdas ruins, e não que as eliminatórias tenham enganado a todos, e que o time é mesmo tão ruim quanto era o de Steve Mclaren.



