Como parceiro de Casemiro foi de esquecido a crucial no Manchester United
Kobbie Mainoo virou titular incontestável no time de Michael Carrick
Se Casemiro passou por altos e baixos sob o comando de Rúben Amorim, Kobbie Mainoo era um jogador esquecido no Manchester United. Já com Michael Carrick, a joia se instalou ao lado do brasileiro no meio-campo e nunca mais saiu.
O resultado é positivo até o momento: Carrick estreou contra o Manchester City, em uma vitória surpreendente, com Mainoo como titular jogando os 90 minutos. E, desde então, são oito jogos seguidos do jovem atuando todos os minutos — e o United não sabia o que era perder até o último jogo, contra o Newcastle.
Mainoo já deu duas assistências no período e em jogos grandes, contra Arsenal e Tottenham. Seu talento e vaga no time agora parecem indiscutíveis — mas, afinal, o que mudou com Carrick?
A diferença do Manchester United de Amorim e Carrick
Com o português, os Red Devils jogavam em um 3-4-2-1 quase irredutível, em que Mainoo foi descartado para que a dupla de volantes fosse Bruno Fernandes e Casemiro. A ideia de colocar o português mais recuado, para ajudar na construção e ter criatividade antes do entrelinhas, era positiva e teve bons momentos.
No entanto, a fase defensiva desse esquema tinha grandes problemas. Defendendo geralmente em 5-4-1 ou 5-2-3-1, a dupla de volantes constantemente ficava em desvantagem numérica no meio. E isso só se agrava considerando que Bruno não é um exímio marcador, além do fato de que o camisa 8 diversas vezes era pego fora de posição, mais avançado do que o ideal.
Quando Carrick chega, o 3-4-2-1, alvo de diversas críticas, acaba. O ex-volante coloca o time em um 4-2-3-1, sobe Bruno para a função de meia armador e, em seu lugar como segundo volante, entra Mainoo.

Com a bola, as coisas mudam: de padrões de passe previsíveis, com muitas bolas longas com Amorim, o time de Carrick mantém mais a bola e tem uma pitada de ideias “relacionistas” que fazem Mainoo e Bruno Fernandes brilharem.
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Ideia ‘dinizista’ de Carrick ajuda Mainoo
Não é completamente correto dizer que o novo técnico do Manchester United é ousado em níveis como de Fernando Diniz ou José Alberto (Racing Santander). Mas é inegável que o time tem padrões de aglomeração dos seus atletas pelos lados e toques rápidos em curto espaço.
É justamente nesse cenário que Mainoo floresce: é um jovem com pés rápidos para dribles e tabelas, gira bem de costas para sair da pressão e tem boa mobilidade. Com Bruno Fernandes entrelinhas para ser encontrado perto da área, onde pode criar chances perigosas, é a receita do sucesso.
O jovem volante geralmente atua do lado esquerdo da dupla com Casemiro, justamente o lado onde Bruno e Matheus Cunha naturalmente se aproximam. Também é o lado de Lisandro Martínez, o zagueiro com melhor passe entrelinhas, e, muitas vezes, Bryan Mbeumo, que dá o toque de ruptura na equação.

São esses padrões relacionistas que ajudam não só Mainoo, mas todo o time. O centroavante se aproxima da bola para ser opção de passe e, puxando um zagueiro, abre espaço para o ponta ou o meia atacar a área. Se Bruno desce para ajudar, não é mais sua posição natural, então ele liberou espaço para, por exemplo, o próprio Mainoo aproveitar mais à frente. É um time menos previsível e, portanto, mais perigoso.
O volante de 20 anos também mostra seus valores nesse sistema com inversões longas. Uma vez que o time tem muitos jogadores próximos geralmente na esquerda, a tendência é que haja alguém, o ponta ou lateral do outro lado, aberto e livre, ou ao menos em situação para aproveitar o um contra um.
Pareceria com Casemiro na fase defensiva
A mudança de sistema com Carrick também beneficiou o Manchester United em fase defensiva. Agora defendendo em 4-4-2 ou 4-2-3-1 de forma mais agressiva e com pressão alta, Bruno Fernandes é um dos primeiros jogadores a darem combate na hora de pressionar, não mais um volante perdido na marcação por zona.
Mainoo e Casemiro são os volantes que sobem para acompanhar os meias durante a construção adversária e fechar opções de passe pelo meio. No fim, o jovem, que é tido mais como um meio-campista dinâmico e criativo do que um defensor, também se aproveita de funções mais simples nesse momento do jogo.
Unbeaten in 2026 👏 pic.twitter.com/ECaC1Lt4HP
— Manchester United (@ManUtd) March 2, 2026
Depois da fase de transição, o United defende em bloco médio, fechando linhas de passe com os atacantes. Isso tira a sobrecarga dos volantes, que já não ficam mais em inferioridade numérica, para que eles saltem pressão caso o passe entre no seu bloco. Mainoo é ágil e dinâmico para pressionar dessa forma.
No fim, ter Casemiro ao lado também ajuda. O brasileiro faz coberturas defensivas quando a joia salta para pressionar e é um jogador combativo para ajudar a proteger a defesa.
Mainoo foi um dos vários jogadores que cresceram com Carrick, mas a mudança de comando pode ser a guinada que sua carreira precisava para voltar aos tempos de grande joia internacional para o futuro.



