Conta chega ao Arsenal: Como gastar R$ 1,9 bilhão pode forçar Arteta a vender astro crucial
Após gastar cerca de 320 milhões de euros em reforços, clube londrino avalia negociações para cumprir regras financeiras da Premier League e da Uefa
O forte investimento recente do Arsenal no mercado de transferências pode cobrar um preço inesperado nos bastidores do clube. De acordo com o jornal inglês “Telegraph”, os londrinos estudam a possibilidade de negociar ao menos um jogador importante do elenco no próximo verão europeu para manter as contas equilibradas após uma sequência de contratações de peso.
Na temporada atual, a equipe comandada por Mikel Arteta desembolsou cerca de 320 milhões de euros em reforços. O pacote incluiu nomes como Martín Zubimendi, contratado junto à Real Sociedad por cerca de 70 milhões de euros, Eberechi Eze, vindo do Crystal Palace por 69,3 milhões, e Viktor Gyökeres, adquirido do Sporting por aproximadamente 67 milhões.
Também chegaram Noni Madueke, do Chelsea, além de Cristhian Mosquera (Valencia), Christian Norgaard (Brentford) e o goleiro Kepa Arrizabalaga, também vindo do Chelsea. Em paralelo, o zagueiro Piero Hincapié chegou por empréstimo do Bayer Leverkusen.
Arsenal se vê pressionado por regras financeiras
Apesar do grande volume de compras, as saídas não acompanharam o mesmo ritmo. A principal venda foi a do lateral Nuno Tavares, para a Lazio, por seis milhões de euros. Outros nomes deixaram o clube temporariamente: Jakub Kiwior foi emprestado ao Porto, enquanto Fábio Vieira seguiu para o Hamburgo, movimentos que podem render algum retorno financeiro ao fim da temporada.

O cenário coloca a diretoria do Arsenal diante de um dilema comum na elite inglesa: cumprir as regras de controle financeiro impostas pela Premier League e pela Uefa. Internamente, dirigentes discutem qual ativo poderia gerar o maior retorno em uma eventual negociação e até se será necessário abrir mão de mais de um jogador.
Uma das possibilidades analisadas envolve atletas formados na base. Nesses casos, o valor de uma transferência costuma representar lucro integral do ponto de vista contábil, algo valioso dentro das regras de fair play financeiro. A partir daí, surgem os nomes de Ethan Nwaneri e Myles Lewis-Skelly.
Nwaneri, de 18 anos, está emprestado ao Olympique de Marseille desde janeiro, enquanto Lewis-Skelly, de 19, perdeu espaço na disputa pela lateral-esquerda. Ainda assim, os Gunners avaliam com cautela o risco de abrir mão de talentos formados em casa.
Outras peças do elenco principal também aparecem no radar do mercado. O atacante brasileiro Gabriel Martinelli, contratado em 2019 por cerca de 8 milhões de euros, e o defensor Ben White, comprado por aproximadamente 60 milhões em 2021, têm valores contábeis relativamente baixos no balanço do clube — o que significaria lucro relevante em uma eventual venda.
Isso acontece porque o custo de uma transferência é diluído ao longo da duração do contrato do jogador. Com o passar das temporadas, parte desse investimento já foi amortizado nas contas do clube, reduzindo o valor registrado. Assim, caso um atleta seja negociado por uma quantia elevada após alguns anos, a diferença entre o preço da venda e esse valor contábil restante passa a ser contabilizada como lucro.
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Odegaard pode entrar na equação

Até mesmo o nome do capitão Martin Odegaard aparece nas discussões internas, segundo o “Telegraph”. O meia norueguês, peça central no modelo de jogo de Arteta, entrará, no próximo verão, nos últimos dois anos de contrato com o Arsenal.
Após cinco temporadas no clube, o valor residual do jogador nos registros é relativamente baixo, o que tornaria uma venda por cifras elevadas extremamente vantajosa do ponto de vista financeiro.
Ao mesmo tempo, trata-se de uma decisão delicada: Odegaard é visto como líder dentro do vestiário e uma das principais referências técnicas da equipe, tendo sido escolhido capitão tanto pela comissão técnica quanto pelos próprios companheiros.
Assim, enquanto o Arsenal segue liderando a Premier League e vivo em todas as frentes da temporada, os bastidores já apontam para um desafio comum aos clubes que investem pesado: equilibrar ambição esportiva com sustentabilidade financeira. Se o sacrifício vier mesmo, ele pode atingir uma das peças mais simbólicas do projeto de Arteta.



