Os quase lá

Na primeira coluna desta retrospectiva chamávamos a atenção para o fato de que a Premeir Legue deste ano ter tido “blocos” claros, Na terceira parte desta avaliação, falamos dos quatro clubes do bloco que brigou pela vaga extra na Liga Europa: Manchester City, West Ham, Tottenham e Fulham.
O Manchester City é claramente a grande decepção da temporada, ainda que qualquer previsão para a equipe acima de Liga Europa fosse um clro exagero. A equipe conseguiu terminar a temporada ainda pior do que na passada, que rendeu a demissão de Eriksson, apesar de todo o dinheiro gasto.
Seus pares de grupo não têm o que reclamar, principalmente o Tottenham, que esteve a ponto de brigar para não cair, e o Fulham, que imaginava brigar para não cair e acabou classificado para a LE.
Manchester City
Colocação final: 10º
Técnico: Mark Hughes
Maior vitória: Man City 6×0 Portsmouth (21/9)
Maior derrota: Aston Villa 4×2 Man City (17/8)
Principal jogador: Stephen Ireland
Decepção: Jô
Artilheiro: Robinho (14 gols)
Competição continental: Copa Uefa (Eliminado nas quartas)
Nota da temporada: 3
Quando Roman Abramovich comprou o Chelsea e, na seqüência, metade dos melhores talentos futebolísticos do continente, a imprensa inglesa ainda assim não o colocou como favorito ao título inglês – e os Blues não foram campeões. Da mesma maneira, o novo rico Manchester City não foi considerado pela maioria nem concorrente a vaga na LC. Em primeiro lugar porque o City estava em um patamar bem abaixo do que estava o Chelsea pré-Abramovich. Além disso, as contratações da equipe não foram exatamente fantásticas. Imaginar, entretanto, que com a chegada de dinheiro e jogadores, além de um técnico novo, a equipe pudesse ir pior do que na temporada anterior, ninguém imaginava.
Não só foi isto que aconteceu como o City se viu, por algumas rodadas, com a perspectiva de brigar para não cair. Um time que realizou a maior contratação da história do futebol inglês, Robinho, adquirido por 32,5 milhões de libras. Se Robinho começou bem, e ainda acabou a temporada como artilheiro da equipe, não são poucos em Manchester que acham que o dinheiro poderia ter sido mais bem empregado. O principal destaque do time, da metade da temporada em diante, foi Stephen Ireland, e Robinho perdeu o encanto e esqueceu o futebol. No meio do ano a equipe tentou Kaká, mas só conseguiu Bellamy e De Jong. Nunca foi, porém, um time, e o resultado, uma posição abaixo da temporada passada e fora das vagas européias, reflete isso. Seve Goran Eriksson, este sim, deve estar gargalhando.
West Ham
Colocação final: 9º
Técnico: Gianfranco Zola
Maior vitória: West Ham 4×1 Blackburn (30/8)
Maior derrota: ManCity 3xo West Ham (24/8)
Principal jogador: Carlton Cole
Decepção: Dean Ashton
Artilheiro: Carlton Cole (10 gols)
Nota da temporada: 6
O West Ham começou a temporada sob razoável otimismo. A temporada 2007/08 mostrara significativo avanço com relação à anterior, e Alan Curbishley prometia que, em sua segunda temporada completa no comando, o time iria ainda melhor. A maré, entretanto, virou rapidamente quando o dono da equipe, o islandês Björgólfur Guðmundsson viu sua riqueza derreter com a crise mundial. Uma disputa sobre a venda de Anton Ferdinand acabou com a demissão de Curbishley, e os Hammers passaram a temer pelo pior.
Curbishley foi substituído por Gianfranco Zola. O ex-ídolo do Chelsea, um rival não tão rival, foi recebido com desconfiança, mas, com a chegada do auxiliar Steve Clarke, que trocou Felipão pelo italiano, rapidamente se tornou o queridinho da torcida e da mídia. Em 26/12, o chamado “boxing day”, os Hammers bateram o Portsmouth por 4 a 1 na casa do adversário, e iniciaram uma série de jogos sem derrota que alçou a equipe da 17ª para a 8ª posição. Mesmo sob a incerteza sobre o que aconteceria com o clube, Zola conseguiu manter a equipe distante da briga do rebaixamento, e ainda beliscou a última vaga continental. Nada mal para quem nunca tinha treinado uma equipe adulta.
Tottenham
Colocação final: 8º
Técnico: Harry Redknapp
Maior vitória: Tottenham 4×0 Middlesbrough (4/3)
Maior derrota: Man Utd 5×2 Tottenham (25/4)
Principal jogador: Aaron Lennon
Decepção: David Bentley
Artilheiro: Darren Bent (12 gols)
Competição continental: Copa Uefa (eliminado na primeira fase eliminatória pelo Shakhtar)
Nota da temporada: 5
O Tottenham, como de costume, começou a temporada 2008/09 achando que, desta vez, tudo seria diferente. Juande Ramos, tirado do Sevilla a peso de ouro, trouxera um troféu para White Hart Lane depois de muitos anos, e contratações como Gomes, Modric e Giovani dos Santos apontavam para uma temporada de sucessos. Mais uma vez, entretanto, a direção do clube boicotou, e a novela da venda de Berbatov, vendido no final do período de transferências, detonou o time de uma maneira irrecuperável. O Tottenham, que já tinha vendido Defoe, vendeu também Keane, e trouxe para o lugar dos três Roman Pavlyuchenko, jogador promissor, mas com nenhuma experiência na Premier League. O time, que já não tinha defesa – além de Woogdate, o único zagueiro confiável é King, que não pode treinar, e joga pouco – o time ficou também sem ataque.
O resultado não demorou a aparecer: Juande presidiu o pior início de temporada da história dos Spurs, com dois pontos em oito jogos – incluídas aí derrotas em casa para Sunderland e Hull. E foi demitido. Seu sucessor, Harry Redknapp, começou com nada menos que dez em doze pontos possíveis, com uma vitória sobre o Liverpool no caminho, e, a partir do final de janeiro, embicou para cima, vencendo o Chelsea no percurso, e a oito rodadas do final se inscreveu finalmente na briga pela última vaga européia.
Redknapp não é um gênio, e algumas derrotas entre a primeira onde de vitórias e a segunda deixaram claras as limitações do trabalho do treinador, um profissional da “velha guarda”, que não hesita, por exemplo, em criticar seus jogadores em público. Um dos criticados, aliás, simbolizou a volta por cima da equipe: Gomes, considerado no meio do ano uma das piores contratações da Liga, acabou se sobressaindo na segunda metade da temporada, e a equipe acabou sendo a que menos concedeu gols em casa entre todas as da Premier League.
Fulham
Colocação final: 7º
Técnico: Roy Hodgson
Maior vitória: Fulham 3xo Middlesbrough (20/12)
Maior derrota: Man Utd 3×0 Fulham (18/2)
Principal jogador: Mark Schwarzer
Decepção: Seol Ki-Hyeon
Artilheiro: Andy Johnson e Clint Dempsey (7 gols)
Nota da temporada: 8
“Como achar um ponto baixo em um ano em que tudo deu tão certo?”, perguntava um torcedor no site do Fulham, em tópico que discutia o pior jogador da equipe no ano. Este que escreve teve e mesma dificuldade: tudo deu tão certo para o Fulham na temporada que foi difícil achar alguém que não tivesse ido bem. Até porque, quem não foi bem foi simplesmente esquecido no meio de tanta coisa que funcionou. Roy Hodgson, em sua primeira temporada completa, teve pouco dinheiro para gastar, e, mesmo assim, montou uma equipe que foi sólida o ano todo, e, a partir da 11ª rodada, quando chegou ao 10º lugar, não mais deixou a metade de cima da tabela.
A principal virtude da equipe de Hodgson, que tem história no futebol com passagens pela Inter de Milão e pelo Blackburn, foi o fato de ser uma equipe. No meio do ano, por exemplo, o inglês deixou sair Jimmy Bullard, então titular e uma das principais figuras do time, só para ver Dickson Etuhu, contratado no início da temporada e até então apagado, assumir seu lugar sem qualquer prejuízo. Um time em que poucos jogaram muito, o que resultou em entrosamento perfeito, e a quarta melhor defesa da Liga toda.



