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Ospina teve uma atuação impecável para, ao menos, valorizar o seu futuro

A Argentina massacrou durante quase todo o tempo. Merecia sair com a vitória. Porém, David Ospina também fez por merecer o empate por 0 a 0. O goleiro da Colômbia teve uma atuação monstruosa, a melhor de um goleiro nesta Copa América (e talvez a melhor individual de todo o torneio) para segurar o poderoso ataque da Albiceleste. Não pegou nenhum pênalti, ainda que fosse digno da classificação. Ressaltou o seu valor, em um momento no qual seu nome é posto no mercado de transferências. Para fazer o Arsenal pensar um pouco melhor sobre o futuro do camisa 13.

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O grande milagre de Ospina veio de maneira dupla, contra Agüero e Messi. Primeiro, barrou com a ponta dos pés o chute prensado de Kun, mas da pequena área. Logo depois, se levantou e voou para espalmar a cabeçada à queima-roupa de Messi, em um lance ainda mais impressionante. Entre saídas de gol e bolas defendidas, foram pelo menos dez intervenções fundamentais para segurar o placar. E, quando a muralha não era suficiente, contou com a ajuda da trave, como no desvio de Otamendi que o camisa 1 desviou com a ponta dos dedos, já no segundo tempo.

Não é de hoje que Ospina é um grande goleiro. As boas aparições com a Colômbia aconteçam há alguns anos, titular da equipe desde 2009. Herdeiro digno de Óscar Córdoba e Faryd Mondragón, os dois melhores arqueiros já formados no país sob as traves – ainda que sem a saída de gol e o espetáculo de René Higuita. Dono de bom tempo de reação e posicionamento preciso, Ospina está pelo menos entre os 30 melhores em sua posição. Mas também tem suas deficiências, principalmente para interceptar o jogo aéreo. Um exemplo de goleiro ótimo em “duas dimensões”, mas que tem problemas para ganhar a terceira, a extensão da área.

A primeira temporada de Ospina no Arsenal foi positiva, só que não o suficiente. Por problemas internos, entrou na vaga de Szczesny, que também não gozava de tanta confiança. Fez boas partidas e navegou na ótima fase do time de Arsène Wenger na metade final da temporada. Contudo, também irritou os torcedores com as falhas mais recorrentes que o aceitável. Tanto que passou a ter sua posição ameaçada por Petr Cech, sem espaço no Chelsea e disposto a continuar morando em Londres. Um negócio que parece apenas questão de tempo para ser confirmado, enquanto o colombiano interessa ao Fenerbahçe.

Não há dúvidas que Petr Cech é mais goleiro que Ospina, lenda da posição nos últimos 15 anos. Ainda assim, o colombiano não está tão abaixo assim – possui as suas qualidades, e mais futuro. Prestes a completar 27 anos, não é tão mais velho do que Szczesny (25) e sua adaptação ao futebol inglês pode ser trabalhada, assim como as carência. Possui talento para não ser um mero reserva do Arsenal. Mas, com um veterano de 33 anos chegando, pode se manter como opção interessante ao clube. Basta a Wenger avaliar as boas vantagens da permanência. Ou então aproveitar o moral que o colombiano ganhou na Copa América e fazer dinheiro com isso. Sem dúvidas, quem comprar terá um grande goleiro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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