Os times do ano

Foi um bom ano para Londres no futebol inglês, não resta dúvida. Se tudo der certo, a cidade será a primeira na história a ter três times na LC do ano que vem. O Chelsea campeão, entretanto, não briga pelo título de “time do ano”, que tem que ser dividido entre dois londrinos: o quarto colocado Totttenham, do melhor técnico do mundo, Harry Redknapp, e o vice-campeão da Liga Europa, Fulham, de Roy Hodgson.
Sobre o Tottenham, que ninguém ache que eu vou dizer que não disse o que disse. Cornetei feio, e dancei. Sou Tottenham há tempos, e a derrota na semifinal da FA Cup, que eu julgava ser a última coisa que restava na temporada, acendeu o torcedor e apagou o jornalista.
Os fatos, a rigor, ali contidos, não estão de todo errados. Harry Redknapp tem uma história em que se misturam sucessos estrondosos e times quebrados. Em todos os casos, o talão de cheques do dono tem que estar disponível. O que o treinador conseguiu fazer com o time depois da derrota para o Portsmouth, porém, é espantoso e sensacional.
Que a culpa pela derrota seja dele, vá lá. Depois de uma pancada como aquela, entretanto, nenhuma equipe no mundo venceria na sequência dois de seus maiores rivais e, mais uma semana adiante, derrotaria seu rival na briga pela vaga na casa dele. Nem do Barcelona se esperaria isso.
O Tottenham não só chegou lá como o fez jogando um futebol brilhante. De trocas de passes perfeitas e competentes, de domínio de território e, principalmente, de uma segurança inacreditável para um time que perdeu do Portsmouth.
Pois bem: o torcedor aqui se emocionou bastante com o quarto lugar, como não imaginei que poderia me emocionar com um time que nunca vi jogar pessoalmente – e cujo estádio nunca visitei. Torcia tanto pelo empate, que deixaria a decisão para o jogo contra o Burnley, que nem parei pra pensar que a vitória garantiria a posição. Quando me dei conta estava na rua, e senti a mesma sensação de ganhar um título com meu time “de verdade”.
É claro que Harry Redknapp não é o melhor do mundo, assim como é claro que seus sucessos não podem ser só sorte. Os Spurs ainda não estão na Champions League, é verdade, mas a combinação entre os ótimos jogadores que tem há tempos e a segurança injetada no grupo por esta campanha pode fazer maravilhas por este clube.
Assim como deve fazer maravilhas pelo Fulham a derrota na final da Liga Europa. Derrota na prorrogação ( e não nos pênaltis, como eu tinha escrito antes) para um dos times mais tradicionais da Europa. O Fulham, ao quase chegar lá, foi amis longe do que qualquer outra equipe inglesa nesta temporada.
Quando a equipe se classificou para a competição na temporada passada, me lembro de ter lido na imprensa inglesa que uma das forças do time era não variar muito sua escalação, e que não poderia fazer isso tendo que disputar duas competições. A previsão era de saída rápida da competição européia, e fracasso na Premier League.
Os Cottagers quase foram campeões, e, de quebra, garantiram um confortável 12o posto na tabela. Tudo sem grandes contratações, sem queimar dinheiro, e sem jogar pelo empate, em uma retranca feia. Em suma, sem ser o Middlesbrough.
No ano que vem, o Fulham está fora da Europa, é verdade. A experiência e a confiança adquiridas neste ano, entretanto, são suficientes para estabelecer o clube como participante frequente da briga pelas desejadas vagas continentais. Uma mudança de status que coloca o nome de Roy Hodgson na história da equipe.



