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Özil e Eriksen já mostram a diferença que devem fazer

Não se discute a qualidade dele. Meia criativo, capacidade para ser o cérebro do time, visão de jogo muito acima da média. Apesar de tantos predicados, a fama de não brilhar em momentos decisivos pesa contra. Mas, ao menos na estreia pelo novo clube, fez valer toda essa fama e deu um passe para gol, aumentando as expectativas dos torcedores londrinos.

A descrição acima é totalmente genérica, mas poderia muito bem se encaixar a Arsenal e Tottenham. Guardadas as devidas proporções, os dois armadores chegaram à Premier League bastante visados. Não pelo preço pago, mas pelas missões que foram atribuídas a eles. O alemão surgiu como a esperança de elevar os Gunners novamente a um favoritismo que têm perdido há tempos. Já o dinamarquês se coloca como a nova fonte criativa dos Spurs após a perda de Gareth Bale. Ao menos neste início, o desempenho de ambos foi animador.

Não havia dúvidas de que Özil se encaixaria rapidamente no meio-campo do Arsenal. Centralizado na linha de meias, o camisa 11 foi o terceiro jogador que mais distribuiu passes na vitória por 3 a 1 sobre o Sunderland no Stadium of Light. Aaron Ramsey foi o destaque da partida ao anotar dois gols – são cinco em 2013/14, já seu recorde em uma temporada. Ainda assim, os holofotes ficaram voltados ao alemão, que deu a assistência para Oliver Giroud abrir o placar – e poderia ter feito mais, não fossem as chances desperdiçadas por Theo Walcott.

Da mesma forma, Eriksen participou de maneira decisiva do triunfo do Tottenham por 2 a 0 sobre o Norwich. O camisa 23 deu boa enfiada de bola para Gylfi Sigurdsson marcar o primeiro de seus dois gols e também participou da jogada servida por Paulinho no segundo tempo. Em um time muito veloz na transição, o dinamarquês ditou o ritmo para os companheiros acelerarem e foi o principal provedor do jogo aéreo, uma das virtudes do time de André Villas-Boas.

As perspectivas de sucesso tanto para Özil quanto para Eriksen na Premier League são boas, ainda que os desdobramentos sejam diferentes. O Gunner carrega nos ombros a responsabilidade de ser a grande estrela da companhia, mas também alivia a pressão para que outros jogadores da equipe possam se sobressair, como Jack Wilshere. Eriksen, por sua vez, vem para ser mais um dos destaques no forte elenco montado pelos Spurs. E dividir as cobranças é excelente para que cumpra todas as promessas em torno de seu nome desde os tempos de Ajax.

Foi só uma primeira mostra, mas Özil e Eriksen já começaram a fazer valer o rótulo de protagonistas que foi colocado sobre eles depois do fechamento da janela de transferências. Mantendo a boa forma, a criatividade da dupla poderá fazer a diferença na acirrada briga pelo Top Four da Premier League. Até porque, com os dois funcionando nas novas equipes, as chances de Arsenal e Tottenham ficarem no topo da tabela são enormes.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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