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Paulinho teve seus pecados, mas sua saída também passa pela reformulação do Tottenham

Um meia moderno, com fôlego, bom na marcação e na chegada ao ataque, com discernimento para entrar na área e surpreender. Paulinho tinha os predicados para se dar bem na Europa e foi considerado uma boa contratação do Tottenham, dois anos atrás. Nesta segunda-feira, foi confirmado como o novo reforço do Guanghzou Evergrande e deixa a Europa sem ter conseguido muito mais do que lampejos de grande futebol na sua passagem pela Inglaterra.

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Paulinho teve um bom começo no Tottenham e só. Foi titular nas primeiras 16 rodadas da Premier League de 2013/14, sob o comando de André Villas-Boas e marcou dois gols. Acrescentou mais um contra o Dínamo Tbilisi, pela Liga Europa, e parecia tudo uma questão de se adaptar a um futebol mais intenso como o praticado na Inglaterra. Mas, depois da goleada sofrida para o Liverpool por 5 a 0, na qual atuou como meia-atacante e foi expulso, e da demissão do técnico português, caiu em desgraça.

Perdeu dois jogos por suspensão e mais quatro por lesão. Com Tim Sherwood, o sucessor de Villas-Boas, foi também bastante utilizado, mas não era mais intocável. Nas últimas 16 partidas da campanha, não foi relacionado em duas, foi reserva em outras duas, e mesmo titular, acabou substituído antes do final em seis. Chegou Mauricio Pochettino no começo da temporada passada e seu calvário aumentou. Virou quinta opção no meio-campo, atrás de Bentaleb, Capoué, Dembélé e do jovem Ryan Mason. Foi titular apenas três vezes na Premier League com Pochettino e 14 em toda a temporada, a maioria na Liga Europa, competição em que o Tottenham frequentemente usa equipes mistas ou mesmo reservas.

Paulinho teve seus pecados, e de fato não jogou tão bem quanto sabemos que pode, mas não era um caso perdido. Com um pouco mais de paciência, poderia ter se dado bem na Inglaterra ou mesmo em outro grande centro europeu. O problema é que pegou um momento complicado do Tottenham. Fez parte de um pacote de sete contratações comprado com o dinheiro da venda de Gareth Bale, das quais a maioria deu errado. Tanto que apenas Eriksen e Chadli estão confirmados no elenco para a próxima temporada. Lamela, o jogador mais caro que os Spurs já comprou, por £ 30 milhões, pode ser negociado. Soldado, que custou £ 26 milhões, Capoué e Chiriches estão de saída.

Quando teve oportunidades, Paulinho não jogou à altura da fama de campeão sul-americano e mundial pelo Corinthians e titular da seleção brasileira, que era com Luiz Felipe Scolari até a Copa do Mundo. Sob nova direção, nunca conquistou a confiança do treinador que herdou do seu antecessor um elenco cheio de jogadores caros e de baixo rendimento. Diante dos erros de Villas-Boas, a diretoria do Tottenham não quis dar poder para Pochettino cometer outros tão cedo, e ele não teve muito espaço para mexer no grupo quando chegou a White Hart Lane. Agora, trata de vender alguns atletas para poder montar a equipe que tem em mente, e Paulinho simplesmente não faz parte desse plano.

Talvez a preferência de Paulinho fosse mesmo continuar na Europa, mas o Guanghzou Evergrande apareceu com uma proposta de £ 10 milhões para contratá-lo, mais da metade do que o Tottenham gastou e um valor aceitável para reduzir o prejuízo. Soma-se a isso uma provável proposta financeira dos chineses acima do mercado e a chance de se reunir a Luiz Felipe Scolari, que confiou em seu futebol quando ambos estiveram na Seleção. A escolha passou a ser natural para um dos grandes jogadores do futebol brasileiro nos últimos anos, que não conseguiu concretizar os seus planos, por falhas suas, mas também do clube em que depositou as esperanças do seu sonho europeu.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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