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A Argentina sofreu mais do que deveria na noite em que, enfim, jogou o que se espera dela

Os 90 minutos estiveram nos pés de um só time. E nas mãos de um goleiro. A Argentina finalmente acordou para a Copa América nestas quartas de final, fazendo a sua melhor partida na competição. Mas, contra uma Colômbia muito abaixo de seu potencial, David Ospina valeu pelos 11 de seu time. Fez uma série de milagres para manter vivas as chances dos Cafeteros e segurar o empate sem gols até os pênaltis. Sinal da triste sina da Albiceleste na Copa América? Não desta vez. O goleiro colombiano não conseguiu ser tão decisivo na marca da cal e seus companheiros foram ainda piores, com erros crassos. Na sétima série de cobranças, Tevez deu a vitória aos argentinos por 5 a 4. Reforça o moral do time de Tata Martino para as semifinais, entrando como favorito contra Brasil ou Paraguai.

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Depois de muita letargia na primeira fase, a Argentina resolveu acelerar o passo na Copa América. Não houve mudanças táticas, mas sim uma nova postura que melhorou demais o time. A pressão veio desde os primeiros minutos de jogo, com velocidade no ataque, invadindo a área adversária. Messi chamou a responsabilidade e fazer estrago na defesa da Colômbia, sofrendo muitas faltas e forçando os cartões amarelos. E, ainda que abaixo do camisa 10, os companheiros de ataque ajudavam a manter a intensidade, especialmente nos espaços abertos por Agüero e na condução de bola de Pastore.

É verdade que as péssimas opções da Colômbia também ajudaram a Argentina, com a cautela excessiva de José Pekerman. Sem o lesionado Valencia e o suspenso Carlos Sánchez, os volantes titulares, os Cafeteros perdiam muito poder de marcação. Alexander Mejía não deu conta da contenção, com os meias deixando muitos espaços à frente da zaga. E, sem a bola, errando demais na saída de jogo, os colombianos mal conseguiam atacar. Tanto que o técnico já queimou sua primeira substituição com 24 minutos, trocando Teo Gutiérrez por Edwin Cardona, na tentativa de melhorar a recomposição.

Enquanto isso, o gol da Argentina só não saia do outro lado por causa de Ospina. O goleiro já vinha fazendo uma boa partida, por mais que a defesa colombiana atrapalhasse as finalizações da Argentina – a ponto de reclamarem de pênalti algumas vezes. Mas, aos 25 minutos, o camisa 1 operou o maior milagre desta Copa América. Após salvar com os pés o chute prensado de Agüero, se recuperou a tempo de salvar sobre a linha a cabeçada à queima-roupa de Messi. Um lance inacreditável pela própria reação do camisa 10, que se lamentava. Ospina seguia como principal responsável por aguentar as pontas. Ao todo, foram 11 finalizações da Albiceleste contra nenhuma da Colômbia na primeira etapa.

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O jogo diminuiu de ritmo no segundo tempo. A Argentina se cansou, enquanto a Colômbia passou a entender melhor o duelo tático – tanto que, enfim, deu suas duas primeiras e únicas finalizações em um mesmo lance, aos 22. Enquanto isso, a pegada se mantinha forte, com o árbitro contemporizando as várias entradas duras e bate-bocas. Somente nos 15 minutos finais, com as entradas de Tevez e Banega, é que a Albiceleste se revigorou. Para esbarrar nas traves por duas vezes. Banega arriscou de fora e triscou o travessão, enquanto na sequência Otamendi forçou nova defesaça de Ospina, desta vez contando com o auxílio do poste. E ainda houve tempo para outro grande susto aos 42, em bola que passou por Ospina, mas Murillo salvou na pequena área. Com a persistência do empate, a decisão ficou para os pênaltis.

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A precisão se manteve nas três primeiras séries de cobranças, com Messi e James (nulo com a bola rolando) fazendo as suas partes. Os erros começaram com uma bola isolada por Muriel. No quinto chute, quando tinha a chance de matar, Biglia também errou o alvo. E fora três erros nas cobranças alternadas (com só uma defesa, de Romero) até que Tevez confirmasse a classificação da Argentina. Justo ele, que falhou no penal decisivo da Copa América de 2011. O atacante anunciado nesta sexta pelo Boca Juniors não bateu bem, no meio do gol, mas pelo menos pôde sorrir desta vez.

Tanto quanto a classificação, é importante a forma como a Argentina se portou em campo. Por mais que a vitória não tenha saído nos 90 minutos, serve para revigorar a confiança sobre o time, que não vinha fazendo por merecer todas as expectativas criadas. Enfim, uma noite para se colocar como francos favoritos. E para Messi mostrar que, apesar da temporada desgastante, ainda tem gás para liderar a equipe de Tata Martino. O jogo nas semifinais não será simples, ainda mais se for contra o Brasil, em um clássico no qual a Albiceleste se deu mal muitas vezes contra Dunga e nas últimas Copas Américas. No entanto, olhando para o papel, não há dúvidas quanto a superioridade argentina. E, depois do que aconteceu nesta sexta, olhando para o campo também.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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