Inglaterra

‘Guardiola corre o risco de se transformar em um tributo a Mourinho’

Técnico adotou no Emirates Stadium a postura defensiva que sempre repudiou e só aumentou lista de alertas do Manchester City

A postura que Pep Guardiola adotou no Manchester City durante o segundo tempo do empate com o Arsenal no domingo (21), pela Premier League, causou certa estranheza.

Os Citizens tinham a vantagem de 1 a 0 no placar devido ao gol de Erling Haaland ainda na etapa inicial. Nos 45 minutos finais, os comandados por Mikel Arteta se lançaram mais ao ataque em busca do empate, o que fez Guardiola mudar completamente suas ideias, como ressaltou Oliver Brown no em artigo no “Telegraph”.

— Pep Guardiola corre o risco de se transformar em um tributo a Mourinho ao estacionar o ônibus [estratégia bastante defensiva] — escreveu o jornalista.

Mourinho, que agora treina o Benfica, sempre buscou a solidez defensiva nas equipes que comandou. Quanto mais o tempo passa, menos o português vê problemas em focar em se proteger do ataque adversário se isso significar manter os três pontos.

O método nunca havia sido de agrado de Guardiola. Até a partida de domingo.

Números ligam alerta sobre estratégias de Guardiola no City

Em Arsenal x Manchester City no Emirates Stadium, os visitantes chegaram a jogar com cinco atletas na defesa para se precaver das ofensivas dos Gunners e manter a dianteira.

Com pouco mais de 20 minutos no relógio, Phil Foden, atacante, saiu para dar lugar ao zagueiro Nathan Aké, e depois Erling Haaland foi substituído pelo volante Nico González. “Os ajustes foram tão fora do comum que você se perguntou se era um impostor manipulando as cordas”, disse Brown.

Guardiola durante jogo do Manchester City
Guardiola durante jogo do Manchester City (Foto: Imago)

A posse de bola dos Citizens terminou em 32,8%. Não foi apenas a menor desde que Guardiola assumiu a equipe (em 2016) como também a mais baixa que ele já registrou em seus 601 embates como treinador na primeira divisão.

Além disso, a equipe teve o pior desempenho em finalizações dos últimos 21 meses ao somar somente cinco durante os 90 minutos.

— O City precisava passar por uma evolução tática, mas essa foi uma mudança tão drástica que o técnico trocou todos os seus princípios por um pragmatismo sombrio — analisou o jornalista.

Guardiola reconheceu que a estratégia o fez “sofrer” porque não gosta de jogar desta maneira e atribuiu isso ao cansaço do elenco e força ofensiva do Arsenal. Mesmo com o “novo” sistema, seus comandados não conseguiram evitar que Gabriel Martinelli igualasse o marcador nos acréscimos com golaço.

— Tentamos não ser assim, mas quando o adversário é melhor e temos Erling (Haaland), que pode correr com tanta potência, temos que fazer isso. Lembram de quantos contra-ataques marcamos com Leroy (Sane), Raheem (Sterling) e Kevin (De Bruyne)? Eu preferiria não fazer isso, mas acredito que neste nível teremos que fazer — admitiu o espanhol.

No entanto, para Oliver Brown, o técnico passa uma mensagem confusa. Enquanto segura o desejo de manter o domínio e controle dos jogos, ele sinalizou que se contenta em ter apenas 32% de posse de bola e não pareceu lamentar os dois pontos perdidos fora de casa.

Outra forma de analisar a situação é considerar que Guardiola — que sempre se reinventa — encontrou mais maneiras de fazer seu time performar, ainda que isso seja uma “traição” aos seus ideais em campo.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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