Inglaterra

Os motivos que tornam Mourinho o “Special One”

José Mourinho está oficialmente de volta ao Chelsea. Embora o assunto fosse tratado como certo pela imprensa britânica e o site da Premier League já tivesse adiantado o acordo, os Blues só confirmaram o retorno do treinador nesta segunda-feira. Bicampeão da Premier League, o português é o primeiro técnico da história do clube londrino a assumir como técnico pela segunda vez. Apenas um motivo entre tantos que tornam Mourinho o “Special One” de Stamford Bridge.

“Em minha carreira, eu tive duas grandes paixões: a Internazionale e o Chelsea. E o Chelsea foi mais importante para mim. Foi muito, muito difícil jogar contra o Chelsea e repeti isso apenas duas vezes, o que não foi tão ruim. Agora, prometo exatamente as mesmas coisas que prometi em 2004, com uma diferença: eu sou um de vocês”, declarou o treinador, em sua primeira entrevista na volta ao clube.

Tanto quanto o trabalho, é nesta identificação que o Chelsea aposta com o retorno de Mourinho. O maior título da história dos Blues não foi conquistado com o português, mas não há dúvidas de que seu período mais glorioso veio sob a orientação dele. O suficiente para deixar as rusgas com Roman Abramovich para trás e promover a renovação tão esperada nos últimos anos. Um casamento reatado que, outra vez, parece promissor.

Seis motivos que tornam Mourinho o “Special One” do Chelsea:

– O aproveitamento no clube: dois títulos da Premier League, dois da Copa da Liga Inglesa, um da Copa da Inglaterra. Nas três temporadas em que foi comandado por José Mourinho, o Chelsea conquistou tantas glórias quanto em sua história centenária, ainda que nunca tenha chegado ao topo nas competições europeias. Um desempenho marcante, equivalente a 74,3% dos pontos disputados – em um aproveitamento inferior apenas ao de Guus Hiddink entre seus sucessores no clube.

– A importância na montagem de um esquadrão: Mourinho chegou ao Chelsea um ano depois de Roman Abramovich, após a demissão de Claudio Ranieri. E soube aproveitar como ninguém os milhões do magnata russo. No início de sua gestão, trouxe Didier Drogba, Petr Cech, Ricardo Carvalho e outras peças importantíssimas no bicampeonato inglês. Agora, terá como missão renovar as forças dos Blues, enfraquecidos justamente pelo envelhecimento dos antigos senadores.

– O controle do vestiário: Mourinho retorna ao Chelsea com a aprovação dos veteranos, o que já é um ótimo caminho. Frank Lampard, John Terry e Petr Cech rumaram ao estrelato com o treinador e devem apoiá-lo na passagem de bastão em Stamford Bridge. Porém, será tão importante quanto a forma como o comandante lidará com outras forças que emergem no elenco, a exemplo de David Luiz e Juan Mata – não por menos, já especula-se que o brasileiro possa sair por não se enquadrar no projeto do português.

– A boa relação com os torcedores: Mourinho pode ser considerado um dos maiores ídolos da história do Chelsea. Não só pelas conquistas dentro de campo, como também pelas reações fora dele. O português pode não ser a pessoa mais querida por jornalistas ou adversários, mas seu estilo e suas frases conquistaram a torcida do Chelsea. Não à toa, continuou aclamado pelos Blues nos seis anos seguidos a sua saída de Stamford Bridge.

– A dedicação no trabalho: Por mais que seja ranzinza e bata de frente com alguns jogadores, ninguém duvida do esforço de Mourinho em seus clubes. Apesar dos relatos de que não era tão inovador em seus treinamentos no Real Madrid, o português vestiu a camisa do madridismo e defendeu o clube com suas garras até o momento em que os interesses pessoais sobrepuseram às possibilidades de conquistas. No Chelsea, promete recuperar a paixão da passagem anterior.

– O jogo de forças com Roman Abramovich: O novo técnico e o dono do Chelsea podem ter suas rusgas, mas sabem que chegaram ao seu ápice trabalhando juntos. Enquanto Abramovich quer influenciar a montagem da equipe, Mourinho quer ter poderes na diretoria. E equilibrando esses interesses é que o russo e o português esperam ter sucesso na nova reunião, sem que as crises internas desdobrem sobre o elenco.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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